Início Política Combate contra a corrupção: PGR atirou-se às “sardinhas” porque teme os “tubarões”

Combate contra a corrupção: PGR atirou-se às “sardinhas” porque teme os “tubarões”

por Redação

A Procuradoria-Geral da República de Angola (PGR), nos últimos dias, tem dado um “ar da sua graça” com a divulgação de diversos processos e julgamentos, por crimes de corrupção, maioritariamente peculato, praticados por dirigentes administrativos municipais em algumas províncias. Até aqui tudo bem, se há crime, quem o praticou deve ser responsabilizado. Porém, a sociedade angolana, que há muito espera pela ação da PGR em esferas mais altas, entende que o anúncio constante de “casos pequenos”, nada mais é que espalhafato para fazer esquecer o que é mais importante.

Licínio Adriano

Desde que o Presidente da República lançou a sua “cruzada” contra a corrupção, que se tem dito que o processo é seletivo e eivado por sentimentos de parcialidade e de perseguição para com alguns, enquanto que grandes corruptos e gatunos têm sido protegidos.
Sendo a Procuradoria-Geral da República um órgão que deve merecer todo o respeito e consideração da sociedade em geral, por se considerar que usa de parcialidade em rfelação aos casos, tem sido duramente criticada.
Muitos são os especialistas que defendem que o sistema de justiça em Angola está muito doente e não se recomenda e que a actuação da PGR tem realmente deixado a desejar, porque, é notório, que tem “navegado” ao sabor das ondas das “ordens superiores”, ou seja, em determinados casos não tem correspondido à expectativa.
Pelo que se sabe, em vez de a corrupção ir diminuindo, os casos de alta corrupção têm aumentado sobremaneira, com acusações de crimes praticados por dirigentes, que já estão a chegar ao assassinato para silenciar quem sabe demais. Exemplo das acusações que racaiem sobre o governador da província do Cuanza Sul, Job Capapinha, e a estranha morte do inspector das Finanças que supostamente “sabia demais”.
De acordo com notícias que circulam , admite-se, entretanto, que nos próximos dias, sejam feitas mais detenções e outras diligências, como mandados de captura, com o objectivo de manter a credibilidade do chamado “esforço anti-corrupção” do novo Governo, na sequência de processos já em curso ou a lançar.
A ação da PGR é atribuida a calculismo sobre quem deve ser detido ou pronunciado e quem deve ser “esquecido” e não ser investigado, por laços familiares ou por merecerem apoio do Presidente João Lourenço, como são os casos de Pedro Luís da Fonseca, Abraão Pio Gourgel, Calabeto Jaime, sobretudo, o trio Manuel Vicente, Hélder Vieira Dias “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino”, detentores das principais fortunas do país, para citar apenas estes.
Contudo, o mais altos responsáveis da PGR, na pessoa do Procurador titular e/ou dos seus adjuntos, têm dito que a PGR tem feito o seu trabalho com toda a lisura e tem cumprido todos os trâmites legais, investigando profundamente os casos e só depois de reunir todas as provas que comprovem haver crime é que indiciam, mandam prender, seguindo depois o processo aos tribunais para o devido julgamento.
Mas, tanto os critérios, quanto os métodos da PGR têm sido crescentemente questionados por juristas locais, que os criticam e consideram que muitas das suas ações só têm servido para alcançar objetivos políticos pretendidos em geral, como fragilizar o ex-Presidente da República e seus familiares, assim como para uma pretensa recuperação da imagem interna e externa do país.
O combate contra a corrupção tem sido reconhecido pela opinião pública nacional e internacional, como estando a decair e já se diz que tudo não passou de um cenário montado para ludibriar o conceito externo, no intuito de atrair investimentos.
Os “prognósticos” públicos são claros, atualmente, o Chefe de Estado está em contra senso ao reabilitar algumas figuras anteriormente tidas como “impróprias para consumo” e, deixando que outras, confiantes na sua impunidade, andem por aí a vangloriar-se e, sorrateiramente, continuem a “envenenar” a atmosfera política nacional já de si bastante poluída.
Os especialistas afirmam que as ações da PGR a espalhar a confusão na mente das pessoas que, diante das situações atuais, acreditam que está-se a fazer de tudo para que as atenções se voltem contra outros, nomeadamente dirigentes municipais, enquanto os “tubarões” estão a ficar no esquecimento.
São os casos de Paulino Typingue, ex-governador da Huíla; Edeltrudes Costa, antigo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República de José Eduardo dos Santos, atual chefe do Gabinete do Presidente da República, João Lourenço, cujo nome está a ser apontado na prática de diversas ilegalidades, Carlos Alberto Jaime (Calabeto), ex-PCA da ENAMA e ex-secretário de Estado da Agricultura e Armando Manuel, ex-ministro das Finanças que, segundo fontes, vai integrar em breve o elenco governamental, Ismael Diogo, ex-diplomata e presidente da FESA,etc, etc, etc.
Muitos outros nomes há sem dúvida, entre dirigentes do MPLA, governantes, deputados e diversos oficiais generais e superiores das forças de defesa, segurança e policiais. Todos passíveis de processos crime e que já deviam estar detidos.
Como já se disse e os analistas e comentadores do cenário político angolano corroboram, as badaladas diligências anteriores, não passaram de um conjunto de características tendentes a aumentar o impacto público das políticas de João Lourenço, não só junto da população em geral, mas também, de uma forma mais vasta, da comunidade internacional.
A divulgação pública de peças processuais da PGR e tribunais, como forma de incriminação dos acusados, seleccionados de acordo com a sua maior adesão às políticas do atual Presidente da República, o anúncio prévio, através da comunicação social das ações a desencadear pela PGR, assim como a gestão do tempo para se desencadear as ações de maior relevo público, denotaram claramente que as situações foram criadas a preceito.
Diante da indignação da sociedade e da perda de popularidade do MPLA a todos níveis, a PGR está agora a dar um novo “show”; porém, atirou-se às “sardinhas” por teme os “tubarões”!

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