Início Política Escândalo no Executivo – Angolanos querem pão e não um hino fajuto que custa a vida do povo

Escândalo no Executivo – Angolanos querem pão e não um hino fajuto que custa a vida do povo

por Redação

A notícia, que se transformou muito badalada manchete entre os cidadãos angolanos, demonstra, uma vez mais, que Angola, desde sempre, tem sido governada por indivíduos insensíveis, hipócritas e anti-patriotas. Os que têm governado Angola, e os que a estão a governar agora, são tudo, menos angolanos empenhados no engrandecimento da sua Pátria, no seu desenvolvimento multifacético, no bem-estar do seu Povo, pois, mais parecem extra-terrestres caídos ao acaso nesta parte da Terra, com o fim único de sugar as suas riquezas e exterminar o seu povo.

Licínio Adriano*

É uma enorme aberração que, num momento tão conturbado como o que o país está a viver, mais por culpa dos governantes, antigos e novos, que enterraram o país numa miséria atroz, em que o povo morre de fome, a miséria alastra-se por todo o lado, as doenças também, há falta de medicamentos, há falta de energia e água potável para grande parte dos cidadãos, as cidades, com destaque para a capital do país, entre outras localidades, carecem de saneamento básico, o lixo convive às toneladas com as pessoas, entre tantas outras carências que seriam de fácil resolução, em caso de visão estratégica da situação, a preocupação principal do Executivo seja “um hino pelos 45 anos de independência”!
O tal hino ainda nem foi “parido” e já é milionário, ou assim se pretende que seja! Só pode ser brincadeira e de muito mau gosto!
Afinal, para um país como Angola, o que significam 45 anos de independência nas condições já descritas, em que até a própria agricultura familiar, tradicional e ancestral é desprezada pelos próprios governantes, que preferem importar tudo e nada, só para encher cada vez mais os seus bolsos e apresentar como justificação dos gastos a importação disto e daquilo, até do ar que os angolanos respiram.
Em 45 anos de independência, o país não progrediu, nem sequer se soube conservar as heranças de tanto sofrimento e humilhação dos cinco séculos de colonização. Atualmente, nem o paludismo se consegue erradicar, a mortalidade materno-infantil continua a ser das mais altas do mundo, 99 por centos das crianças angolanas carecem de quase tudo, senão mesmo de tudo em muitos casos.
Em vez de se pensar em gastar fortunas com comemorações e hinos de “meia tigela”, porque basta ver a quem foi encomendada tal tarefa, porque não se faz antes uma grande jornada de reflexão sobre os problemas mais prementes e básicos das populações e, consequentemente, do país em si?
A pandemia do Coronavírus/Covid-19, que infelizmente está a servir de “bode expiatório” para os governantes salvaguardarem os seus desmandos e explicar o inexplicável, como eles próprios dizem, “agravou a crise económico-financeira” nacional.
Então, como pode um Governo, que declarou publicamente estar falido a pontos de já não conseguir suportar mais os infectados da Covid-19 nos centros de acolhimento criados para o efeito e determinou que os doentes passem a fazer a quarentena nas suas casas, dar-se ao luxo de “queimar” 148,3 milhões de Kwanzas para se fazer um hino fajuto para celebrar os 45 anos de Independência?
Ao aprovar tal aberração, o Ministério da Cultura, o próprio Chefe de Estado e todo o seu Executivo demonstram que as prioridades governativas não passam simples veleidades ao sabor das sua excentricidades.
A quantia de 148,3 milhões de kwanzas, simplesmente para escrever uma letra, gravar a música e o videoclipe do tal “hino”, aprovada numa semana em que a cultura nacional devia estar de luto, face ao passamento físico de dois “monstros sagrados” da música angolana, Waldemar Bastos e Carlos Buriti, é um autêntico insulto à sua memória, bem como a Manuel Rui Monteiro, Rui Mingas, e a tantos de arte que, com humildade, amor e patriotismo, sempre levantaram bem alto a bandeira de Angola e a custo zero.
Os angolanos não querem esse “hino”; querem pão, água e saúde!
Segundo notícias que dizem que este assunto é uma “pouca vergonha” que terá sido consentida pela anterior Ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, a sociedade em geral exige que a mesma venha pedir desculpas à nação, assim como, de imediato, peça a sua demissão, até porque, foi reconduzida ao cargo de Secretária de Estado da Cultura.
Quanto aos músicos envolvidos nesse “caça tesouro”, além da falta de sensibilidade e de patriotismo demonstrada ao aliarem-se a mais rombo do erário público, talvez se tenham esquecido que o projeto “Pomba Branca”(se calhar alguns não estavam nascidos), por exemplo, reuniu as melhores vozes de Angola, daquela época, a custo zero.
A sociedade exige também do pelouro da Cultura a supensão imediata da edição do maldito videoclipe, para evitar um escândalo maior. A Cultura devia estar mais preocupada com a situação com os fazedores de cultura, músicos, dançarinos, artistas plásticos, actores de teatro, entre muitos outros, que neste momento não têm condições de pôr pão à mesa. Seria uma forma condigna de celebrar os 45 anos de Independência.

