Início Política Para garantir reeleição: João Lourenço será candidato único no VIII Congresso do MPLA

Para garantir reeleição: João Lourenço será candidato único no VIII Congresso do MPLA

por Redação

Como tem sido amplamente denunciado por candidatos que se dizem prejudicados e por militantes descontentes com o processo, as eleições de dirigentes das estruturas de base do MPLA estão marcadas por diversas irregularidades, sobressaíndo o favorecimento a algumas pessoas que não reúnem os requisitos para os cargos

O próximo Congresso do MPLA (VIII), a realizar-se em Dezembro, e que deve reeleger João Lourenço na liderança do partido no poder, é precedido de conferências em que são eleitos dirigentes das estruturas de base. Contudo, estas eleições ficaram marcadas por denúncias de irregularidades em alguns comités distritais e municipais, senão em todos.

Experimentando, mais uma vez, o modelo de múltiplas candidaturas na escolha dos seus dirigentes, tendo a primeira experiência acontecido em 2019 no congresso da JMPLA, braço juvenil do partido, o MPLA debate-se entretanto com uma onda de descontentamento de militantes que apontam para procedimentos ilícitos em diversas localidades.

Logo no início do processo orgânico de eleições dos primeiros secretários dos distritos urbanos de Luanda, o processo começou mal no município do Cazenga, onde o 2º secretário provincial de Luanda do partido, Nelson Funete, foi acusado de impedir a candidatura de um militante, Nelson Guilherme, para o cargo de primeiro secretário do distrito urbano do 11 de Novembro

Os militantes do Cazenga fizeram qustão de lembrar que “o mesmo cenário do passado, em que imperava o amiguismo, a bajulação e o nepotismo, continua a fazer morada no MPLA de Luanda e nada alterou”, sendo Nelson Funente vezeiro em impedir candidatos que não sejam do seu “círculo”.

 “O camarada Nelson Funete é quem determina que quadro deve ocupar os lugares de destaque no partido ao Cazenga. Cazenga é do camarada Nelson Funete’’, ironizou um militante.

No mesmo âmbito, diversos vídeos vazados nas redes sociais mostram o descontentamento dos candidatos dos comités do Nova Vida e Kilamba.

Um exemplo disso foi o vídeo divulgado pela candidata do Kilamba, Majoryth Joia, em que denuncia a falta de tratamento igualitário entre os candidatos.  “Penso que o mais justo enquanto candidata é que sejamos tratados de forma igual. São inúmeras irregularidades que notamos”, critica.

Entretanto, o primeiro secretário do MPLA em Luanda, Bento – Bento, elogiou o nível de organização das conferências e considerou as denúncias como obstáculos à realização das conferências, “manchando o nome do MPLA e divisões”.

De acordo com analistas, o MPLA habituou os seus membros a uma unanimidade e apoios muito claros e, portanto, os militantes sempre souberam que “a direcção escolhe quem vai renovar o mandato”.

Contudo, o analista Agostinho Sikato, em declarações à DW África, sublinha que houve alterações sobre o entendimento de como devem funcionar as eleições. “As reclamações que surgem a seguir são claros sinais de que também há transformações no MPLA, isto, do ponto de vista da democracia que queremos construir”, resume.

O novo modelo de eleição no MPLA deve garantir uma competição real e não a promoção de uma “falsa” democracia interna no partido, defende o jornalista e analista político Ilídio Manuel, referindo que no Kwanza Sul também houve reclamações de irregularidades na escolha dos divergentes das estruturas de base do MPLA. “Espero que isso não tenha acontecido em todas as zonas sob pena de termos uma democracia falseada”, completa.

Após ter realizado até ao princípio deste mês as conferências comunais, distritais e municipais, o partido agora avança com a escolha dos secretários provinciais. Em Dezembro, o MPLA realiza o seu VIII Congresso. O actual líder, João Lourenço, apesra da imagem desgastada, já recebe apoio para a sua reeleição e, ao que tudo indica, não deverá ter a concorrência de mais candidatos.

“No quesito de democracia interna o MPLA foi ultrapassado até pelos partidos menores”, rematam os analistas. (Com agências)

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