Início Política Luanda Leaks – Isabel dos Santos reage à picardias do hacker Rui Pinto

Luanda Leaks – Isabel dos Santos reage à picardias do hacker Rui Pinto

por Redação

A rede social Twitter, foi palco de uma troca de “mimos” entre Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, antigo Presidente de Angola e o hacker Rui Pinto, responsável do Luanda Leaks.

O hacker Rui Pinto e Isabel dos Santos trocaram acusações mútuas na rede social Twitter, depois do pirata informático, que esteve na origem do caso Luanda Leaks, ter sugerido que a investidora angolana é dona de uma herdade em Portugal.
No tweet publicado no sábado (15), o hacker questiona: “Será a família dos Santos a real proprietária de uma das maiores propriedades muradas da Europa? Juntamente com cerca de uma dezena de outras propriedades na zona do Oeste?” Rui Pinto estará a referir-se à Herdade da Torre Bela, situada na Azambuja, Ribatejo.
Nos comentários ao tweet de Rui Pinto, Isabel dos Santos responde: “Engraçado Rui Pinto estar a fazer estas perguntas. Pensei que fosse um hacker com 715 mil documentos. Pelos vistos é um mero curioso que vive de fofoca. E é verdade que lhe vão pagar salário como funcionário público e dar casa?
Na semana passada, a Polícia Judiciária (PJ) emitiu um comunicado na sequência de notícias de que o pirata informático tinha sido libertado, mas iria ficar a colaborar com as autoridades, recebendo um salário e vivendo numa casa com proteção para testemunhas. “Não corresponde à verdade que Rui Pinto tenha sido contratado pela Polícia Judiciária, pelo que a PJ não paga, a Rui Pinto, qualquer vencimento”, esclareceu a PJ.
Lembrou, citando a Lei de Proteção de Testemunhas, Lei 93/99, de 14 de Julho e diplomas regulamentares subsequentes, que considera-se “testemunha qualquer pessoa que, independentemente do seu estatuto face à lei processual, disponha de informação ou de conhecimentos necessários à revelação, perceção ou apreciação de factos que constituam objeto do processo, de cuja utilização resulte um perigo para si ou para outrem”.
“Está assim o arguido Rui Pinto enquadrado nesta disposição legal, sendo que todas as despesas com a sua proteção, estão ao abrigo do programa de proteção de testemunhas”, concluiu.
Além de ser o autor da divulgação de milhares de documentos no caso Luanda Leaks, Rui Pinto está também por detrás de outros casos, como o Football Leaks, relacionado com alegada corrupção no futebol.

Portugal “continua um paraíso para a grande corrupção”

Rui Pinto, criador da plataforma Football Leaks e responsável pelo processo Luanda Leaks, em que Isabel dos Santos é a principal visada, está em liberdade, por decisão da juíza Margarida Alves, encontrando-se agora inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial, por questões de segurança.
Entretanto, o criador da plataforma Football Leaks, na sua conta oficial do Twitter, escreveu também que “Portugal tem de mudar”.
Rui Pinto assumiu que a “árdua e longa ‘travessia do deserto’” chegou ao fim, aludindo à sua libertação, mas avisou que “a luta continua”, pois Portugal “continua um paraíso para a grande corrupção” e branqueamento de capitais.
“Um bem-haja a todos aqueles que desde a primeira hora demonstraram o seu apoio e solidariedade. Finalmente esta árdua e longa ‘travessia do deserto’ chegou ao fim. Mas a luta continua, porque volvidos quase dois anos, Portugal continua um paraíso para a grande corrupção e para o branqueamento de capitais. É agora mais do que nunca, que precisamos de união e resiliência. Portugal tem de mudar”, escreveu o criador da plataforma Football Leaks na sua conta oficial do Twitter.
A publicação surge depois de, na sexta-feira (14), Margarida Alves, presidente do coletivo de juízes vai julgar Rui Pinto, ordenar a libertação do arguido que, entre sábado e domingo, abandonou as instalações da Polícia Judiciária, e, por razões de segurança, ficou inserido no programa de proteção de testemunhas, em residência com vigilância policial.
Rui Pinto começa a ser julgado em 04 de Setembro por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.
Estão agendadas, em média, três sessões por semana. Aníbal Pinto, advogado de Rui Pinto à data dos factos e que será julgado pela tentativa de extorsão [em Outubro de 2015] de entre 500.000 euros a um milhão de euros ao fundo de investimento Doyen, é o segundo arguido no processo.
O julgamento terá apenas 10 lugares disponíveis para o público, seis dos quais destinados a jornalistas e quatro para familiares dos arguidos. Num despacho, a que a agência Lusa teve acesso na segunda-feira, a juíza Margarida Alves lembra que, à limitação do número de lugares disponíveis na sala de audiência, acrescem “as limitações próprias decorrentes da situação de contingência” devido à pandemia de covid-19, as quais “impõe um conjunto de regras” quanto à assistência do julgamento, que vai decorrer na sala 1 do piso 6 do Tribunal Central Criminal de Lisboa, “uma das de maior dimensão” no Campus da Justiça.
O Ministério Público (MP) opôs-se à libertação, que foi justificada pela juíza Margarida Alves com a “contínua e consistente colaboração” com a Polícia Judiciária e o “sentido crítico” do criador da plataforma Football Leaks. No início de Junho, o Tribunal da Relação de Lisboa negou provimento ao recurso do Ministério Público (MP) e manteve a decisão instrutória, proferida em 17 de Janeiro, que pronunciou (levou a julgamento) Rui Pinto por 90 crimes e não pelos 147 que constavam da acusação do MP. Em Setembro de 2019, o MP acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República (PGR). (Com a devida vênia ao DV)

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