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Os relógios milionários do ministro Ricardo de Abreu

por Redação

O actual ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, é mais um, entre tantos outros, que se tem aproveitado dos cargos que exerce para, em detrimento do Estado e do erário público, tirar vantagens e enriquecer, mesmo que, para atingir os seus objectivos, tenha que ludibriar o Presidente da República.

Japer Kanambwa

Recorde-se que, recentemente, o ministro Ricardo de Abreu tentou enganar o Presidente da República, João Lourenço, para que atribuísse competências ao Ministério dos Transportes (Mintrans) para que fosse o novo órgão responsável por todo processo respeitante às Cartas de Condução no país, acção que sempre esteve sob a alçada da Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT), do Ministério do Interior.
Alertado sobre o erro em que estava a incorrer, o Chefe de Estado recuou a tempo na decisão que já tinha sido decretada.
Antes de ser nomeado para o cargo de ministro dos Transportes, o economista Ricardo de Abreu também passou pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC) no cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA).
São muitas as histórias em relação ao BPC, considerado o maior banco público do país, mas, como se sabe, acabou por ser também a “maior porta” da delapidação do erário público. Sobre as histórias à volta do BPC há muito que se lhe diga, mas há uma das mais mirabolantes que foi protagonizada por Ricardo de Abreu.
Quando se viu nas vestes de PCA do banco, para dar uma de “bom chefe” e quiçá, dessa forma abrir caminho para outras inconfessas “engenharias”, Ricardo de Abreu resolveu “agradar” os trabalhadores mais antigos, os mais prestáveis, da instituição, oferecendo-lhes relógios de pulso.
Pelo que se apurou, o PCA terá gasto a “módica” quantia de 550 mil dólares, dinheiro do Estado, para a aquisição de tais relógios.
Ora, nessa altura, 2017, o país já estava a braços com a crise económica; a miséria agudizava-se; o desemprego crescia; populações passavam as mais atrozes necessidades; havia a situação da seca no sul do país, com destaque para o Cunene; porém, o “misericordioso” PCA do BPC preferiu gastar mais de meio milhão de dólares para comprar relógios.
A sociedade questiona: “que tipo de relógios são esses para custar semelhante fortuna? Quem e quantos são os trabalhadores que beneficiaram de tal oferta?”, cabe ao senhor Ricardo de Abreu responder, porque, de acordo com um funcionário há cerca de 30 anos no BPC, ele não viu nada e apenas ouviu falar do assunto “nos bastidores”.
Por 550 mil dólares, quantas toneladas de arroz, por exemplo, poderiam ter sido adquiridas para ajudar a mitigar a fome de milhares de cidadãos? E os tais relógios? Foram realmente comprados? E se sim, quantos? Serão relógios especiais feitos em ouro e diamantes? Eis a questão que a sociedade espera que seja respondida e é mais um caso para a alçada da Procuradoria Geral da República (PGR) no âmbito do combate à corrupção e apropriação ilícita de fundos do Estado.
É caso para dizer ainda que o mau hábito de aproveitamento dos cargos governamentais e/ou político – administrativos para enganar e roubar o Estado, mesmo com os novos ares que sopram em Angola, continua a ser um objectivo de muitos governantes, sejam eles resquícios do antigo regime, portanto useiros e vezeiros nessas práticas, ou mesmo os do novo ciclo, promovidos pelo Presidente João Lourenço.
Todos estão imbuídos do espírito de aproveitarem-se dos cargos para enriquecerem ilicitamente. Para tal, inovam nas “técnicas” para enganar o Chefe, fazendo-o de parvo para lhe “passarem a perna”, adornando os projectos e/ou as propostas para que não se aperc eba do real fim dos mesmos.
São já várias as ocorrências de governantes que tentam enganar o Presidente da República, como o da Mediateca no Bié, o do condomínio no Zango no âmbito da Covid-19, o de Manuel Domingos Augusto, ex-ministro das Relações Exteriores, entre outros, acrescentando-se também esta do actual ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu.
Quo vadis Angola? Até quando?

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