Adão de Almeida e Ministério da Cultura donos do “business”

Entretanto, o responsável da empresa “Karga Eventos”, a contratada para a realização da “aberração”, Big Nelo, afirmou numa entrevista concedida a um canal de televisão angolano, que até agora não foram pagos, apesar de o videoclipe estar numa ordem de execução técnica de 70%.
O músico Big Nelo diz que quem o contratou e aprovou o projeto da música no milionário valor de 148,3 milhões de Kwanzas, foi Adão de Almeida, ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República.
O rapper diz que não recebeu o dinheiro que lhe prometeram e que “nada deste projeto foi decidido por si”. Tudo foi decidido e aprovado por Adão de Almeida e o Ministério da Cultura.
E agora? Perante este esquema e erro colossal de pagar 148 milhões por uma música, quem deve ser responsabilizado? Adão de Almeida? Maria da Piedade de Jesus(antiga Ministra da Cultura)? Ou o Big Nelo?
esteja mais recheada, a cesta básica mais reforçada, que haja mais energia e água, que não morram mais crianças de paludismo ou à nascença, que a assistência médica e medicamentosa seja, de facto, constante e gratuita, talvez valesse, mesmo assim, um valor módico. Se por 45 anos é assim, como será aos 100 anos de independência?!

Ministério da Cultura esclarece mas dúvidas persistem

Na sequência do assunto, retomamos o esclarecimento, prestado à revista Carga, pelo Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA) que esclareceu como aconteceu a suposta fraude financeira de 148,3 milhões de Kwanzas que envolve a “Karga Eventos”, empresa do músico Big Nelo. Explicou também se vai ou não revogar o contrato para dar lugar a um novo concurso para a composição do hino das celebrações do 45.° aniversário da independência de Angola.
Informações dão conta de que, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente favoreceu a Karga Eventos no concurso para a composição do Hino dos 45 anos da Independência. O quê que se passou de concreto?
Os quadros do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente não agem nem decidem em nome próprio. Toda e qualquer decisão que os nossos quadros tomaram até aqui esteve sujeito a escrutínio da Comissão Interministerial. Ou seja, nenhum de nós está alheio ao trabalho que está a ser desenvolvido por esta Comissão.
O quê que aconteceu para que os valores do contrato, que previa a transferência de 14 milhões a Karga Eventos, disparasse para 148,3 milhões de Kwanzas?
Os processos de contratação pública são constituídos por diversas peças, ou seja, vários documentos que suportam todos os actos que se praticam até à escolha do vencedor. É natural que possa haver, nalguns casos, erros, contradições, imprecisões ou lapsos que devem e serão corrigidos. Contudo, qualquer um dos documentos a que eventualmente se tenha tido acesso, sendo parte do processo, foram objecto da apreciação em sede do concurso, sob supervisão da Comissão Interministerial para a comemoração do 45.° Aniversário da Independência. É perfeitamente natural que, na execução do contrato, se possam corrigir eventuais imprecisões da fase de contratação. É grande a diferença numérica, mas os termos de referência são claros quanto ao montante disponível para vários serviços, incluindo a campanha de marketing. Quando chegámos a este Ministério o contrato já tinha sido celebrado. Importa ainda assim referir que — e dada a dimensão simbólica da data em si — houve uma alteração na agenda programática das comemorações dos 45 anos da independência do país, que obrigou a redefinição de muito do que esteve inicialmente elaborado, discutido e decidido com incidência também neste contrato em especial. Portanto, não houve propriamente alteração nos valores do contrato. Existe, sim, um contrato, e este prevê um valor.
Este valor chegou ou não a ser transferido para a conta da empresa Karga Eventos?
Não. Eis o motivo do descontentamento da empresa.
Neste preciso momento qual será a decisão do Ministério? Vai ou não revogar o contrato?
Os contratos são celebrados por mútuo acordo, mas estes podem ser alvos de alterações ou eventuais revogações, totais ou parciais. Portanto, o que está aqui em causa não é se o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente está preparado para litigar em tribunal. Não é papel de o nosso Ministério litigar em tribunais com os seus fornecedores, a menos que haja fundamento, quando houver. Nós temos uma missão, que pode ser tortuosa ou não. E é importante notar que neste sentido existe uma Comissão Interministerial e ela é a entidade com competências para dirimir todo e qualquer problema que venha a existir a nível do programa geral das comemorações.
É também sabido que o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente orientou os meios de comunicação social para cancelar a veiculação do referido hino. Por que esta decisão?
Foi solicitado à produtora que desse uma melhorada na letra e composição da música, nada relacionado com a interrupção do making off.
Quando e como foi que o Ministério soube do assunto?
A titular do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente é a responsável, enquanto membro da Comissão, pelo contrato referente à música ou o hino dos 45 anos da independência nacional, tal como existem outras atividades relacionadas e tratadas, quer pela Comissão Interministerial, como por cada um dos seus membros ou outras entidades do Estado.
*(Com a devida vênia às fontes)

Poderá também achar interessante