Início Política João Lourenço confirma existência de “corrupção galopante” e “atira a bola” aos tribunais

João Lourenço confirma existência de “corrupção galopante” e “atira a bola” aos tribunais

por Redação

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, em relação ao combate contra a corrupção, afirmou que  o mesmo continua a todos os níveis e que não interfere porque “o processo está a ser conduzido pelos tribunais do país” e não por ele

Licínio Adriano

O Chefe de Estado esclareceu, em entrevista ao Financial Times, que no seio do MPLA “sempre houve o reconhecimento que existia uma corrupção galopante”, mas “a diferença é que antes era só conversa e nada de acção e hoje,  (a luta contra a corrupção) está a ser feita a todos os níveis, contra os grandes e os pequenos”.

Esta afirmação, clara, do Presidente da República, traz à memória dos angolanos que a actual situação de penúria em que está mergulhado o país, a que se junta também o crítico estado  da saúde pública, que as autoridades do sector consideraram recentemente como “a caminho do colapso”, a fome, a miséria e o descrédito ao desempenho do executivo para encontrar soluções práticas e urgentes, tem levantado suspeições e descredibilidade ao desempenho dos órgãos de Justiça quanto ao tratamento de processos no âmbito do combate à corrupção e conexos.

As críticas referem que, no seio do partido no poder, abundam as “batatas podres” que continuam intocáveis, impunes e, com elas, dificilmente o país sairá do miserável estado em que se encontra e vai, cada vez mais, atolar-se no lodaçal de podridão em que já foi arremessado.

A política de aproveitamento dos cargos públicos, a todos os níveis, para servirem-se e encherem os seus próprios bolsos e não para servir e trabalhar em prol do desenvolvimento nacional, é um velho e péssimo hábito que, infelizmente, sempre fez parte da governação em Angola, culpando-se as políticas partidárias do MPLA.

No regime anterior  ludibriaram e induziram em erro o anterior Chefe de Estado, levando-o a cometer erros que acabaram por encaminhar o país para a infeliz situação em que se encontra. Actualmente, apesar de o Presidente João Lourenço ter mostrado interesse em fazer uma profunda reforma no sistema governativo angolano, começando com o combate à corrupção e todos os males conexos a esse fenómeno que impede e perturba o crescimento económico nacional e que bloqueia o correcto funcionamento das instituições, em prejuízo do desenvolvimento e do bem-estar do povo angolano, a situação continua complicada.

Infelizmente, têm sido os dirigentes os primeiros a praticar a corrupção, imbuídos do espirito do “cabritismo” que imperou durante longas décadas. Muitos são ainda os dirigentes e governantes do país que valem-se dos cargos que exercem para apoderarem-se dos bens do Estado, roubar o dinheiro do erário público, em vez de trabalhar em prol da nação.

O país está hoje mergulhado nas trevas da miséria, tendo efectuado um retrocesso na sua caminhada, atingindo um nível de degradação tão grande que será muito difícil recuperar a curto ou médio prazo, mesmo que se acabe com tal estado de coisas.    

Entende-se que precisa-se urgentemente de uma política séria e democrática, fundada em compromissos, diálogo e respeito mútuo entre governantes e governados. O Governo tem que ser servido por pessoas com qualidade, de perfil vertical e não por meros aproveitadores, fanfarrões, perversos, com falta de escrúpulos e sem moral, como tem acontecido até agora.

O Presidente da República tem sido  subtilmente enganado, em alguns casos e, em outros, de forma grosseira e vergonhosa,  por vários dos seus colaboradores, tanto a nível governamental como partidário, incluindo os que acha serem de sua maior confiança, muito próximos de si e dentro da sua própria “casa”.

Para determinados analistas do cenário político, económico e social de Angola, pelos desmandos cometidos pelos diversos membros das elites governamentais, partidárias e militares, complicam todo o processo de governação do Chefe de Estado, impede o desenvolvimento do país e deixa em dúvida a intenção de combater a corrupção e impunidade, continuando com os esquemas fraudulentos e a usurpação do erário público.

O chamado “sangue novo” que o Presidente tem injectado no aparelho partidário e governamental, à semelhança do “sangue velho”, já estão viciados à partida e quando são nomeados para determinado cargo, a intenção é só uma: “aproveitar-se do mesmo para encher  os bolsos”. Tal é a política do “cabritismo” que sempre imperou e impera ainda no país.

Todos esses indíviduos, tais “lobos” travestidos em “cordeiros”, de forma engenhosa vão espalhando “cascas de banana” para que o Presidente escorregue e acabe por ficar mal visto, tanto interna como externamente, situação que, infelizmente, tem acontecido.

Por esse e outros motivos, agora que está em fim de mandato, sublinha-se que o Presidente da República devia ter ouvido mais os cidadãos, ouvir de verdade e com verdade; não devia ter-se deixado embalar por falsas subtilezas e/ou “estorietas”, porque na sua qualidade de “chefe supremo”, acaba por ser o responsável de todo o mal que se tem praticado, assim como fica também com o rótulo de incompetente, mentiroso, tirano e algoz do seu próprio povo ou concidadãos. Não devia deixar-se enredar pelas teias e manhas  dos “malabaristas” que o rodeam e não o deixam atingir os fins preconizados. É preciso que se faça realmente de tudo para desenvolver o país e conceder o bem-estar a todas populações angolanas.

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