Início Política Irmãos Metralha” Kopelipa, Dino e Manuel Vicente “descarregam” a sua raiva em Álvaro Sobrinho

Irmãos Metralha” Kopelipa, Dino e Manuel Vicente “descarregam” a sua raiva em Álvaro Sobrinho

por Redação

Depois de uma badalada e amplamente meditizida entrevista que Álvaro Sobrinho concedeu à Televisão Pública de Angola (TPA), o ex-banqueiro, conforme foi notícia, teve a sua vida em perigo, chegando mesmo a sofrer ameaças de morte da parte de pessoas que não queriam que ele continuasse a revelar segredos das muitas tramóias perpetradas pelos “irmãos Metralha”, ou seja, o trio Manuel Vicente, Hélder Vieira Dias “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino”.

Licínio Adriano

A questão que se tem levantado sempre ao longo de todo o processo, quer pela opinião pública nacional e internacional, como pela sociedade angolana é: Como é que o maior grupo de Portugal e um dos maiores da Europa, como o grupo Espírito Santo, vai à falência sem mais nem porquê, mesmo tendo negócios em várias partes do mundo, nas áreas da Banca, Seguros, Hotelaria, Segurança, entre muitas outras, e com quase 80 anos de existência?
Apesar de existir há quase um século, hoje por hoje, quer imputar as responsabilidades do seu desaire ao BESA, que só começou a funcionar em 2002, em Angola, tendo o famigerado grupo Espírito Santo vivido cerca de 12 anos à custa dos dinheiros dos clientes do BESA.
O histórico diz que o crédito que o BES (grupo Espírito Santo) diz ter dado ao BESA foram cartas de crédito para importação que mais benefíciaram empresas portuguesas em Angola. O dinheiro nao saiu de Portugal para Angola; pelo contrário, saía de Angola para Portugal.
Porém, quando a torneira fechou, o grupo Espírito Santo, que vivia encostado ao BESA, deixou de ter liquidez e começou a demonstrar que estava simplesmente falido, porque durante anos “tapou os furos” com dinheiro do BESA.
O contabilista do referido grupo, Espírito Santo. na Suíça, em 2001, revelou que a contabilidade do grupo era falsificada, sendo os resultados todos alterados.
Entretanto, depois da entrevista de Álvaro Sobrinho à TPA, que suscitou os mais diversos comentários, segundo fontes, a Presidência da República consentiu para que o empresário difundisse a sua versão, cujo objetivo principal, era tornar público que, a decisão de falência do banco, foi política e concertada entre os anteriores principais accionistas, Leopoldino do Nascimento “Dino”, Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” e Manuel Vicente, “Os Três Mosqueteiros” ou “Irmãos Metralha”, como também são chamados, visando mantê-los, aos três, sob pressão, bem como círculos da família do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a quem também estiveram ligados de perto.
A revelação criou discordância entre os “irmãos Metralha” e, no comunicado que divulgaram em jeito de justificação, atribuindo a Álvaro Sobrinho que a falência do banco deveu-se à má gestão por parte do ex-PCA, . Contudo, não constou a assinatura de Manuel Vicente, apenas as dos seus dois sócios, Dino e Kopelipa.
Enquanto isso, na sequência da falência do BESA, foram detectadas transferências vultosas dos referidos accionistas, entre outras figuras do regime, de Angola para Dubai, através de comunicação oficial do regulador financeiro dos Emirados Árabes Unidos, referiram as notícias então.
As fontes referidas então nas notícias, considera(va)m os citados “Três Mosqueteiros”, Kopelipa, Dino e Vicente, como as figuras do regime mais implicadas na corrupção e tidas também como tendo adquirido vastos interesses comuns através de tal atividade.
Durante anos, o BESA foi o banco que mais financiou o setor produtivo , imobiliário, social, etc, em Angola, mas os “três Mosqueteiros”, ou “irmãos Metralha”, como queiram, pretendiam “abocanhar” o BESA para terem um maior campo de manobras para o desvio e lavagem do dinheiro que roubavam no país.
Recorde-se que o BESA era uma instituição privada e, ate 2014, não tinha o Estado como acionista. O Estado apenas entrou como acionista em 2014, enquanto que os “mafiosos” ja o eram desde a sua inauguração, tendo aumentado as quotas quando mudaram de BESA para Banco Económico, como subtraído da Sonangol e tornarem-se acionistas maioritários.
