Início Política Ministro do Interior garante que o acontecimento de Cafunfo foi um «acto de rebeldia»

Ministro do Interior garante que o acontecimento de Cafunfo foi um «acto de rebeldia»

por Redação

O ministro do Interior, Eugénio Laborinho, afirma que os manifestantes invadiram a esquadra com «indumentária de rituais tradicionais e supersticiosos». E defendeu mesmo que não há conversa com «essa gente».

O ministro do Interior de Angola louvou na terça-feira (02) a acção das forças e defesa e segurança na zona de Cafunfo, município do Cuango, província da Lunda Norte, que no sábado (30), registou um «acto de rebeldia e de insurreição».
«Não podíamos tratar como manifestantes, uma vez que estão muito misturados e as suas intenções e objectivos – o que pretendiam criar – é uma instabilidade social na região», disse o ministro.
Eugénio Laborinho, que falava em conferência de imprensa para esclarecimentos sobre o incidente ocorrido, no sábado, em Cafunfo, que resultou em vários mortos, cinco feridos e 16 detidos, disse que estão na base da situação interesses económicos, nomeadamente o garimpo de diamantes.
O governante angolano disse que cerca de 300 pessoas, divididos em três grupos, atacaram a esquadra da polícia, às 04h00, munidos de «armas de guerra, objectos contundentes, meios artesanais e instrumentos cortantes», usando «indumentária de rituais tradicionais e supersticiosos», causado ferimentos a dois agentes da polícia e das forças armadas.
«Não é possível estar num posto a fazer a guarnição e aparecer um grupo armado e atacar o posto. Eu sou o garante da ordem, o que é que vou fazer? Tenho que responder. Se estão a atirar contra mim, com catanas e armas, a resposta é igual e a proporção diferente», disse Eugénio Laborinho.
O titular da pasta do Interior de Angola lamentou a atitude dos atacantes, reforçando que não havia outra hipótese «se não manter a segurança pública e a ordem no território».
«A autoridade do Estado tem que ser mantida a todo o custo. Nós apelamos mais uma vez que entendam, compreendam, que a atitude de resposta da polícia foi de acordo à situação surgida no momento», sublinhou.
Segundo o ministro, «o grupo de rebeldes» não está autorizado por lei a fazer qualquer manifestação, admitindo que no dia 16 de Janeiro, num dia de semana, os mesmos pretenderam realizar uma manifestação contra o governo provincial, mas foram impedidos.
«Já tínhamos domínio [noção] que este movimento que queriam fazer ia dar uma situação fora do normal, uma vez que eles não tinham sido autorizados», referiu.
Eugénio Laborinho explicou que entre o grupo de manifestantes, encontravam-se quatro cidadãos da vizinha República Democrática do Congo, dos quais três estão detidos e um foragido, por isso as autoridades não os considerou manifestantes.
«Não podíamos tratar como manifestantes, uma vez que estão muito misturados e as suas intenções e objectivos – o que pretendiam criar – é uma instabilidade social na região. E não foram aceites, foram feitas algumas detenções, depois de ouvidos, o digno procurador soltou-os e não satisfeitos com isso, prepararam as condições para que desenvolvessem uma acção de rebeldia e insurreição armada no dia 30 de Janeiro», elucidou.
«Graças a prontidão e a vigilância das nossas forças foram neutralizados, porque eles vinham armados. Com armas de guerra, com meios contundentes em várias direções. O que constatamos foi um acto de rebeldia e acompanhado de gente estrangeira, em vários grupos», acrescentou.
O ministro repetiu que atacar uma esquadra policial, um posto de comando militar «é um acto de rebeldia».
«E a razão da nossa força é a força da nossa razão. Não tivemos outra hipótese se não nos defendermos. E temos de facto que louvar o esforço e o desempenho das forças de segurança e ordem interna, que tudo fizeram para não haver de facto demasiado luto naquela localidade de Cafunfo», exprimiu.
O governante angolano admitiu que a situação económica naquele município não é das melhores, que o Governo tudo está a fazer para desenvolver do ponto de vista económico e social e dar o tratamento devido àquela região, mas a situação da Covid-19 retardou as acções governamentais, que priorizou a Saúde.
«Nós sabemos das reivindicações, algumas podem ter as suas razões, mas é preciso o momento certo para o governo direcionar acções de desenvolvimento para todas as regiões e particularmente para aquela que é uma província com um estatuto diferente», realçou.
De acordo com o ministro não é a primeira vez que tentativas de ataque ocorrem na zona de Cafunfo, «esta é a terceira, quarta ou quinta vez que ocorre». (In OBS)

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