Início Política João Lourenço quer aproximação a JES para tirar benefícios políticos e eclipsar o desgaste da sua imagem

João Lourenço quer aproximação a JES para tirar benefícios políticos e eclipsar o desgaste da sua imagem

por Redação

O desgaste da imagem do Presidente da República, João Lourenço, além de derivar da crítica situação político-social em Angola, decorre também dos baixos níveis de popularidade do MPLA e das divisões internas no partido e no regime, como se pode aferir da desilusão reinante na sociedade com o seu desempenho desde que chegou ao poder e pela não concretização das expectativas esperançosas que criou no início do seu mandato

Santos Pereira*

Para a maioria da população, o balanço da presidência de João Lourenço é bastante negativo, agravado pelo constante encarecimento das condições básicas de vida que se foram acentuando gradativamente ao longo do tempo do seu mandato. Entre as consequências do fenómeno realça-se o alastramento da pobreza que está a chegar a proporções alarmantes, a pontos de se dizer que “em Angola deixou de haver classe média”.

A falta de soluções, de empenho e/ou de vontade política para contornar os efeitos sociais da crise económico-financeira que o país enfrenta, igualmente tem contribuido para a fraca aceitação de João Lourenço e do regime por ele liderado, a que se juntam razões de cunho político como o défice de transparência, a má governação, o desrespeito de direitos humanos, entre outras.

Apesar das aparências, João Lourenço tem enfrentado um duro problema com as divisões internas no MPLA, pelo descontentamento de membros da elite partidária em relação à sua acção política, de que se destacam factores como o carácter selectivo, muito criticado, das suas políticas anti-corrupção e/ou a severidade com que tem tratado José Eduardo dos Santos e sua família, “quando ele próprio tem ‘rabo de palha’”, apontam fontes, acrescentando que “a ‘selectividade’ das sua políticas anti-corrupção são geralmente acompanhadas da invocação de justificações que acabam por ser desabonatórias à sua própria imagem”.

Diante de tudo isso e muito mais, numa tentativa de reverter o quadro, captar simpatias e colher benefícios, João Lourenço quer agora aproveitar a oportunidade para fazer uma demonstração de boa vontade, com uma reaproximação a José Eduardo dos Santos (JES).

Tal gesto terá grande repercussão pública e poderá desvanecer o conceito de rancor que cultivou em relação a José Eduardo dos Santos e que tem sido bastante criticado pelos seus opositores assim como pela sociedade em geral, que o acusam de “ingrato”.

Numa altura em que está a correr contra o tempo, com o aproximar das eleições gerais de 2022, João Lourenço vai-se desdobrando em manifestações de boa vontade, visando ao máximo melhorar a sua imagem pública. Nesse sentido, a aproximação ao anterior Presidente é um “trunfo” que tenta conquistar a todo custo.

Contudo, segundo fontes bem informadas, José Eduardo dos Santos “está muito magoado” pelas atitudes de João Lourenço e pela maneira indelicada como o tem tratado, demonstrando rancor e pirraça em atingi-lo de forma pungente ao punir os seus filhos especificamente, quando protege criminosos de maior monta e encobre crimes que continuam a lesar o Estado.

João Lourenço apercebeu-se que a sua animosidade contra José Eduardo dos Santos acabou por se voltar contra ele mesmo, considerando que não tem conseguido concretizar o que foi prometendo aos angolanos e a sua governação, em vez de salvar o país, está a afundá-lo cada vez mais, fazendo com que os cidadãos considerem que, apesar dos pesares, José Eduardo dos Santos foi melhor Presidente, suportou a guerra anos a fio, alcançou a paz, foi mais benévolo em diversas situações como a harmonia e reconciliação nacional e melhor planificador em matérias como a economia e o funcionamento dos serviços públicos.

Na mesma esteira, a idade avançada e a saúde débil de Dos Santos têm sido ainda factores que estão a estimular  manifestações de simpatia e de apoio não só por  parte de angolanos, como também de diversas individualidades internacionais, principalmente de alguns chefes de Estado africanos, que não pactuam com o “espírito vingativo” de João Lourenço.

Enquanto isso, em meios políticos e da sociedade civil, levantam-se diversas questões: O regresso de José Eduardo dos Santos a Luanda é temporário? Veio para “consolar” a ala interna do partido que se lhe mantém fiel e apresentar uma outra candidatura para concorrer com a de João Lourenço no próximo congresso do MPLA em Dezembro do corrente ano? Ou veio para promover um apaziguamento capaz de refazer a unidade interna do partido, já que a continuação das divisões são mais prejudiciais ao MPLA e ao regime? – Questões que poderão ser respondidas nos próximos dias! *(Com agências)

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