Início Política Onde andam os “empresários” que sempre apareceram no tempo de JES?

Onde andam os “empresários” que sempre apareceram no tempo de JES?

por Redação

Por: Carlos Alberto (Cidadão e Jornalista)

Angola caminha a passos largos para a chapa “1000” casos de Covid-19 para não ficar atrás, pelos vistos, de países africanos como a vizinha Namíbia que, num ápice, saiu de zero a acima de 1000 casos de coronavírus, um record que mostra que o coronavírus é muito mais inteligente que muita gente que aparentemente usa um cérebro para pensar.
A transmissão comunitária alastra-se a passos assustadores no nosso país e, estranhamente, não vislumbramos apoios sociais dos famosos grupos empresariais que sempre tiveram apoio do MPLA e do Governo no tempo de José Eduardo dos Santos, que, no fundo, se beneficiaram dos recursos naturais e financeiros dos angolanos, de Cabinda ao Cunene.
Com tanta Covid-19 a crescer nas comunidades, o que aumenta a possibilidade de os nossos compatriotas partirem deste mundo prematuramente, esperava-se ver uma reacção à altura dos empresários que “cresceram” graças à bondade e tolerância do povo angolano, que pudessem estar ao lado do sofrimento das populações para se evitar o pior (a perda da vida).
As “Ajaprazes”, que sempre receberam apoio financeiro do Orçamento Geral do Estado, simplesmente desapareceram. Abandonaram o povo angolano, se alguma vez estiveram mesmo ao lado das comunidades!
Tem havido um ou outro apoio de pessoas singulares e colectivas, mas que não passam de iniciativas singulares sem um impacto desejável à altura da actual crise sanitária em que vivemos.
As organizações da “sociedade civil”, as igrejas, os parceiros sociais do Governo, fora das lives que temos estado a ver nas televisões, estão simplesmente fora do combate à Covid-19 nas nossas comunidades.
Vemos algumas boas iniciativas da Polícia Nacional, que tem ajudado a apelar ao uso do reforço das medidas de prevenção contra a Covid-19. Estamos a registar.
O Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil (do MPLA) é o que mais tem reagido positivamente nos últimos tempos, pelo que vemos na imprensa e nas redes sociais, no apoio às populações carenciadas. É um facto indiscutível.
Os partidos políticos na oposição continuam à margem do sofrimento das populações neste momento. É outro facto indiscutível.
Temos uma oposição que só pensa em autarquias locais para acomodar mais militantes seus, pelo que tudo indica, que precisam de ganhar algum dinheiro e benesses (recursos dos angolanos), esquecendo-se de que é o mesmo povo angolano (das tais autarquias) que está a morrer agora.
Os empresários de renome do nosso país não mostram, por outro lado, um mínimo de amor ao próximo nem solidariedade para com o sofrimento do povo angolano.
Não vemos uma ajuda da maior empresária angolana Isabel dos Santos, por exemplo, que também cresceu graças aos recursos do povo angolano, que hoje está a morrer de Covid-19.
Entretanto, chamou-me atenção o que vi, por meio das redes sociais, nos grupos do WhatsApp, nos últimos dias, acções de solidariedade do grupo BK (Bento Kangamba) que esteve a distribuir, de forma grátis, por meio de cisternas, água para as populações nos municípios do Belas, Viana e Cacuaco.
Sem estar a aparecer na imprensa a publicitar os seus actos de solidariedade, chamou-me atenção iniciativas do “empresário do povo”, Bento Kangamba, que esteve a distribuir, nas últimas semanas, de forma gratuita, máscaras para as populações do Kilamba Kiaxi, Viana e Kikolo, para além de ter estado a andar no meio das comunidades a sensibilizar o povo angolano sobre a taxa de letalidade da Covid-19, caso não cumpram com as medidas de prevenção contra a Covid-19. Também registei.
Pelo que li, essas iniciativas do grupo BK vão continuar. Dizem que até já deram uma grande quantidade de tecidos a empresas angolanas que estão a fazer máscaras lisas (sem nenhum rótulo nem dizeres a favor deste ou daquele partido) para a sua distribuição em massa.
É extremamente positivo e merece o nosso apontamento nesta reflexão.
É isso que se esperava, no fundo, de todos os empresários deste país que sempre se beneficiaram dos recursos pertencentes ao povo angolano.
Muita gente pode falar mal de Bento Kangamba – muito por causa do nível de português que usa -, mas ainda continua a mostrar ser um “empresário do povo”, ao lado dos principais problemas que afligem as nossas populações, coisa que já acontecia no passado. É um facto.
É nos momentos difíceis que se vê quem luta por causas da pátria acima de seus interesses pessoais.
É caso para dizer que, com o coronavírus a alastrar-se nas nossas comunidades, esperava-se ver mais “Bentos Kangambas”, como “braço direito do Executivo”, no combate desta maldita doença.
As crises ajudam-nos, também, a ver quem de facto ama Angola e os angolanos.

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