Início Política Com a extradição de Abel Cosme a PGR tem que acabar com o mistério que encobre Ismael Diogo

Com a extradição de Abel Cosme a PGR tem que acabar com o mistério que encobre Ismael Diogo

por Redação

Agora que finalmente se começa a fazer luz sobre o caso do embusteiro Abel António Cosme, que foi extraditado por Portugal depois de ter fugido à justiça angolana em 2018, tanto os angolanos como a opinião pública esperam que as autoridades se pronunciem sobre a real situação de outro “foragido”, Ismael Diogo da Silva, antigo diplomata, empresário e ex-presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA)

Japer Kanambwa

Ismael Diogo da Silva, ex-presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA) considerado como um dos maiores malandros e um dos mafiosos que atiraram o país para a miséria em proveito próprio, tendo realizado diversas actividades pouco claras e lesivas ao Estado, é um fugitivo da Justiça angolana.

Como foi exaustivamente noticiado, Ismael Diogo, mesmo sob TIR (Termo de Identidade e Residência), fugiu do país. O ofuscamento do seu caso, entre tantos de muitos outros trapaceiros, entre diversas suposições, foi dando motivos para aumentar dúvidas e considerar o combate à corrupção em Angola como selectivo, político e com alvos definidos.

Passado algum tempo, ante o persistente silêncio das autoridades angolanas, notícias puseram fim ao mistério e informaram  que Ismael Diogo, depois de deambular por outras paragens, chegou ao Brasil em Janeiro de 2021 e, desde então, não tem colocado os pés fora da sua luxuosa residência, ao mesmo tempo que, com ajuda de uma filha, gere e vende normalmente os seus bens.

As notícias referem que o homem está a viver como um rei no Brasil, concretamente no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, Avenida das Américas, 2300 A, casa 55, onde Ismael Diogo tem muitos bens, adquiridos com os milhões roubados e branqueados pelas suas “empresas fantasmas” naquele país, das quais, a empresa mãe se chama “Atlantic Serviços e Consultoria Empresarial Eireli”.

Porém, quando do regresso do ex-Presidente José Eduardo dos Santos na passada semana, para espanto geral, Ismael Diogo foi visto no aeroporto internacional de Luanda, fazendo parte da comitiva de recepção ao antigo chefe de Estado. Porém, tanto a PGR como as demais autoridades ainda não se pronunciaram prolongando o silêncio sobre o caso que começa a “criar raízes”.

Antes da sua fuga para o estrangeiro, de acordo com notícias que circularam então, o também ex-diplomata, ter-se-á comprometido em devolver ao Estado  25 milhões de dólares surripiados ao erário público (uma gota de água no somatório de quanto roubou), antes de ter sido libertado sob TIR pela PGR, mediante pagamento de uma fiança.

Porém, dias depois, o homem esfumou-se e, dos 25 milhões de dólares, nem a PGR, nem as demais autoridades, tugiram ou mugiram. Especula-se que parte daquele valor, senão todo, serviu para “comprar” a “passagem” que o fez sair do país, ou seja, por outras palavras, foi o preço que pagou para subornar alguns elementos da PGR,  entre outros, que engendraram a sua fuga e arquivaram os seus processos.

À propósito da sua fuga, e pelo prolongado silêncio das autoridades, recentemente, a jurista Maria Luísa Abrantes “Milucha” não se conteve e acusou publicamente Ismael Diogo de ser um indivíduo maligno, embusteiro e o maior gatuno que Angola já teve.

Milucha, falando num programa de rádio, apontou outros nomes que, ao longo do consulado de José Eduardo dos Santos sempre o induziram em erro e não poupou palavras para descrever as maquiavelices de Ismael Diogo que, mesmo depois da saída de José Eduardo dos Santos do poder, continuou a visitar o ex-Presidente e a “injectar-lhe”o seu “veneno”. 

