Início Política Filomeno Ceita, comparsa de Rabelais no saque de 270 milhões de dólares anda fugido do país

Filomeno Ceita, comparsa de Rabelais no saque de 270 milhões de dólares anda fugido do país

por Redação

Numa altura em que foi anunciada a data para o início do julgamento de Manuel Rabelais, alguns analistas voltam a levantar a questão do que se dizia ser um «bem-sucedido esquema de drenagem de divisas do Banco Nacional de Angola (BNA), que lhe permitiu saquear mais de 270 milhões de dólares, através do Banco de Comércio e Indústria (BCI), então coordenado por Filomeno Ceita.

Japer Kanambwa

A Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) solicitou, a 19 de Fevereiro de 2019, a comparência do PCA do BCI, Filomeno Ceita, para interrogatório no âmbito do processo nº 68/2018, relativo à gestão do Grecima. Na mesma nota, exigia-se também a comparência do gestor de conta do Grecima, cujo nome não fora revelado na altura.
Depois da audiência no DNIAP, a 28 de Fevereiro, o conselho de administração do BCI emitiu um comunicado interno aos seus trabalhadores, tendo explicado que o PCA esclareceu que «o banco observou, na realização das operações em causa, todas as normas e procedimentos existentes».
O referido conselho de administração regozijava-se por não ter sido aplicada nenhuma medida de coacção a Filomeno Ceita, excepto o Termo de Identidade e Residência (TIR). «Por outro lado, a condição de arguido (do PCA do BCI) será removida brevemente no âmbito do processo e comunicado ao advogado do banco», antecipava o mesmo comunicado.
Essa referência do BCI foi considerada bastante estranha. De acordo com analistas, em circunstâncias normais, de boa conduta e de dignidade profissional», Filomeno Ceita deveria ter apresentado a sua demissão.
Não se compreendia também o silêncio dos accionistas, em particular do Ministério das Finanças (representante do accionista Estado) e do supervisor, o BNA, quanto à idoneidade de Filomeno Ceita e a sua manutenção no cargo de PCA de um banco estatal, ao mesmo tempo que é arguido num processo que envolvia a instituição.
Na sequência do assunto, foi posta a circular uma notícia dando conta de que Filomeno Ceita, mesmo sob o Termo de Identidade e Residência, que o proibia de sair do país, viajara para o exterior, com “autorização oficial”.
Este foi assim mais um caso, em que indivíduos arrolados à procesos-crime e sob a condição citada, abandonaram o país, aumentando as suspeitas de que há funcionários no sistema de investigação e de justiça corruptos e subornados.
Outrossim, logo depois de indiciado pela PGR e posto sob TIR, Filomeno Ceita devia ter sido imediatamente exonerado do cargo de PCA do BCI.
A fuga de Ceita confirma que terá “ajudado” Rabelais no “saque” referido. Agora que Manuel Rabelais vai ser julgado, sendo o dossier bastante volumoso, a opinião pública espera que este assunto sejá um dos que consta no processo. Embora em fuga o que vai decidir o tribunal em relação ao antigo PCA DO BCI, Filomeno Ceita? Eis a questão!

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