Início Política Mateus Neto é o próximo trapaceiro a ir ver o sol aos quadrados na cadeia de Viana

Mateus Neto é o próximo trapaceiro a ir ver o sol aos quadrados na cadeia de Viana

por Redação

O combate contra a corrupção que o Presidente da República, João Lourenço desencadeou desde que tomou posse, tem merecido aplausos de diversos quadrantes, apesar de algumas lacunas, aparentes, que têm sido aproveitadas geralmente pelos maiores gatunos que delapidaram o erário público para lançar dúvidas sobre o processo e desacreditar os esforços genuínos das autoridades, sobretudo no que toca à recuperação de activos ilicitamente adquiridos.

Japer Kanambwa

Nos últimos dias, em face de alguns processos em curso na Procuradoria Geral da República (PGR), que tem igualmente feito uma série de apreensões de bens e património, no âmbito da recuperação de activos do Estado que estão ou foram parar indevidamente às mãos de interesses privados e/ou de grupos, um nome tem sido muito badalado em diversos círculos sociais e não só, pela arrogância, prepotência e postura incoerente que tem assumido em relação aos propósitos das autoridades.
Trata-se de Mateus Sebastião Francisco Neto, vulgo Mateus Neto, ex-administrador da Sonangol para a Logística, que se considera um intocável, injuriando todo o processo de combate à corrupção e impunidade que, como diz, não o abrange, apesar de ser um dos maiores gatunos que atiraram o país para o abismo da miséria.
Como se não bastasse, Mateus Neto, que foi e continua sendo um dos mais fiéis “testas de ferro” do ex-PCA da Sonangol e ex-vice-Presidente da República, Manuel Vicente, gaba-se em meios públicos que frequenta, que tem muito “poder” e avacalha os desígnios do Presidente João Lourenço e da Justiça angolana, em moldes como: “se em países mais desenvolvidos onde os sistemas de justiça são mais organizados não me aguentam, qual é o procurador ou juiz angolano que me vai incomodar? São todos uns mortos de fome. Até o próprio João Lourenço come nas nossas mãos”, afirma em tom de escárno, referindo-se também ao seu “chefe” Manuel Vicente, contou uma fonte próxima.
São tantas as falcatruas cometidas por Mateus Neto, principalmente desde que Manuel Vicente era o “patrão” da Sonangol, encobrindo as “engenharias” do seu “chefe” e roubando também a sua parte que, mesmo depois da saída dele, continuou a aparelhar os mesmos procedimentos, comandado à distância.
Quer dizer, Mateus Neto obedecia ao comando e procedia às “engenharias”, falsificando documentos, processando diferentes estratégias de roubo que abarcavam grande parte das instituições e empresas públicas, como são os casos da TAAG, Sonair, ministérios e governos provinciais.
Mateus Neto também foi PCA da TAAG e, recorde-se que depois de ter sido exonerado foi detectado um rombo de 18 milhões de dólares pela Inspecção-Geral do Estado (IGAE) nas contas da transportadora, em virtude de um inquérito ordenado pelo Governo sobre o Conselho de Administração da companhia.
Ao que se sabe, Mateus Neto nunca deu indicações plausíveis sobre o destino dado a essa soma. Segundo notícias da altura, ele apenas disse aos investigadores do IGAE que o dinheiro achado em falta, 18 milhões de dólares, tinha sido distribuído a várias entidades oficiais, às quais não estava autorizado a identificar.
Em consequência deste e de outros factos, o IGAE apenas qualificou o que se passou na TAAG como uma «gestão danosa, fraudulenta, pouco transparente e desonesta». Saiba-se que Mateus Neto chegou à TAAG, proveniente da Sonair (Sonangol) em companhia de João Andrade, administrador para a área técnica, e Raul Coimbra, director do serviço de logística.
Estava determinado que estes gestores manteriam as suas remunerações na Sonair, mas numa abrupta mudança de atitude, Mateus Neto instituiu a seu favor e na de seus pares, salários e subsídios também na TAAG.
Mateus Neto atribuiu-se a si próprio um salário no valor de 5.913 dólares, oferecendo a João Andrade a soma de 5.458 dólares mensais. Como se não bastasse, Mateus Neto adicionou para si, um subsídio mensal que rondava os 50 mil dólares e que foi aumentando anualmente. Quanto a João Andrade estavam destinados subsídios mensais de 22.500 dólares.
Pelo que foi detectado, uma parte considerável do rombo deveu-se aos subsídios atrás mencionados bem como ao pagamento irregular de remunerações acessórias a membros do Conselho de Administração, gestores intermédios e algumas secretárias.
