Início Política “Fantasmas” da Casa de Segurança da Presidência da Republica vão deixar de “assombrar” as finanças do Estado

“Fantasmas” da Casa de Segurança da Presidência da Republica vão deixar de “assombrar” as finanças do Estado

por Redação

A ministra das Finanças, Vera Daves, anunciou, o cadastramento, nos próximos dias, do pessoal da Casa de Segurança do Presidente da República, no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE), matéria que está a ser entendida como uma medida que vai pôr  fim aos “trabalhadores fantasmas” daquela alta instituição

A medida visa acabar com o desvio e descontrolo financeiro envolvendo altas patentes militares, como é o caso do major Lussaty, entre outros, acusados de diversos crimes financeiros.

O Executivo, informou Vera Daves, inicia dentro em breve, com o cadastramento e registo dos funcionários da Casa de Segurança do Presidente da Republica, o que vai culminar com a introdução deste grupo de trabalhadores, entre militares e civis, no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE), acabando assim com os “trabalhadores fantasmas” que, durante anos, representavam um “peso pesado” na balança de pagamentos.

Apesar de muitos destes funcionários contarem, durante anos, na balança de pagamentos das verbas que eram cabimentadas à instituição, os mesmos não existiam fisicamente e as verbas que para eles eram destinadas ficavam retidas nos bolsos de altas patentes da Casa Civil da Presidência da República.

A falta de controlo dos valores que eram destinados ao pagamento dos funcionários da Casa de Seguranrança, que, até ao momento, não têm os salários bancarizados, possibilitou o desvio e o descontrolo de avultadas somas financeiras, sendo o “Caso Lussaty” o flagrante que veio “destapar” a fragilidade e a promiscuidade financeira ainda existente naquela alta instituição.

O major das Forças Armadas Angolanas, acusado de diversos crimes financeiros, aproveitou-se das brechas e a fragilidade do sistema de pagamentos da Casa de Segurança para desviar e reter enormes quantidades de moeda nacional e estrageiras, assim como bens imóveis, vestuário, mobiliários, relógios e outros assessórios de luxo adquiridos com fundos públicos que eram alocados à Casa de Segurança da Presidência.

O escândalo, envolvendo o majoro Lussaty, já mereceu a “mão pesada” do Presidente da República, João Lourenço que, no âmbito das competências que a Constituição lhe atribui, exonerou, recentemente, um grupo de altas patentes ligadas à sua Casa de Segurança, dos quais destacam-se o então ministro Pedro Sebastião, os tenentes-generais Ernesto Guerra Pires e Angelino Domingos Vieira, respectivamente, consultor do ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República e secretário para o Pessoal e Quadros da Casa de Segurança do Presidente da República.

Foram ainda exonerados os tenentes-generais José Manuel Felipe Fernandes e João Francisco Cristóvão, dos cargos de secretário-geral da Casa de Segurança do Presidente da República e de director de Gabinete do ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, respectivamente.

Na mesma esteira, o secretário para Logística e Infra-estruturas da Casa de Segurança do Presidente da República, tenente-general Paulo Maria Bravo da Costa, e o assistente principal da Secretaria para os Assuntos dos Órgãos de Inteligência e Segurança de Estado da Casa de Segurança do Presidente da República, foram também exonerados.

A ministra das Finanças, Veras Daves, assumiu o compromisso do Executivo em acabar com as forças ocultas que “assombram” aquela alta instituição de soberania nacional, ao cadastrar o grosso de efectivos da Casa de Segurança no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE).

Assim, a bancarização dos salários dos efectivos da Casa de Segurança vai mitigar os riscos envolvendo os processos de pagamentos dos trabalhadores daquela alta instituição, garantiu Vera Daves.

O novo ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, em relação ao assunto, prometeu rigor no trabalho para melhorar as estruturas e a metodologia de controlo do efectivo dos órgãos de defesa e segurança do país. No seu ponto de vista, o foco da missão é fazer um trabalho profundo de cadastramento físico do efectivo dos órgãos de Defesa e Segurança, sublinhando que a intenção é dar melhor dignidade aos órgãos que servem a Nação, de forma a adequá-los à realidade do país quanto aos deveres e às obrigações funcionais. Porém, o trabalho é árduo, reconheceu.

                                                                                                                                           (Com agências)

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