Início Política Industrialização só avança sem “corrrupção massiva” e “barreiras de acesso aos mercados”

Industrialização só avança sem “corrrupção massiva” e “barreiras de acesso aos mercados”

por Redação

A industrialização em Angola só avançará se não existir «corrupção massiva» e «barreiras de acesso aos mercados», defende a Cedesa, chamando a atenção do executivo para a postura certa que deve ser tomada em 2021.

A Cedesa, Centro de Pesquisa de Assuntos Políticos e Económicos de Angola, defende que a industrialização só avançará no país se não existir «corrupção massiva» e «barreiras de acesso aos mercados», com uma «justiça funcional» e «impostos razoáveis».
Para aquela entidade, que resulta de uma iniciativa de vários académicos e peritos que se encontraram na ARN (‘Angola Research Network’), «qualquer projecto de relançamento da indústria tem de começar por ter o contexto adequado. Esse contexto é de uma economia livre, com um clima social propício ao investimento».
Os investigadores defendem a inexistência de «corrupção massiva» e de «barreiras no acesso aos mercados», e propõem uma «justiça funcional» e «impostos razoáveis» para os cidadãos.
A «desburocratização da administração pública» angolana e a existência de um «Estado pró-negócios», são outros dois pressupostos de base apontados pela Cedesa.
«A corrupção distorce as regras da competição económica e inviabiliza, o livre acesso aos mercados, condições fundamentais para o desenvolvimento industrial», refere a organização.
Além disso, «os empresários devem ter liberdade para obter os seus factores de produção e se instalarem a produzir», refere.
Por outro lado, o sistema de justiça, «não deve ser visto como corrupto, lento e incompetente, mas como aplicando as regras, punindo quem não cumpre contratos e havendo formas legais e normais de cobrança de dívidas».
Quanto aos impostos, «devem ser tendencialmente moderados e não sufocar a actividade produtiva».
Por último, o Estado deve ter um papel «fomentador e pró-activo» na industrialização, apontando e enquadrando caminhos, construindo infraestruturas, qualificando a sua mão de obra e estabelecendo parcerias.
Um caminho complexo para Angola, onde a corrupção é considerada o mal maior, com uma administração pública «ineficiente» e impostos elevados.
Em relação à elaboração de um plano de desenvolvimento da industrialização do país, a Cedesa defende que qualquer proposta deve contemplar uma «agricultura forte», com aposta na agropecuária, uma nova visão industrial já não tão ligada a grandes investimentos pesados e a procura de valor acrescentado.
Em vez de «meras cópias de modelos industriais» de outros países, o executivo deve «perceber onde Angola tem benefícios em se industrializar».
Na sua proposta, a Cedesa propõe também o aproveitamento das riquezas naturais para a produção industrial, acrescentando «valor em lugar de exportar em bruto, deixando que as mais-valias sejam apropriadas por outros».
«Aqui temos o exemplo mais óbvio que é o do petróleo. O que tem sentido é desenvolver a indústria a jusante do petróleo: refinação, petroquímica, plásticos, fertilizantes», pode ler-se na proposta da Cedesa.
Os dados mais recentes referentes ao peso da indústria transformadora (excepto refinação de petróleo bruto), do segundo trimestre de 2020, apontam para uma contribuição de 4,8% para o PIB do país. Essa contribuição era de 3,69% em 2002, e 4% em 2017 e 2018. *(Com OBS)

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