Recorde-se que, liderada por Ismael Diogo, a Fundação Eduardo dos Santos (FESA) deixou de exercer a verdadeira função para que fora criada e passou a ocupar-se apenas de negócios obscuros com a capa da “FESA Investimentos”. Por isso, a dita Fundação Eduardo dos Santos, em vez de ser uma entidade cuja principal missão seria a filantropia e prestar auxílio às populações mais desfavorecidas de Angola, passou a ser uma espécie de “superministério” que se metia em tudo, amedrontava e extorquia dividendos aos investidores nacionais e estrangeiros para que os seus projectos fossem levados em consideração pelo então Presidente da República e patrono da mesma.

Empresários estrangeiros que se deslocavam a Angola com intenções e projectos de investimento ou à procura de meras oportunidades de negócio, acabaram por notar que, a certa altura, eram encaminhados para a FESA, onde geralmente eram atendidos por Ismael Diogo da Silva, presidente do Conselho de Curadores, o qual, por vezes, se fazia acompanhar de um advogado brasileiro, apresentado como “conselheiro”.

O propósito subliminar destes contactos com os empresários era para conhecer os seus projectos e fazer uma triagem dos mesmos no sentido de determinar em que medida podia haver lugar contribuições (comissões) para a FESA em troca de influências.

A nível externo, a mesma investiu mais de USD 221,8 milhões em 2006 na The University of New South Wales, em Sydney (Austrália). Em 2007, mais de USD 312,7 milhões na City University Of Hong Kong, mais de USD 187,8 milhiôes na Universidade Nova de Lisboa, ainda por definir os objectivos de tais investimentos.

A FESA, por intermédio da GEVAL, investiu mais de 243,7 milhões de Euros na construção em Portugal, do complexo Quelhas 28, que se localiza na Rua de Quelhas, nos meados da Igreja Nossa Senhora da Lapa. Também investiu no luxuoso empreendimento hoteleiro, CATUSSABA Resort Hotel, nas maravilhas das praias da Bahia, Brasil. Na África do Sul, investiu fortemente no Grupo Hoteleiro Legacy Hotels & Resort, que possui centenas de empreendimentos turísticos e hoteleiros por toda África do Sul, entre elas, pousadas, resorts, hotéis de 2,3,4 e 5 estrelas, restaurantes, campos de golfe e muito mais.

A Geval investiu em 2009, mais de USD 423,8 milhiões na The JW Marriot na Coreia do Sul, mais de USD 289,2 milhiões na Grand Intercontinental Seoul e mais de USD 195,8 milhiões na Holiday In Seoul (Bahia) e mais de USD 213,7 milhiôes na Kimpinski Hotel & Resorts. 

Em Seul, a FESA criou parcerias estratégicas e investimentos com personalidades como Choi Soo-bung, Presidente da KEPCO no Valor de USD 154,8 milhiões; Com Koo Bom-moo, Chairman da LG, no valor de USD 254,8 milhiões; Com Lee Seung-bae, presidente da Korean Standard Association, no valor de USD 29,8 milhiões; com Lee Kyung-jae, da IBK no valor de USD 132,8 milhiôes e com Cho Choong-Hwan, presidente da Hankook Tire Co, no valor de USD 145,9 milhiôes.

Regressando ao país, a FESA Investimentos, investiu directa e indirectamente por meio de terceiros, em Grupos empresariais tais como; Grupo Suninvest, dirigido  por Ismael Diogo, camuflada por diversas actividades como indústria farmacêutica em parceria com o Laboratório Teuto do Brasil, transportes urbanos e recolha de lixo pela SGO, comércio, etc.

O Grupo também detém o Hotel Intercontinental, é uma unidade hoteleira de três torres ao seu redor e o Hotel Epic Sana, gerido pela SIVOL – Sociedade de Investimentos Hoteleiros Lda, que pertencem a um consórcio entre a Sonangol e o Grupo Saninvest, vulgarmente apresentado como “braço direito” da Fundação Eduardo dos Santos para os investimentos.

Estas revelações, são apenas algumas fracções da mega-lesão infringida por Ismael Diogo ao país e ao povo angolano. A PGR tem que se pronunciar e acabar com a expectativa que se criou à volta do “mistério”. Mais uma culpa para morrer solteira?

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