Início Política “Magia” de Manuel Vicente faz com que os EUA se esqueçam que é o “rei” dos maiores corruptos de Angola

“Magia” de Manuel Vicente faz com que os EUA se esqueçam que é o “rei” dos maiores corruptos de Angola

por Redação

Manuel Domingos Vicente, antigo PCA da Sonangol e ex-vice – Presidente da República no regime de José Eduardo dos Santos, é considerado como o “rei” da corrupção e o que mais roubou, principalmente através do petróleo, ao erário público angolano. Contudo, depois de muito se badalar sobre supostas investigações aos seus crimes e alegados julgamentos, o que é verdade, “nem água vai nem água vem” sobre o assunto e nem do homem se fala mais

Japer Kanambwa

Nos últimos dias, depois da notícia que fez manchetes em relação à sanções aplicadas recentemente aos generais Kopelipa e Dino pelo Departamento do Tesouro norte-americano, em diversos sectores da sociedade angolana de imediato se questionou: “as autoridades americanas atiram-se apenas a estes e esquceram o “rei” de todos os mafiosos, o que mais roubou e até prejudicou os próprios EUA”?

Segundo análises que têm sido debitadas em relação ao assunto, o muito badalado combate à corrupção em Angola está, e sempre esteve, eivado de muitas lacunas. Uma delas é a descarada preservação de indivíduos, por afinidades e/ou “fidelidade”, a pontos de se ter ignorado ao longo do percurso investigações internacionais, até mesmo de países com quem se tem boas relações.

O caso de Manuel Vicente, ex-vice-Presidente de Angola e antigo PCA da Sonangol, é o maior exemplo disso, depois do processo-crime contra si em Portugal, relacionado com alegados pagamentos de Vicente ao procurador Orlando Figueira como contrapartida pelo arquivamento de inquéritos, ter sido separado do resto da “operação Fizz” por imposição do Governo angolano  e enviado para Angola.

Assim sendo, desde que o processo chegou ao país não houve nenhuma consequência. Aliás, pelo contrário, Manuel Vicente ficou tão à vontade, fazendo o que quer e lhe apetece e desfilando o maior descaramento  na Assembleia Nacional (parlamento) como deputado e ainda é apontado como um dos conselheiros principais do Presidente João Lourenço para as questões do petróleo e gás, entre outros,  como tem sido referido.

Depois de receber o processo de Manuel Vicente, a Justiça angolana, pela voz do procurador-geral Hélder Pitta Grós, admitiu avançar quando a imunidade do antigo “vice” de José Eduardo dos Santos terminasse, isto é, em 2022.

No entanto, a imunidade não deveria servir de justificação, nem factor de impedimento para as autoridades angolanas de ouvirem Manuel Vicente no âmbito dos crimes que lhe são imputados por Portugal, assim como de outros casos em que surge associado o nome do antigo vice-Presidente angolano, como o saque de milhões de dólares da Sonangol e do sector petrolífero angolano em geral, o caso AAA, em que Manuel Vicente é apontado como parceiro do empresário Carlos São Vicente, genro de Agostinho Neto, acusado de peculato e de crime de branqueamento de capitais de forma continuada num esquema de seguros que terá lesado o Estado angolano em mais de mil milhões de dólares, etc, etc, etc.

Na altura, ao ser questionada sobre a possibilidade de Manuel Vicente começar a ser investigado ou julgado no próximo ano (2022), a PGR angolana não respondeu em tempo útil. Analistas admitem que existe a possibilidade de o antigo “vice PR” ser julgado, dependendo da “conjuntura política do momento”, mas consideram esse cenário pouco provável.

“A promessa de o processo de Manuel Vicente avançar, fez parte de uma estratégia política para mostrar ao eleitorado que o governo tem estado a combater a corrupção. Depois das eleições (que o MPLA está a preparar a ‘maquinaria’ para voltar a ganhar), o governo não vai sentir a pressão de tentar provar que está contra a corrupção”, afirmam.

Acresce-se, entretanto, que é conhecida a protecção que Manuel Vicente tem beneficiado, principalmente pela relação de grande proximidade com João Lourenço.

Para os analistas, um dos motivos apresentados é o de que não acreditam que o processo contra Manuel Vicente avance, indo de encontro à tese que tem sido veiculada por alguns especialistas e também pela oposição, que consideram o Presidente da República e a Justiça angolana de serem selectivos no combate à corrupção.

“Angola praticamente só está a julgar a governação do Presidente José Eduardo dos Santos. A ideia que passa é que o combate à corrupção é apenas contra ex-ministros e não contra aqueles que estão no activo. E isso começa a criar uma certa descrença nas pessoas”, referem também, acrescentando que a maioria dos processos mediáticos, como o de Manuel Vicente acabaram por ficar em “banho-maria”.

Agora, o que está a causar estupefacção, é o facto de, no âmbito da vasta campanha que os EUA estão a efectuar contra governantes e sistemas corruptos em diversos países, não tenham, ao menos, feito uma alusão a Manuel Vicente, talvez o maior aliado de Sam Pa em Angola e que tanto prejudicou os próprios americanos.

Por exemplo, só em 2013, quando era ainda vice-Presidente da República, Manuel Vicente recebia de forma ilegal trinta por cento como comissões da totalidade das importações chinesas de petróleo angolano. Os pagamentos eram recebidos e geridos pelo Banco Comercial Português sem exercício de diligência anti- branqueamento de capitais.

Em função deste e outros roubos efectuados ao erário público, praticado pelo agora deputado à Assembleia Nacional, em comunhão com os seus comparsas Baptista Muhungo Sumbe, bem conhecido dos americanos, José Pedro Benge e Fernando Osvaldo dos Santos, entre outros antigos quadros da Sonangol, estes individuos há muito que deveriam ter sido julgados e presos por tanto mal causado ao país e aos angolanos em geral!

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