Início Política Leopoldino do Nascimento o general que ficou bilionário por um “toque de mágica”

Leopoldino do Nascimento o general que ficou bilionário por um “toque de mágica”

por Redação

O general Leopoldino Fragoso do Nascimento ‘Dino’, considerado um dos homens fortes do regime do anterior Presidente, José Eduardo dos Santos, encontra-se na condição de arguido no âmbito de um processo relacionado com contratos entre o Estado, representado pelo extinto Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) e a empresa China International Found (CIF).

Santos Pereira*

A par do general ‘Kopelipa’, Leopoldino Fragoso do Nascimento, tem sido notícia que referem a entrega dos bens «constituídos com fundos públicos», tendo devolvido ao Estado as fábricas de cerveja (CIF Lowenda Cervejas), de logística (CIF Logística), de cimento (CIF Cement) e de montagem de automóveis (CIF SGS Automóveis).
Foram também entregues a totalidade das acções que detinham na empresa BIOCOM — Companhia de Bioergia de Angola (que tem participações da Sionangol e Odebrecht), através da Cochan, a rede de supermercados Kero, através da cedência de 90% das participações sociais do grupo Zahara Comércio S.A. e a empresa Damer Gráficas — Sociedade Industrial de Artes Gráficas.
Fizeram também a transferência de titularidade para a esfera patrimonial dos bens que já tinham sido apreendidos nos dias 11 e 17 de Fevereiro, designadamente 24 edifícios de habitação e outros equipamentos da centralidade do Zango 0, denominada “Vida Pacífica”, a centralidade do Kilamba KK8000, com 271 edifícios e 837 vivendas em diferentes níveis de construção e os edifícios Cif Luanda One e Cif Luanda Two.
‘Dino’ fez parte do chamado triunvirato que gravitava à volta da família de José Eduardo dos Santos, também conhecido por «Irmãos Metralha) juntamente com o general Hélder Vieira Dias Júnior ‘Kopelipa’ e o ex-vice-Presidente Manuel Vicente.
Entre muitas falcatruas e engenharias, «o general ‘Dino’ tornou-se num dos homens mais ricos de Angola e de África, como por um toque de mágica», como dizem alguns analistas, que questionam: «Onde é que o general ‘Dino’ arranjou tanto dinheiro, cerca de 213 milhões de dólares, para comprar uma larga fatia de uma companhia energética? E por que a Trafigura iria vender essa fatia a um dos oficiais mais influentes no Governo angolano?»
A sua fama de trapaceiro atravessou fronteiras há muitos anos, tendo espantado meio mundo quando comprou acções daquela multinacional suíça. Posteriormente ficou conhecido como
o «homem dos 750 milhões de dólares» desde 2010, num negócio que violou a Lei da Probidade Pública em Angola, conferindo-lhe uma fortuna calcilada em 750 milhões de dólares. Mas onde o general foi buscar o dinheiro para investir? Foi a pergunta que ficou por responder.
Entre as páginas de um prospecto da Bolsa de Valores de Luxemburgo e papéis de uma auditoria, encontrou-se detalhes de um negócio realizado em 2010, quando a multinacional suíça Trafigura vendeu 18,75% do capital da subsidiária Puma Energy International.
Entre as principais participações empresariais conhecidas do general esteve também o Banco Económico, que resultou da falência do Banco Espírito Santo Angola e o grupo de comunicação social luso-angolano Newshold, para além da participação de 15% na Puma Energy.
No final do ano passado, a Polícia Judiciária portuguesa terá intercetado uma transferência de 10 milhões de euros da conta de ‘Dino’ no Millenium BCP a caminho da Rússia, acreditando-se que o destinatário era Isabel dos Santos, o que o general desmente.
O general é a segunda figura angolana, com uma fortuna devidamente identificada e em seu nome, acima de um bilião de dólares (mil milhões). Isabel dos Santos é a primeira e continua a ser a única angolana que consta da lista de bilionários da Forbes, com uma fortuna avaliada em mais de 3 biliões de dólares.
Ex-consultor do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, o general é conhecido como delfim e «testa-de-ferro» do Presidente José Eduardo dos Santos.
De acordo com notícias que circulam, só a participação societária do general na multinacional Puma Energy International, de 15 por cento, confere-lhe uma fortuna de 750 milhões de dólares. A Puma Energy é uma subsidiária da multinacional suíça Trafigura, considerada como o terceiro maior negociante privado de petróleo e metais a nível mundial.
Em 2010 o general pagou 213 milhões de dólares pela aquisição de 18.75 por cento do capital da Puma Energy, que está avaliada em 5 biliões de dólares. No entanto, em 2011, as acções do general baixaram para 15 por cento e há relatos de que podem baixar para 5%.
A Sonangol Holdings é sócia do general na Puma Energy. Em 2011, de acordo com o Financial Times, a Sonangol pagou 500 milhões de dólares por 10 por cento das acções, obtendo uma participação total de 30 por cento. Ao todo, o regime angolano detém 45 por cento da Puma Energy.
Para além de ser o único nome listado como proprietário da Cochan Bahamas, empresa usada na compra de acções da Puma Energy, o general Dino também detém 50 por cento da DTS Holdings, outra subsidiária da Trafigura, cuja refinaria de petróleo valia, em 2011, mais de 3.3 biliões de dólares, segundo a Foreign Policy.

Alguns dados sobre ‘Dino

Leopoldino Fragoso do Nascimento, o general ‘Dino’, nasceu em Luanda, a 5 de Junho de 1963.
Licenciou-se em Engenharia de Telecomunicações na Universidade de Veliko Tarnovo, na Bulgária, em 1988.
Segundo o site do seu grupo empresarial, esta especialização em telecomunicações seria relevante para a sua carreira militar, que começou em 1989, e também para o início da sua carreira como empresário.
Uma década depois de ter ingressado no Exército, em 1999, foi graduado general. Em 2004, aposentou-se.
Casado e pai de cinco filhos, começou a sua carreira empresarial em 1990, com pequenos negócios de venda de bens alimentares, de transportes (incluindo táxis) e, mais tarde, de equipamentos de telecomunicações.
Em 2009, fundou a Cochan, que gere um portefólio diversificado de investimentos nas áreas da Agro-indústria, Distribuição, Energia, Imobiliário e nos Transportes e Logística.
O grupo detém no seu portfólio as empresas Biocom, DT-Group, Kero, Puma Energy e UNITEL.
*(Com Agências)

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