Início Política Para exigir justiça em casos de corrupção e pedir eleições autárquicas, manifestações voltaram às ruas de Luanda

Para exigir justiça em casos de corrupção e pedir eleições autárquicas, manifestações voltaram às ruas de Luanda

por Redação

Dezenas de cidadãos angolanos marcharam pelas ruas de Luanda, sábado (20) para exigir justiça em alegados casos de corrupção, e pedir eleições autárquicas. Novas manifestações contra o Governo estão previstas para as próximas semanas.

Dezenas de manifestantes concentraram-se no sábado (20) no Largo do Cemitério de Santa Ana, com destino à Praça da Independência – o local onde foi proclamada a Independência de Angola em 1975, pelo então Presidente da República de Angola e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), António Agostinho Neto.

A marcha aderida por jovens, políticos, líderes associativos, zungueiras, entre outros cidadãos, percorreu a avenida Diolinda Rodrigues, com os manifestantesentoando cânticos como «se a polícia limpa o lixo, a culpa é do MPLA», numa alusão aos agentes da Polícia e das Forças Armadas Angolanas (FAA) que ao longo da avenida retiravam os residuos sólidos que se registam neste momento na capital angolana. Nos últimos meses, o excesso de lixo está a gerar debates sobre este problema em Luanda.

«O que está por detrás desta marcha é exigir ao Presidente eleições autárquicas já e sem rodeios», disse o activista Geremias Benedito, conhecido por ‘Dito Dalí’. Um outroparticipante da marcha de protesto, Bernardo João, referiu que «eu participo desta manifestação porque estou desempregado, preciso de emprego».

Na chegada ao Largo da 1º de Maio, local de destino da marcha, e onde se encontra a estátua do primeiro chefe de Estado angolano, os manifestantes cantavam: «Meu herói é Inocêncio, não é Agostinho Neto», em alusão a Inocêncio Matos, o jovem manifestante morto durante um protesto em Novembro de 2020 em Luanda.

Na Praça da Independência, que contou com uma forte presença da Polícia, ouvia-se mensagens que exortavam a exoneração de Manuel Pereira da Silva ‘Manico’ do cargo de presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

‘Dito Dalí’, um dos organizadores, também pediu que o presidente da CNE ‘Manico’ seja exonerado. «É preciso que se tenha uma reforma na CNE para estar em conformidade com o modelo da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral]».

A questão das eleições autárquias é um assunto que tem levantado muitas discussões em Angola, e também foi um dos motivos do protesto. Ainda falta a proposta de Lei de Institucionalização das Autarquias Locais, numa altura em que já foi aprovada a proposta de lei de revisão pontual da Constituição, que vai à discussão nas comissões de especialidade.

Questionado sobre se acreditava que as eleições serão realizadas este ano, o activista ‘Dito Dali’ disse que sim. «Eu acredito que serão realizadas em 2021, e devem ser realizadas sem rodeios. Para isso, basta ter vontade política», afirmou.

Mais protestos de rua estão previstos para as próximas semanas, revelou o activista.  No «próximo sábado não serão realizadas manifestações. Mas, no sábado seguinte, sim. Será assim até que atendam as nossas reivindicações», disse.

Contrariamente às manifestações realizadas em finas de 2020, que foram fortemente reprimidas pela Polícia, e que resultam na morte e detenção de manifestantes, o protesto deste sábado (20.03) decorreu pacificamente. *(Com DW África)

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