Início Política Ganga Júnior contestado e acusado de favorecer o amguismo, nepotismo e interesses nocivos

Ganga Júnior contestado e acusado de favorecer o amguismo, nepotismo e interesses nocivos

por Redação

O sector dos diamantes em Angola sempre foi, ao longo dos anos depois da Independência, dos mais polémicos e aproveitado, pelas elites do poder, para roubar o Estado e enriquecer ilicitamente.

Japer Kanambwa

Até ao momento actual, os diamantes angolanos, exaustivamente explorados, têm enriquecido muita gente pelo mundo fora, com a cumplicidade de cidadãos angolanos, entre governantes, dirigentes da Endiama e de empresas nacionais e estrangeiras envolvidas na exploração e comercialização das pedras, altas patentes das forças de defesa e segurança e muito mais. O próprio país e consequentemente a sociedade angolana em geral, pouco ou nada beneficiam dessa riqueza natural.
Notícias postas a circular nos últimos dias referem que, uma vez mais, a Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), a concessionária e reguladora estatal do sector diamantífero, está mergulhada num clima efervescente de agitação, devido à forte contestação interna ao actual Presidente do Conselho de Administração (PCA), José Manuel Augusto Ganga Júnior.
Segundo as referidas notícias, a crítica situação interna da empresa tem-se acentuado, principalmente, em função de decisões da administração consideradas como «para proteger ‘esquisitos’ interesses patrimoniais pessoais e de grupo, em prejuízo da empresa, do Estado angolano e dos trabalhadores em geral».
Para além de protestos de trabalhadores reivindicando pagamentos de anos de trabalho realizados em Luanda e na província da Lunda Sul recentemente, o despacho do PCA Ganga Júnior datado de 02 de Outubro do corrente ano, referente ao grupo técnico de gestão do projecto de Luaxe, na Lunda Sul, estimado por especialistas do sector como o principal kimberlito a entrar em exploração no país nos próximos anos, é o principal foco da contestação e do péssimo clima interno.
A mina do Luaxe, de acordo com avaliações baseadas em sondagens geológicas efectuadas por especialistas da empresa, possui um potencial de produção superior a 300 milhões de quilates. As previsões de produção anual em fase de «cruzeiro» apontam para entre 7-8 milhões de quilates.
Imagine-se o enorme potencial deste projecto, atendendo que «a produção total» da Endiama em 2019 foi de 9,1 milhões de quilates.
O Presidente da República João Lourenço, decretou a concessão dos direitos mineiros do Luaxe em Julho e, para liderar a gestão do projecto, Ganga Júnior nomeou Pedro Galiano, director-geral da Endiama Mining, para acumular com a direcção de 6 outros projectos mineiros (Calonda, Lunhinga, Sangamina, Txinbongo, Cansaguidi e Uari), enquanto existem muitos outros quadros disponíveis.
Pedro Galiano é apontado internamente como homem de maior confiança de Ganga Júnior e por quem passa a contratação de serviços externos para a Endiama, nomeadamente, de maquinaria. Contudo, os contestatários referem que Pedro Galiano é um indivíduo muito sobrecarregado e não tem dado conta de metade das suas obrigações, o que permite a desorganização e o roubo.
O grupo técnico do Luaxe, que terá a seu cargo a condução de estudos técnicos e económico-financeiros para desenvolvimento do projecto mineiro, inclui ainda Rómulo Mucase, António Duarte e Tinta Vunda, este último familiar de Laureano Paulo, administrador da Endiama.
Apurou-se que, as diligências de responsáveis da empresa junto da Presidência da República, são motivadas pelo facto de todos os nomeados terem relações particulares com Ganga Júnior, assim como, por não haver, entre eles, quadros da Endiama das províncias do Leste do país, o que realça a opinião, a nível interno e não só, de que a empresa está sob controlo de um «lobby», com comprovada capacidade de influência política, não só junto do Presidente da República, mas também das instâncias militares.
A captação de recursos financeiros para o investimento em novos projectos mineiros tem sofrido atrasos devido à pandemia de Covid-19, que afectou o preço de diamantes nos mercados.
Porém, a realidade sobre o verdadeiro estado do sector dos diamantes em Angola sempre esteve envolvido como que em «misteriosa neblina», pelo facto de não haver qualquer explicação sobre o que tem sido feito, o que se pretende fazer, previsões, o que se explora, o que se vende e para que têm servido realmente as verbas provenientes desse recurso natural do país.
Sabe-se, por diferentes fontes, que os diamantes de Angola são muito apreciados a nível internacional e, no país, têm sido encontradas as maiores e mais puras gemas. Muitas delas nem são declaradas oficialmente e desaparecem simplesmente. Igualmente, como já foi aqui referido, os diamantes angolanos, em vez de beneficiar maioritariamente o Estado angolano, está a enriquecer muita gente e até outras sociedades.
Todas as tentativas para ouvir Ganga Júnior foram infrutíferas. Voltaremos com outros dados!

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