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Covid-19: Cidadãos discordam a decisão e afirma que Executivo quer matar o povo

por Redação

A pandemia do Covid-19, para além de todas as graves consequências que acarreta, destapou, em Angola, problemas muitíssimo graves que têm sido astuciosamente camuflados pela governação liderada pelo MPLA.

Santos Pereira

Abalizados analistas do panorama político nacional, têm demonstrado preocupação pela atual situação económico-financeira do país, temendo pela sobrevivência condigna das populações e alertam para consequências nefastas que, no seu entender, estão a ser criadas pelo próprio Executivo, e que põem em risco a estabilidade, a harmonia e a segurança nacionais.
Diante da perigosa pandemia e, pelo estado crítico para que está a encaminhar-se a situação, agravada pelo descontentamento cada vez maior das populações, o Governo, nomeadamente os seus membros, têm sido mais demaagogos do que verdadeiros e práticos.
Para os analistas, as medidas de segurança social são necessárias, mas o Governo, que diz ter-se antecipado às consequências do Covid-19, devia ter-se preparado também, para apoiar em termos de sobrevivência, as populações em geral e principalmente as mais carentes, o que não está a ser feito.
Com o aumento vertiginoso dos casos de Covid-19, 1762 casos em 13 de Agosto e 80 óbitos, é autêntica vergonha o Governo declarar que, a partir do dia 15 de Agosto, os cidadãos que testarem positivo devem cumprir quarentena em suas casas, “porque o Governo está a gastar muito dinheiro e já não tem capacidade para suportar os centros de acolhimento”.
A decisão e a justificação dada foi muito mal acolhida pelos cidadãos, considerando que a maior parte das populações vivem em condições precárias e, em grande parte, nem água potável têm nas suas residências.
Muitas famílias residem em quintais comuns em que apenas existe um só “quarto” de banho. Outras famílias habitam em casas com um ou dois cômodos, em que os filhos, ou outros membros da família, dormem na sala. Como podem, pessoas nestas cond ições, albergar, em quarentena, um ou mais membros da família que esteja infetaddo?
Quando os ditos “especialistas” da Comissão Multisetorial de combate à Covid-19, falam que os cidadãos infetados devem ficar em casa isolados de tudo e todos, utilizando a sua própria casa de banho, até parece que são pessoas que não conhecem a realidade do seu próprio país. Quantas famílias, em Angola, têm mais que uma casa de banho nas suas residências? Quantas se podem dar ao luxo de dispensar um cômodo para albergar um infetado da família?
Se os cidadão que forma confinados quando do primeiro estado de emergência, reclamaram que tinham sido abandonados nos locais onde tinham sido encaminhados para quarentena; se o Executivo nunca distribuiu às populações material de bio-segurança como por exemplo máscaras, álcool gel ou até sabão, será que terão capacidade para acompanhar todos os cidadãos que ficarão em quarentena nas residências?
Os cidadãos não acreditam e, é voz corrente, nas comunidades, principalmente em locais e transportes públicos, “que o Governo está a abandonar o povo e agora é que a Covid vai dar cabo do povo…”!
A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, que recentemente foi chamada de mentirosa por causa da polémica dos testes de HIV-Sida que só davam positivo, não convence e não tem a simpatia do povo. Quando afirmava sorridente e com ares de grande sábia à comunicação social, nacional e internacional, que «Angola venceu o Coronavírus por se ter antecipado aos acontecimentos», estava a mentir descaradamente e, agora, a realidade está a demonstrar isso.
Os dados verdadeiros da situação nunca foram apresentados porque, desde o princípio, só não via e analisava quem não queria, a coisa já era bem pior. Desde que foi decretado o primeiro estado de emergência, grande parte das populações em todo o país, devido às situações já descritas, sobretudo de falta de alimentos e de água potável, nunca cumpriram os preceitos do confinamento. Por outro lado, a grande maioria de cidadãos não tinham e nunca tiveram máscaras, luvas e muito menos álcool-gel, inclusive o tão badalado sabão estava escasso e caro.
Notícias que circulam referem que “logo após o surgimento dos primeiros casos suspeitos, ficou evidenciada a ausência e inadequação de medidas e preparação da resposta, como equipamento e pessoal médico, ao nível dos hospitais. Devido à falta de condições, máscaras, luvas e outro equipamento de proteção contra infecções, alguns médicos recusaram-se a tratar doentes suspeitos de Covid-19, tendo os menos sintomáticos sido encaminhados para casa.
Assim sendo, se a Covid-19 ainda não chegou a grandes extremos em Angola, deve-se à Providência Divina e não a qualquer coisa que o Governo tenha feito para minimizar ou conter a calamidade.
Para os analistas citados, este é o momento em que o Governo tem que ser prático. João Lourenço e sua equipa têm que mostrar que estão ao serviço da nação, que trabalham pelo povo, têm que mostrar que o patriotismo está acima de tudo, mesmo dos seus interesses pessoais e tomar as medidas que agora se impõem, diante da crise presente, que pode acarretar uma calamidade maior que a própria Covid-19.
Angola é um país rico em todos os sentidos, mas os governantes só pensam no petróleo e na importação de bens, mesmo de alimentos que são produzidos no país, por causa da «micha». Infelizmente, este governo de «micheiros» prefere matar o povo à fome em vez de apostar na produção nacional. Se houvesse visão estratégica e vontade política, nunca Angola enfrentaria uma crise de fome como a que está a acontecer.
Mesmo nos dias actuais, há produção mais que suficiente de milho, mandioca, batata-doce e rena, hortícolas, banana e outros frutos que estão a apodrecer nos campos no interior do país e que serviriam para suprir as necessidades alimentares nacionais. Porém, falta aos governantes liderados por João Lourenço vontade, visão e agilidade necessárias para resolver esta questão.
Segundo informações oficiais, Angola consta de uma lista de 35 países das Nações Unidas que, em consequência do Covid-19, vão enfrentar uma grave crise alimentar nos próximos dias. Igualmente, as informações fazem também referência que, por causa da pandemia, passará a haver uma nova ordem mundial. O Executivo angolano tem capacidade de enfrentar tais adventos? Eis a questão!

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