Era assim que procediam e, dessa forma, fazendo alusão à gíria do futebol, como jogadores, árbitros, donos da bola , donos do campo, massagistas, com t udo deles, de funcionários públicos passaram a ser “os homens mais ricos de Angola”.
Quem quisesse crescer nos negócios, tinha que se aliar a eles, caso contrário nada conseguia.
Voltando um pouco ao histórico, entenda-se que o BES perdeu o controlo sobre o BESA em Julho de 2014, quando o Estado angolano anunciou a tomada do controlo da instituição financeira e a injeção de um capital de 3.000 milhões de dólares (2.610 milhões de euros), mas acabou por ser declarado insolvente a 14 de Outubro de 2014. Na altura tinha 34 agências.
Em Outubro de 2015, o BESA alterou a designação para Banco Económico (BE). Na ocasião, os maiores acionistas eram a Sonangol, com cerca de 35%, a empresa angolana Portmill (24%), o grupo Geni (18,99%) e o português Novo Banco (9,9%),
A 12 de Setembro de 2018, Álvaro Sobrinho, ex-presidente da Comissão Executiva do BESA afirmou que a instituição faliu por decisão política e não por insolvência, “tendo em conta as pessoas envolvidas”, ou seja, os já referidos “irmãos Metralha” e seus comparsas.
A Geni, representada pelo general Leopoldino do Nascimento “Dino” e Manuel Vicente, o ex-ministro de Estado e chefe da Casa Militar Helder Vieira Dias “Kopelipa” , pela Portmill, o ex-presidente da Assembleia Nacional, Paulo Cassoma, Presidente de Mesa da Assembleia e Ricardo Salgado, pelo BES, eram os principais acionistas, segundo o agora empresário, Álvaro Sobrinho.
“O banco faliu por decisão política, tendo em conta as pessoas nele envolvidas. Por isso, digo que foi uma decisão política”, justificou o empresário e matemático de formação. No seu entender, do ponto de vista formal, o banco existe com outro nome, (Banco Económico), pelo que, “do ponto de vista prático, não houve nenhum organismo internacional, independente, estatal e nem auditor que declarasse a falência da instituição”.
“O BES Angola foi alvo de uma auditoria, em 2011, que não viu falência”, referiu o empresário, salientando que a narrativa da insolvência nasceu dos acionistas e que a situação de bancarrota não foi declarada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), auditores da KPMG, conselho fiscal ou outros reguladores internacionais.
Segundo Álvaro Sobrinho, em 2011/2012, os relatórios elaborados pela KPMG, para efeito de contas internacionais standard, não apresentaram reservas.
Em relação às contas do banco, referiu que, desde o início da actividade, a 24 de Janeiro de 2002, sempre apresentou resultados líquidos positivos até a sua saída em 2012.
Em 2010, sustentou, o BESA foi o banco que ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 400 milhões de dólares (341,8 milhões de euros) de resultados líquidos positivos e que, quando foi afastado, era o banco com maior ativo do mercado, com mais de 10 milhões de dólares (8,5 milhões de euros) de ativos de fundo.
Nesse período, disse o ex-presidente do BESA, ainda concederam empréstimos no valor de 5.700 milhões de dólares (4.880 milhões de euros), tendo-se elaborado uma lista de 30 figuras consideradas maiores devedores (representando um total de 80% da carteira de créditos), que eram enviados ao banco pelas autoridades aos principais acionistas.
Depois do afastamento de Álvaro Sobrinho do banco, em 2012, por negar assumir a culpa da situação de falência a si imputada pelos acionistas, a 31 de Dezembro de 2013, o Estado angolano concedeu uma garantia soberana de 7.000 milhões de dólares (quase 6.000 milhões de euros), sendo uma decisão política, sob a justificação de que serviria para impulsionar a economia nacional, onde a Sonangol apareceu como a principal acionista.
Vendo a “torneira” fechar, os “mafiosos” atiraram-se contra Álvaro Sobrinho e arranjaram todos os pretextos para o incriminar e sujar, chegando a acusá-lo de ter “desviado” do BESA 700 milhões de dólares (cerca de 600 milhões de euros), o que foi prontamente negado pelo empresário.
Em todo este processo, que envolve ainda muita história da gatunagem dos “mafiosos” que dilaceraram o país durante décadas, todo o mérito para a coragem e transparência de Álvaro Sobrinho que, mesmo diante das ameaças de morte que tem sido alvo, está firme em ajudar o país. Daí que o próprio Presidente da República, João Lourenço, lhe dispensa apoio.

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