Início Política Cuanza Sul: Carlos Cunha “desmonta” Job Capapinha no cargo de governador provincial

Cuanza Sul: Carlos Cunha “desmonta” Job Capapinha no cargo de governador provincial

por Walter Continente

O empresário Carlos Cunha será o próximo Governador da província do Cuanza Sul em substituição de Job Capapinha, bastante contestado pela população local e acusado da prática de “engenharias” lesivas ao Estado e que estão a “afundar” aquela parcela do território nacional que já foi das mais ricas do país

Japer Kanambwa

O nome do empresário e membro do Conselho da República, José Carlos Manuel de Oliveira Cunha, já foi citado no ano passado para assumir o cargo de Governador provincial do Cuanza Sul, porém sem que se tenha concretizado por razões desconhecidas.

 Desta feita, fonte interna do MPLA, em Luanda, dá como certa a nomeação do empresário para ocupar o cargo, em substituição de Job Pedro Castelo Capapinha.

A fonte acrescenta que o Presidente da República, João Lourenço, está bastante preocupado com o mau desempenho de Capapinha naquela província e agastado com as constantes queixas que lhe chegam, provenientes do Cuannza Sul. “O Presidente ouviu o clamor do povo do Cuanza Sul e vai substituir o actual governador por uma pessoa conhecedora do terreno e que tem perfil para retirar a província do estado decadente em que se encontra e relançar a sua economia”, revelou a fonte.

Desde que foi nomeado que Job Capapinha foi de imediato envolvido em diversos “escândalos” e bastante “grossos”, como se disse na altura. Quando passou pelo Governo provincial de Luanda, foi acusado de várias falcatruas, entre elas “engenharias” ligadas à apropriação e venda de terrenos e casas nos Zangos, havendo mesmo um quarteirão no Zango 2 que a população denominou “casas de Job Capapinha”. Contudo, apesar de o homem ter saído pela porta pequena, a “culpa morreu solteira”.

Quando o Presidente da República, João Lourenço, o nomeou para governador da província do Cuanza Sul, o espanto foi enorme em meios da sociedade, bem como da opinião pública em geral. Não fazia sentido, o Presidente, que levantou a bandeira da luta contra a corrupção, o peculato, o nepotismo, a impunidade, entre outros, nomear para governar o Cuanza Sul alguém, com uma folha de serviços manchada em demasia.

Em 2020, Job Capapinha foi protagonista de alegados caosos de corrupção, entre outras falcatruas, que marcaram negativamente a sua administração enquanto governador daquela província.

Entre as várias acusações de que foi alvo, destaca-se a da sobrefaturação das rendas dos edifícios alugados pelo Governo do Cuanza Sul para residências protocolares dos vice-governadores e uma em Luanda para a representação do governo, confirmada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Houve também a denúncia  sobre o aluguer de viaturas, igualmente protocolares, que orçaram um valor superior ao da compra das mesmas, numa clara demonstração de prepotência, uso e abuso do erário público.

Uma comissão da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) deslocou-se àquela província para avaliar as várias denúncias ligadas à irregularidades na gestão de Capapinha e concluiu que havia realmente crime de peculato, com gestão danosa do erário público.

Outra informação dava conta que a SIC, no Cuanza Sul, emitira um mandado de revista, busca e apreensão de cartões da rede de supermercados Maxi em posse de responsáveis do governo provincial local.

De acordo com o mandado, os cartões estavam em nome do Palácio do Governo Provincial, da Casa Protocolar do vice-governador para o Sector Técnico e Infra-estruturas, da vice-governadora para o Sector Político, Económico e Social, do Gabinete do Governador, do secretário-geral e em nome do protocolo do Gabinete do Governador, entre outros.

Job Capapinha foi ainda acusado de estar por trás da falsificação de uma dívida pública do governo provincial ao Grupo Chicoil Lda, no valor de mais de 16 mil milhões de kwanzas.

Como se não bastasse, na sequência de tanta sujeira, a sociedade foi abalada pelo assassinato, em Luanda, do jovem inspector provincial (do Cuanza Sul) das Finanças, Rodrigues Eduardo, quando se deslocou à capital do país para resolver questões de trabalho e visitar a família.

De imediato, diversas opiniões alegaram que o inspector fora assassinado “porque sabia demais”, em relação às “engenharias” corruptas praticadas no governo do Cuanza Sul. Com este acontecimento, um grupo de funcionários séniores do governo, que afirmaram ser militantes do MPLA “de coração”, entre responsáveis, trabalhadores de base, seguranças, pessoal de limpeza e fornecedores de serviços, num documento que foi tornado público então, garantiam conhecer profundamente e em detalhes a realidade e as acções da “má governação” de Job Capapinha, baseada na má gestão, desvio de dinheiros públicos e apropriação indevida de bens do Estado, “tudo dentro de uma promiscuidade que até envergonha quem trabalha  na instituição”.

Os referidos funcionários acrescentavam que Job Capapinha transformara o governo do Cuanza Sul numa instituição vergonhosa que em nada ajudava o desenvolvimento de Angola.

Continuando, o documento afirmava que Capapinha estava a fazer do palácio provincial “um bordel” pelo seu envolvimento num “triângulo amoroso” com uma vice-governadora e uma outra senhora (cujos nomes foram salvaguardados pela notícia por razões óbvias), tudo à revelia de sua esposa. Contudo, referia o documento, o envolvimento do governador com a vice tinha tido episódios públicos que raiavam o descaramento e a pouca-vergonha.

Os denunciantes afirmaram possuírem provas de todas as denúncias que faziam, alegando que  tinham documentos dos desvios, entre outros, acusando também o sub – procurador provincial, Joaquim Macedo da Fonseca, de ser cúmplice do governador por receber bens, “como meios de transporte, fazendas, dinheiro desviado que chega à casa do sub – procurador pela ‘porta dos fundos’, tendo sido alistado para receber cabeças de gado bovino, cuja divisão tem sido feita nos bastidores em Luanda.

Sobre este assunto do gado bovino, recorde-se que Angola recebera na altura milhares de cabeças de gado provenientes do Tchad em pagamento de uma dívida daquele país. O gado destinava-se aos criadores, contudo, os mesmos queixaram-se de terem sido “esquecidos” na distribuição, afirmando que o gado fora partilhado entre governantes e seus compinchas e depois nada mais se disse.

Recorde-se que Capapinha, que já foi governador da província de Luanda, deixou atrás de si um enorme rasto de acusações de actos lesivos que terá praticado enquanto gestor provincial. Segundo fonte do SIC, algumas acusações foram comprovadas e outras continuavam em investigação, depois caiu o silêncio à volta de tudo.

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