Início Política Paulo Kassoma novamente apontado em caso espantoso de 43 malas de dólares apeendidas na África do Sul

Paulo Kassoma novamente apontado em caso espantoso de 43 malas de dólares apeendidas na África do Sul

por Redação

Uma vez mais, o nome de Paulo Kassoma, ex-secretário-geral do MPLA e general na reserva, volta a estar ligado a mais um alegado caso de desvio de altíssimas somas em dólares, igualmente tendo como cenário a República da África do Sul (RSA). Filho do general Miala também pode estar envolvido. Analistas exigem que as autoridades investiguem o caso a fundo.

Japer Kanambwa

No princípio de 2018 foi amplamente noticiado que a polícia sul-africana teria apreendido, numa reisdência, alegadamente propriedade do dirigente do MPLA, Paulo Kassoma, a quantia de 270 milhões de dólares.
As notícias faziam referência que tal valor serviria «para garantir uma ‘rede’ de apoio aos dirigentes do MPLA», porém, em comunicado divulgado na altura, o partido no poder em Angola negou as acusações, considerando-as como «boatos» que são «inimigos do povo».
No seu comunicado, em que lamentava o facto de ser constantemente vítima de ataques de detractores, o MPLA garantiu que Paulo Kassoma não possuia nenhuma casa na África do Sul e «há mais de dez anos que o ex-secretário-geral não ia àquele país».
Tão logo foi afastado da “ribalta”, deixando de ser secratário-geral, no âmbito do combate à corrupção, Paulo Kassoma começou a ser apontado como mais um que ter-se-á aprovietado dos cargos que exerceu durante o regime de José Eduardo dos Santos, para desfalcar o erário público em proveito próprio.
Entretanto, assim como tem acontecido com outros casos, as acusações contra Kassoma foram abafadas, tendo caído sobre ele um silêncio total, como se o homem não existisse.
De repente, como que a inaugurar o novo ano, foi posto a circular nas redes sociais um vídeo de um homem não identificado a denunciar a apreensão de várias maletas metálicas contendo milhões de dólares.
Segundo o homem do vídeo, os valores encontrados no armazém de uma fazenda, são provenientes de Angola, mas o nome do proprietário de tão volumosa quantia não foi revelado, havendo porém a referência de o mesmo ter a «patente de general».
De acordo com as notícias que circulam nas redes sociais, «o laboratório Sacatindi informou, na tarde de domingo, terceiro dia de Janeiro de 2021, que os valores foram encontrados numa fazenda, supostamente pertença do general Paulo Kassoma, na África do Sul».
Assim sendo, ao ser contactado (pelo site ‘Factos Diários?) «desmentiu as acusações tendo avançado que não tem nenhuma fazenda na terra de Nelson Mandala», afirmando que, «nunca acumularia tal montante de dinheiro na minha vida. É pura mentira, não tenho fazenda na RSA», refere-se.
No mesmo sentido, em relação à pessoa que aparece no vídeo, alega-se que o mesmo «é filho do general Miala», actual chefe de Inteligência do Governo de João Lourenço, mas, as mesmas informações foram também desmentidas.
As notícias aludem ainda que não é conhecido o paradeiro das malas contendo o dinheiro nem do seu proprietário.
Pelo sim, pelo não, vaticinam analistas, as autoridades angolanas, com destaque para a Procuradoria-Geral da República, não devem deixar-se «adormecer à sombra da bananeira». Diante de tais acusações, que não são as primeiras, todos esforços devem ser feitos no sentido de averiguar e provar a veracidade das mesmas e, caso se comprovem, proceder em conformidade com a lei sobre os criminosos e recuperar os valores a favor do Estado angolano. Se foi possível proceder assim para recuperar 900 milhões de dólares depositados na Suiça, no caso AAA, porque não pode ser o mesmo na África do Sul, país mais próximo com quem Angola tem relações privilegiadas?
Está em jogo o nome de Angola e do seu povo, pelo que, quem de direito tem que primar pela sua reputação e dignidade. O Estado está a reaver algumas coisas e algum dinheiro. Apenas algum, porque a maioria do que foi roubado continua espalhado pelo mundo. Muito dinheiro está estrategicamente escondido mesmo em Angola, em contentores, em caves, tanto em residências, como em quintas, fazendas e outros empreendimentos.
Apesar de o combate à corrupção estar a ser efectuado, muitos larápios continuam a vangloriar-se e a banquetear-se com os avultadíssimos valores que roubaram ao Estado e continuam impunes. Tem que se acabar com a preferência de quem pode ou não pode ser ‘tocado’, seja lá quem for!

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