Início Política Discurso político que “ameaça a reconciliação” preocupa bispos católicos de Angola

Discurso político que “ameaça a reconciliação” preocupa bispos católicos de Angola

por Redação

A «degradação do discurso político que ameaça desmoronar a unidade nacional, reconciliação, justiça e paz em construção com tanto sacrifício», é motivo de preocupação dos prelados católicos que defendem um plano de contingência para acudir as populações vulneráveis.

Os bispos católicos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestaram segunda-feira (01.03) preocupação com a «degradação do discurso político», que ameaça a unidade nacional, reconciliação, justiça e paz em construção, apelando à «contenção e respeito mútuo».

A preocupação dos bispos angolanos foi expressa no comunicado final da sua primeira Assembleia Plenária Anual, que decorreu de 24 de Fevereiro até esta segunda-feira, 01 de Março, no santuário mariano da Muxima, em Luanda, e apresentado em conferência de imprensa.

No documento, apresentado pelo porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti, os prelados católicos afirmam estar preocupados com a «degradação do discurso político que ameaça desmoronar a unidade nacional, reconciliação, justiça e paz em construção com tanto sacrifício».

Pelo que, refere a nota, «apelam à contenção, ao respeito mútuo, ao diálogo construtivo e ao renovado compromisso com a nação e com a ética».

Os prelados católicos assinalaram igualmente que «continua a agudizar-se a situação social do país, com níveis elevados de pobreza, fome, desemprego, perda acentuada do poder de compra e o encerramento de empresas».

Além disso, a falta de chuva no centro e sul do país voltam a levantar o espectro da fome, pelo que os bispos exortam as autoridades a criarem um plano de contingência.

Vários membros da sociedade civil já manifestaram, anteriormente, preocupações com o «agudizar da fome» na região sul de Angola em consequência da seca, que decorre da falta de chuva, «perigando a sobrevivência» de várias famílias e animais.

Os bispos católicos exteriorizaram a sua preocupação sobre o assunto defendendo um plano de contingência para acudir as populações vulneráveis.

Os incidentes de 30 de Janeiro em Cafunfo, na província angolana da Lunda Norte, que resultaram em várias mortes e feridos, com a polícia a considerar como «um acto de rebelião» e a população como «manifestação pacífica» também mereceram reflexão nesta plenária.

A CEAST manifestou apoio e solidariedade para com os bispos da província eclesiástica de Saurimo, que congrega as dioceses ou províncias do leste de Angola, que «condenaram e deploraram os actos de violência» que «resultaram em mortes e violações clamorosas e incompreensíveis dos direitos humanos na vila de Cafunfo», lê-se na nota.

Os bispos católicos apelaram «para o bem da harmonia e do convívio plural, entre todos, que seja apurada a verdade material dos factos e responsabilizados os que agiram contra a lei de um e de outro lado».

No domínio religioso, os bispos angolanos apontaram a necessidade da retoma das catequeses pelas crianças em todas dioceses, observando as regras de biossegurança, devido à Covid-19.

A necessidade do «reconhecimento, nas medidas de situação de calamidade pública, do direito dos católicos de celebrarem diariamente a santa Eucaristia, tal como são permitidas outras actividades de carácter social», foi também defendida pelos bispos.

Foram igualmente aprovados, no âmbito religioso, propostas para a criação de mais três dioceses em Angola, a criação do Instituto Missionário Mamã Muxima e a realização do segundo Simpósio Internacional de Pastoral Bíblica. (In Lusa)

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