Início Política Dívidas consecutivas das missões diplomáticas causam surpresa e levantam sérias dúvidas

Dívidas consecutivas das missões diplomáticas causam surpresa e levantam sérias dúvidas

por Redação

A situação da missões diplomáticas angolanas envolvendo dinheiros, uma vez mais, volta a ser notícia, a pontos de a secretária de Estado para o Orçamento e Investimento Público, Aia-Eza da Silva, manifestar-se surpresa com a questão da dívida das mesmas, quando foram já disponibilizados 40,1 milhões de euros para sua liquidação.

Francisco Manuel

Respondendo à preocupação colocada pela presidente da Comissão de Relações Exteriores, Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas da Assembleia Nacional, Josefina Diakité, na discussão na especialidade da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2021, Aia-Eza da Silva disse que «há cerca de dois anos, depois de o Presidente João Lourenço assumir funções, um dos primeiros dossiers que o Ministério das Relações Exteriores apresentou foi a situação das dívidas das missões diplomáticas».
A secretária de Estado para o Orçamento e Investimento Público, mencionou que a questão das alterações do câmbio foi a justificação apresentada pelos responsáveis dessas missões, sublinhando que se queixavam também de que o Ministério das Finanças fazia as transferências sempre com a mente em kwanzas, que «transformados em dólares eram quase nada».
Aia-Eza elucidou que «a primeira solução que, na altura, nós, o Ministério das Finanças encontrámos foi que, tendo em conta que a situação não vai melhorar tão cedo, o melhor é redimensionar e esse processo começou».
Prosseguindo, referiu que «houve redução de pessoal, algumas embaixadas foram fechadas e o processo foi avançando, sendo apurado um montante em dívida de, aproximadamente 33,4 milhões de euros».
De acordo com Aia-Eza da Silva, o Ministério das Finanças defendeu, na altura, que «o importante era pagar a dívida, sim, mas que fosse uma dívida controlada». Assim, foram constituídas equipas conjuntas entre o Ministério das Relações Exteriores e das Finanças para certificar, verificar e pagar.
«Saíram equipas nossas pelas várias missões, o montante que foi apurado não foi o que foi previamente declarado, pagou-se o que havia por se pagar», realçou, acrescentando que «mesmo sem apuração completa, porque as dívidas estavam aí e era a imagem de Angola e todos os embaixadores reclamavam junto do titular do poder Executivo, o dinheiro foi atribuído, com o compromisso das missões ‘a posteriori’ justificarem os pagamentos que fizeram».
Entretanto, quanto à prestação de contas, a governante frisou que «muitas dessas missões nunca chegaram a justificar na totalidade (os pagamentos), e o dinheiro foi enviado. E qual não foi a nossa surpresa há um ano, novamente o Ministério das Relações Exteriores levantou a situação de que havia ainda dívidas por pagar junto das missões. E qual o montante ainda por se pagar? 48 milhões de dólares», exclamou.
Aia-Eza da Silva salientou que a imagem de Angola no exterior é uma grande preocupação para todos. «Fez-se outra vez esse levantamento de 48 milhões de dólares, ainda não se tinha terminado de justificar o dinheiro todo que foi dado», destacou a secretária de Estado, notando que o dinheiro é disponibilizado agora em dólares para evitar o problema cambial.
«Enviou-se o pagamento de dívidas, pela segunda vez, ainda não temos justificativos. Mandámos uma carta ao ministro das Relações Exteriores há cerca de 15 dias, a pedir que nos justifiquem o que é que aconteceu com o segundo dinheiro que foi enviado», declarou, finalizando: «é uma surpresa grande, a deputada Diakité ainda levantar o assunto de dívida, ou seja, como é que se faz? Já não temos mais respostas».

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