Início Política Insatisfação em Cabinda alastra-se e “contagia” elementos do FCD

Insatisfação em Cabinda alastra-se e “contagia” elementos do FCD

por Redação

Mwanza Mukondolo

A política governamental para Cabinda está a causar fortes sentimentos de contestação entre os cidadãos locais e está mesmo a “contagiar” membros do Fórum Cabindês para o Diálogo, liderado por António Bento Bembe, que integrou o governo na era José Eduardo dos Santos, exercendo o cargo de Secretário de Estado para os Direitos Humanos.

Recorde-se que o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) e Bento Bembe,aliaram-se ao regime na sequência do Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação para Cabinda, assinado a 01 de Agosto de 2006, na província do Namibe, entre o Governo e o Fórum Cabindês para o Diálogo.

Segundo fontes bem informadas, os contestatários cabindenses defendem que o Governo atual deixou de aplicar o Memorando de 2006e incrementou ações repressivas no território.

O general Maurício Nzulu, incorporado nas Forças Armadas de Angola (FAA) com base nos acordos do referido Memorando de Entendimento, é apontado como um dos descontentes com a situação e denuncia que, as condições oferecidas aos militares em Cabinda é mais um motivo para o desânimo e consequente contestação.

As fontes relatam que, em consequência das manifestações, os serviços de segurança detiveram, em jeito de intimidação, no passado mês de Julho, 24 antigos elementos da FLEC/FAC, atualmente ligados à Casa Militar, que reclamavam salários em atraso.

Associada à falta de iniciativas de diálogo por parte do executivo sobre a questão de Cabinda, A situação está a provocar insegurança no terreno, agravando-se pela falta de ações de diálogo por parte do Executivo sobre os conhecidos problemas locais.

 A actividade das FLEC/FAC, e a sua inclusão pela ONU na lista das 16 organizações armadas de pendor libertário/nacionalista, tornou-se fonte de embaraço para o regime (AM 1253). Entretanto, as FAA têm reforçado o contingente de tropas estacionado no território e, através do programa de investimentos PIIM, está construir estradas que ligam o interior da província, principalmente atéàs fronteiras dos países vizinhos, nomeadamente a República do Congo e a RD Congo, tendo igualmesnte aumentado, nesses paíseas, incursões militares emperseguição de elementos da FLEC/FAC.

A este propósito, o ministro do Interior e Segurança da RD Congo, Gilbert Kankonde Malamba, no passado mês de Junho, denunciou a incursão de elementos das FAA na RDC, via Lukula, em acções contra a FLEC/FAC.

Há a ressaltar que, há cerca de dois anos,o Presidente João Lourenço, durante uma visita à Alemanha, referindo-se a Cabinda disse que “não existia nenhum caso de Cabinda”, o que terá deixado irritados ativistas locais repudiando o pronunciamento do Presidente angolano.

João Lourenço disse ainda, na altura, que via “a situação de Cabinda com tranquilidade” e que não sabia por que motivo o Governo angolano é acusado, pedindo que lhe dissessem “que mal fez o Governo em Cabinda, contra o povo que reside em Cabinda”.

Os cabindenses não entendem assim e querem que o Governo respeite o que tem prometido e resolva os problemas mais prementes da província.

Poderá também achar interessante