Início Política Morte de Kundi Paihama – Reportagem da TPA revolta cidadãos

Morte de Kundi Paihama – Reportagem da TPA revolta cidadãos

por Redação

Pela morte do general Kundi Paihama, na sexta-feira (24-07), a Televisão Pública de Angola (TPA), mobilizou um aparato de reportagem que deixou aparvalhada a sociedade. Tanta agitação criada à volta do acontecimento, com estúdios móveis, entrevistas a familiares, colegas, amigos, conhecidos, entre outros, com conexão em direto com outras províncias, foi motivo de muitos comentários por parte de cidadãos. Quem não viu a TPA àquela hora matinal, soube-o pelos comentários de rua e de locais públicos, alguns bastante irônicos.

Santos Pereira

O excesso aborrece. O trabalho apresentado pela TPA, num momento crítico socialmente por causa da Covid-19, pela carga excessiva de “endeusar” um homem, foi exagerada e agoniou os telespetadores.
A morte de uma pessoa, um ser humano, seja ela quem for, é sempre motivo de consternação e tristeza, principalmente para a sua família e para os que lhe são próximos. Todo o ser humano tem consciência que, mais cedo ou mais tarde, entregará a sua alma ao Criador e partirá desta para outra, deixando o convívio terreno.
O veterano Kundi Paihama, ex-ministro da Defesa e que exerceu muitos outros cargos no aparelho de Estado, além de deputado, faleceu na madrugada de sexta-feira (24-07), aos 75 anos de idade, vítima de doença.
Kundi Paihama foi admirado e querido por uns e também contestado e destratado por outros. Os feitos e defeitos de Paihama ficam para a história e, demais referências sobre o que fez e não fez, serão certamente motivos para se falar em outras ocasiões. Neste momento de dor, de luto e de reapeito para a sua família e para quantos lidavam com ele e o prezavam, este portal de notícias endereça sentidos pêsames, votos de coragem e faz votos para que a sua alma repouse em paz.
Voltando à reportagem da TPA, e de outros órgãos de Comunicação Social públicos, há a dizer que mudaram os protagonistas, os sitemas, mas permanecem os velhos hábitos. A TPA é uma instituição em que abundam quadros competentes e de grande valia, assim como nos outros órgãos públicos.
Mas o que avilta, é o fato de tais órgãos estarem sempre sujeitos a “manobrar” em “espaços limitados”, obedecendo a “ordens superiores”, sem que os seus quadros usem a sua sabedoria e criatividade para realizar o seu trabalho como mandam as regras.
Tendo que obedecer ao “patrão” e conservar as regalias, os “competentes” jornalistas da TPA, RNA, entre outros, não se coibem de enganar a opinião pública com “propaganda enganosa” e “pintar quadros” fitícios sobre fatos inexistentes, dando a entender que, em Angola, tudo vai bem, tudo é maravilha, um autêntico paraíso. São ordens superiores!
Os responsáveis das direções dos órgãos de Comunicação Social públicos, na ânsia de subir e de aumentar as mordomias, não se importam de serem “manejados” como marionetas, rebaixando-se ao ínfimo da dignidade. Tornaram-se indivíduos “robotizados”, sem ideias próprias, para objetar situações que não estejam de acordo com a ética e a deontologia da profissão que abraçaram.
Quando da reportagem sobre o passamento físico de Kundi Paihama, que se reconhece o valioso contributo que deu ao país, os cidadãos angolanos questionaram o exagero, porque muitos outros grandes homens que deram a sua vida pelo país já morreram, outros continuam a morrer, há cidadãos, crianças, mulheres e velhos, que morrem todos os dias; de miséria, de fome, por falta de medicamentos, por falta de atenção do Estado, mas não há memória, de que alguma vez, a TPA, tenha instalado o seu carro de exteriores (estúdio móvel), num bairro onde há falta de tudo, ou numa comunidade das mais carentes, e reportar a triste e miserável vida que têm os seus moradores.
Neste momento em que a Covid-19 se alastra assustadoramente, milhares de crianças perambulam pelas ruas, sujos, com fome, algumas doentes, em busca de caridade e, sem qualquer proteção, porque em suas casas não têm condições mínimas que sejam. A palavra de ordem é usar sempre a máscara, lavar as mãos quantas for necessário usar álcool – gel e ficar em casa.
Mas, em grande parte das comunidades da periferia não há água corrente e potável. Mesmo a “bonita publicidade” que se fez quando do Estado de Emergência, dos camiões-cisternas que abasteceriam, gratuitamente, as populações carentes, não passou de uma “miragem”. As populações têm que comprar água e muitos não têm possibilidade para tal; não têm como comprar as máscaras, mesmo as artesanais, não têm sabão e o álccol – gel, é coisa de outro mundo.
São apenas alguns motivos para grandes reportagens valiosas e que, até, ajudariam a compreender o próprio Executivo, a verdadeira realidade das coisas, porque os governantes vivem “fechados” no seu próprio “mundo”. A TPA é um órgão de grande valia (vê-se, ouve-se e lê-se) e, sendo nacional, com cobertura em todo o país, deveria justificar com trabalho, com verdade, com criatividade, com patriotismo, os grandes investimentos que têm sido feitos, e cativar a audiência que há muito perdeu. Façam jus ao slogan: afinal “Somos Todos Nós”, ou “São Apenas Eles”?
Agora, quando os órgãos públicos transformam a “coxa de frango” em manchete dos principais serviços noticiosos, é porque está muito mal e a sociedade, a opinião pública, acredita que só pode ser brincadeira de muito mau gosto. A brincadeira tem hora e esta não é hora para brincar!!!

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