Início Política Pela primeira vez MPLA poderá ter vários candidatos a disputar a sua presidência, entre eles a filha de Neto

Pela primeira vez MPLA poderá ter vários candidatos a disputar a sua presidência, entre eles a filha de Neto

por Redação

Diversas personalidades pretendem concorrer à presidência do MPLA no congresso ordinário a realizar-se em Dezembro próximo. Irene Alexandra da Silva Neto, filha de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, tem sido apontada em meios do partido dos camaradas como uma das candidatas. Outro candidato é o engenheiro António Venâncio, militante do MPLA há 48 anos

De acordo com notícias que circulam e fazem referência ao porta-voz da Fundação Agostinho Neto (FAN), Artur Queiroz, Irene Neto poderá concorrer à presidência do MPLA, para “acabar com as políticas divisionistas que destruíram a unidade interna e nacional”.
O também jornalista Artur Queiroz adianta que um grupo de “notáveis” do partido decidiu convidar a médica Irene Neto a apresentar no Congresso de Dezembro uma moção de estratégia e a sua candidatura à liderança. Queiroz alega que este dado “caiu como uma bomba” na direcção do MPLA.
Em sua opinião, o convite a Irene Neto deverá estar ligado ao facto de ser filha do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto. “Ela é do MPLA desde pequenina e hoje é avó. Nasceu e cresceu nas nossas fileiras. Teve um gesto que mostra a sua fidelidade aos princípios e valores do movimento. Quando concluiu a sua especialidade médica criou uma clínica. Quando a sua vida pessoal e profissional estabilizou, fez saber ao líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, que estava disponível para desempenhar qualquer missão, no partido ou no Estado”, escreveu o jornalista.
Queiroz recorda que o Presidente José Eduardo dos Santos incluiu Irene Neto na lista dos deputados do MPLA. Enquanto desempenhou a missão de deputada mostrou ser uma política exímia, promotora de relações cordiais com todos os grupos parlamentares e cultora da estabilidade. Mais tarde foi para o Executivo e cumpriu as missões de que foi incumbida. Em 2017 deu lugar aos novos e já não fez parte das listas de deputados do MPLA. Regressou à sua vida profissional. Hoje é apontada pelos que apoiam a sua candidatura, como a única que pode “acabar com as políticas divisionistas, que destruíram a unidade interna e nacional.”
Irene Neto não fechou a porta aos seus apoiantes. Nem à apresentação de uma moção de estratégia nem a encabeçar uma lista para a liderança do MPLA: “Uma mulher na Presidência da República da dimensão da Dra. Irene Neto dá-nos a garantia do regresso à estabilidade política e ao primado da camaradagem. Não podemos aceitar um líder que faz tudo para destruir o MPLA. Ela é a dirigente certa para repor o velho princípio ‘o MPLA é o Povo o Povo é o MPLA’”.
“Se o general Miala não forjar provas contra ela, como parece estar a fazer com Álvaro Boavida Neto, pode ser que os delegados ao Congresso do MPLA decidam mudar de líder e, ao mesmo tempo, quem será o cabeça – de – lista nas próximas eleições. Um líder que para ganhar dimensão política está a destruir o seu partido e o país, quanto mais cedo sair do Poder, melhor”, escreveu o porta – voz.
Irene Neto, segundo Artur Queiroz, tem sabedoria e experiência política para devolver ao MPLA o seu papel insubstituível na sociedade angolana. “Desde logo, respeitando todas e todos os construtores da Angola que hoje temos e não surgiu de geração espontânea. Uma mulher na Presidência da República pode devolver aos angolanos a dignidade que lhes foge desde 2017. O desafio está lançado. Em Dezembro se verá se triunfam as falsidades ou as novidades”.
Na mesma esteira, o engenheiro António Venâncio avança com a sua candidatura à liderança do MPLA para “prestigiar” o partido. Militante do MPLA há 48 anos, é o primeiro a anunciar a sua candidatura à liderança do partido no poder em Angola no próximo congresso, ambicionando uma instituição mais “prestigiada” e democrática.
O actual coordenador do grupo técnico para as questões de engenharia do MPLA assinalou que o partido está em condições de liderar a democratização do país.
António Venâncio lembrou que a partir do VII Congresso, realizado em 2017, o partido abriu-se “de forma inequívoca” à democracia interna e permitiu que os militantes que reúnam os requisitos para apresentar a sua candidatura à liderança o façam.
“Estou há 48 anos no MPLA e reúno os requisitos. Tenho uma estratégia e uma visão para o país e acho que é altura de fazer chegar essa visão aos militantes e aos delegados (ao Congresso)”, disse à Lusa, realçando que “é altura de transformar o MPLA numa instituição mais prestigiada”.
Antonio Venâncio quer uma “nova era” para o MPLA, com um partido democratizado que permita avançar também para um país mais democrático.
“O MPLA tem tudo para liderar o processo de democratização do país dando um exemplo ao mundo”, destacou, acrescentando que é altura de os militantes fazerem valer os seus direitos estatuários.
António Venâncio é o primeiro militante a formalizar uma candidatura para desafiar o actual presidente do partido, João Lourenço, que é também chefe do Estado angolano, no próximo congresso, que acontece em Dezembro, numa altura em que falta menos de um ano para o país realizar eleições gerais.
O engenheiro foi activista político desde 1974 e esteve à frente do grupo que recebeu a primeira delegação do MPLA vinda do maquis, tendo estado também ligado à organização do primeiro comício do MPLA em Luanda.
Com a candidatura já formalizada, António Venâncio acredita que deverá sair da condição de pré-candidato para a de candidato já nos próximos dias.
O VIII Congresso Ordinário do MPLA está marcado para 9 a 11 de Dezembro de 2021.
(Com agências)

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