Houve também o pagamento de prémios de desempenho, de «fim de ano» e de despesas de representação em cartão de crédito a essa mesma classe de funcionários, com a particularidade de que, em alguns casos, os favores foram extensivos a amigos e parentes de certos gestores da companhia.
Entre a compra de viaturas de luxo, ofertas a “amigos” e familiares com deslocações ao estrangeiro, com o pagamento de hospedagem em hotéis de luxo e dinheiro de bolso, até pagamente de operações de estética e de inseminação artificial a amantes e amigas com dificuldades de engravidar pelos processos naturais. Bolsas de estudo pagas a pessoas que não dependiam de trabalhadores da companhia e não tinham nenhum registo na área de recursos humanos.
O nome de Mateus Neto está ainda envolvido em processos crime em Portugal por crimes económico-financeiros, desvio e branqueamento de capitais roubados à Sonangol e não só, em que constam os nomes de Francisco Lemos Maria, ex-director de Finanças e ex-PCA da Sonangol depois de Manuel Vicente em 2012, Fernando Mateus (também antigo administrador da petrolífera), Mirco Martins (enteado de Manuel Vicente) e Zandre Finda, um alegado testa-de-ferro do general Hélder Vieira Dias ‘Kopelipa’ (ex-chefe da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos). Todos eram titulares de sociedades offshore que acabaram por alegadamente beneficiar do esquema de branqueamento de capitais criado pelo advogado Miguel Alves Coelho.
Por exemplo, a par de Manuel Vicente e Fernando Mateus, Mateus Neto é beneficiário das empresas Kalumba Limited, das Ilhas Virgens Britânicas e Cetus Financial, que também entraram no esquema. O mesmo aconteceu com Raul Coimbra, ex-director de infra-estruturas da Sonangol, que detinha a offshore Wildsea Holdings.. Os fundos desviados da Sonangol serviram para comprar imóveis em Lisboa e no Algarve.
Há ainda o caso de um contrato de manutenção que a Sonair assinou com a TAP em 2009. Durante quatro anos, a divisão de manutenção da companhia aérea portuguesa deveria prestar serviços à companhia aérea da Sonangol. O problema, segundo a acusação do Ministério Público português, é que a TAP nunca terá prestado nenhum serviço à Sonair, mas mesmo assim recebeu cerca de 25 milhões de euros até Junho de 2013.
Francisco José Lemos Maria, que sucedeu a Manuel Vicente em 2012, foi por sua vez substituído por Isabel dos Santos. Sendo Mateus Neto administrador para a Logística, a nova PCA descobriu que aquele recebia como fundo de representação 20 milhões de dólares, tendo imediatamente reduzido o valor para 2 milhões de dólares.
Por esse motivo, a atitude de Isabel foi alvo das mais diversas especulações, muitas delas alimentadas pelo próprio Mateus Neto, que tudo fez para influenciar a opinião pública a seu favor, em detrimento da realidade.
É muito longa a lista de estratagemas, roubos e de branqueamento de capitais públicos ilicitamente adquiridos em que está envolvido Mateus Neto, que seria bastante exaustivo descrever tudo neste artigo.
Porém, como já aqui foi referido, Mateus Neto acha-se “intocável” e imune às acções da Justiça angolana, a pontos de vilependiar o Chefe de Estado, sujando a sua imagem pagando a “capangas” para orquestrar campanhas que visam enfraquecer o combate à corrupção, ao peculato, nepotismo, impunidade, entre outros, bem como minar a consciência de cidadãos mais desesperados pela situação de crise que se vive no país.
São muitos os factos comprovados sobre tais crimes, tanto em Angola, com em Portugal e outros países e, para não descredibilizar o processo com a badalada afirmação de que “o combate à corrupção em Angola é selectivo”, Mateus Neto deve ser trancafiado imediatamente, para o bem da Justiça e do Povo Angolano.
Tal como no caso de Ernesto Kiteculo, ex- vice-governador para o Sector Económico e Produtivo da província do Cuando Cubango, acusado de cometer crimes idênticos, mas em muito menor escala, a PGR tem que agir e pôr este malandro a ver o sol aos quadrados.
Entretanto, fazendo jus à Lei, foi-se em busca do contraditório, contactando Mateus Neto para rebater as acusações que recaiem sobre si. Contudo, o indivíduo, de forma arrogante e agressiva destratou o jornalista usando palavrões baixos!

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