Início Política Mila Ferraz afirma: “Em Angola as mulheres são meramente etiquetas para dançar para os políticos, encher as maratonas, cantar e votar”

Mila Ferraz afirma: “Em Angola as mulheres são meramente etiquetas para dançar para os políticos, encher as maratonas, cantar e votar”

por Redação

 A liga “Angolanas Valentes  pela Liberdade” realizou um encontro com membros das organizações de massas do Movimento de União Nacional (MUN), nomedamente a JURGEN (Juventude Revolucionária Guardião da Pátria) e AVL (Angolanas Valentes pela Liberdade), assim como com o vice – coordenador e o secretário da sua comissao instaladora

Victor Kavinda

Mila Ferraz, na sua abordagem, começou por agradecer ao líder , Dr. Karl Mponda,  em nome da AVL, e à todas as senhoras presentes e que aceitaram participar no encontro, “porque o momento agora é crucial, todas estamos a presenciar  o declínio total do nosso país. Esta não é a Angola que todas nós mulheres sonhamos. Os   homens que dirigem o país  há quatro décadas  e aqueles que se opõem a eles, têm falhado, e nesta  falha notamos o afastamento das mulheres da elite  em busca de soluções para dar-se resposta aos problemas desta Nação”.

“Cada um de nós conhecemos melhor a situação que cada mulher vive neste país, não podemos nos enganar por ver uma mulher no posto de governadora ou de ministro para dizer que as mulheres em Angola estão a ser emancipadas  ou consideradas; essas  são da elite  que  governa  o País  e que procuram mostrar a nível nacional e internacional que a mulher angolana é  valorizada enquanto a realidade é totalmente diferente”.

Aquela antiga combatente referiu que não é  necessário lembrar aquilo que todos  sabem, mas para  introduzir  algo novo, sagrado, em busca de solução para os problemas vividos em todo o território nacional.

“Vale lembrar que não existe um só ser humano  que não seja nascido pela mulher  incluindo ‘nós mesmas’, as mulheres,  também nascemos de mulheres. Aqui quero pedir que possamos reflectir, se temos poder de dar vida a uma criança, cuidar de um bebé até tornar-se homem  e poder dirigir  o país,  como  é possível em dias  assombrosos como estes que vive o nosso país, a mulher ter-se tornado impedida de participar no debate nacional em busca de soluções?”, questionou a oradora.

Por outro lado, Mila Ferraz acrescetou que a Mulher Angolana deve levantar-se e fazer ouvir a sua voz. “É preciso que se faça algo, infelizmente,  muitas  das nossas  irmãs e compatriotas andam presas em organizações de que não deveriam fazer parte, onde as mulheres são meramente  etiquetas para dançar para os políticos, encherem as maratonas e cantarem”, alertou.

“Que papel têm as mulheres na UNITA  a não ser o de seguidoras e etiquetas;  desde a fundação daquele partido, as mulheres viveram várias humilhações, abusos sexuais, colocadas  ao sol, à chuva, para cantarem e dançarem para os chefes, dançar para o presidente do ‘galo negro’. Um grande partido da oposição onde militaram várias mulheres a pergunta é: o que estas mulheres já fizeram para a sociedade? Esta é a mesma realidade das nossas compatriotas  que militam na OMA, que só existem para encher as maratonas,  comícios  e servir como elemento de voto. Esta é uma desgraça para um País destruído como o nosso,  onde as mulheres não têm palavra para aconselharem os filhos que elas mesmas deram à luz”, lamentou.

A antiga combatente considera que já é possível as mulheres tomarem novas consciências,  levantarem os rostos  e participaren no reerguer do Estado.  A comissão instaladora do Movimento de União Nacional (MUN), através  da AVL, ensina que  a mulher tem um valor extraordinário e como se diz na gíria: “’educar uma mulher é educar uma Nação’, nós da AVL queremos começar por educar e despertar  para que  o próximo Estado possa ser diferente  do que vivemos hoje”.

“Queremos fazer parte do reerguer do Estado, por isso traçamos metas  importantes  para o despertar da mulher angolana e ter como metas as seguintespalavras: 1. Considerar todas  sem distinção de raça ou credo; 2. Estabelecer um projecto de assistência e de apoio à mulher angolana; 3. Trabalhar para a união de todas as mulheres, Bakongo, Kimbundu, Kwanyama, Ngangela, Fioti, Chokwe, negras, brancas e mestiças, pois quanto mais unidas formos, mais fortes seremos”, enfatizou.

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