Início Política MINSA cancela testagem de alunos enquanto encarregados temem pela falta de condições

MINSA cancela testagem de alunos enquanto encarregados temem pela falta de condições

por Redação

A testagem em massa de alunos das escolas angolanas, prevista para esta terça-feira (06.10), foi cancelada pouco depois de ter sido anunciada pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

Francisco Manuel

Durante o balanço epidemiológico diário sobre a Covid-19, esta segunda-feira (05.10), o responsável da área da Saúde anunciou que a partir de terça-feira seria iniciada a testagem aleatória dos alunos, através de testes serológicos, abrangendo mil alunos de dez escolas.
No entanto, cerca de duas horas mais tarde, o gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Saúde (MINSA) comunicou que a testagem foi cancelada, sem adiantar explicações ou uma nova data para o processo. “A nova data será anunciada oportunamente”, segundo o comunicado do MINSA.
Angola totaliza 5.530 casos de infecção, dos quais 2.591 recuperados, 2.740 activos, entre os quais 16 cítricos, 14 graves e 199 óbitos. Nesta segunda-feira (05.10), foram retomadas as aulas presenciais no país de forma faseada, abrangendo por enquanto apenas as classes de exame (6ª, 9ª, 12ª e 13ª classes).
Entretanto, o Sindicato dos Professores de Angola (SINPROF) tem revelado que apenas 3% das escolas primárias têm condições de retomar as actividades. O SINPROF disse também que os profissionais que fizeram teste à Covid-19 ainda não receberam o resultado antes de voltarem ao trabalho.
Porém, a ministra da Educação de Luísa Grilo, congratulou-se com o reinício “ordeiro” das aulas presenciais, lamentando a situação “desagradável” ocorrida numa escola em que um grupo de estudantes tirou uma ‘selfie’ sem máscara, prometendo que serão responsabilizados.

Após o balanço diário da situação epidemiológica em Angola, Luísa Grilo declarou-se satisfeita com “a responsabilidade” evidenciada pelos professores no reinício das actividades lectivas presenciais em Angola. “Em todo o país, o movimento das batas brancas regressou às ruas”, congratulou-se Luísa Grilo, acrescentando que o Ministério da Educação acompanhou o reinício das aulas em 65 escolas de Luanda.
A ministra elogiou também encarregados de educação e alunos, “tudo correu bem”. No entanto, destacou “um caso desagradável”. “Um grupo de jovens entendeu fazer uma ‘selfie’, tirando as mascaras e abraçando-se para postar nas redes sociais, uma atitude errada”, lamentou Luisa Grilo, afirmando que os estudantes, que terão idades entre 17 e 19 anos já foram identificados.
“Não são crianças, são jovens já finalistas e vão ser responsabilizados por essa atitude negativa, sabem que não podem fazer isso”, disse a governante, realçando que alunos que “estão a um passo da universidade não podem ter um comportamento infantil”, concluiu.
Enquanto isso, a sociedade em geral, em todo país, está bastante apreensiva com a retomada das aulas nas condições em que está a acontecer, porque consideram que o Executivo praticamente não fez nada para garantir a segurança dos alunos e também dos docentes e trabalhadores escolares.
“Os governantes angolanos falam muito e nada fazem de concreto. As bocas que mandam é só para fintar a opinião pública e criar justificações para roubar o erário público. Como os filhos deles não estudam nas nossas escolas e têm tudo, estão a empurrar os filhos do povo para a morte, porque, da forma em que estão as coisas, uma contaminação em grande escala é de se esperar”, referiu um encarregado de educação, apoiado por outros que concordam com a opinião.

Poderá também achar interessante