Início Política Chivukuvuku tem ânsia de poder e quer ser presidente a qualquer preço

Chivukuvuku tem ânsia de poder e quer ser presidente a qualquer preço

por Redação

Depois de o Tribunal Constitucional (TC) ter chumbado mais uma vez a legalização do projecto político “PRA-JA Servir Angola”, de Abel Chivukuvuku e este, por sua vez, acusar o TC de estar a ser usado pelo MPLA para se livrar de adversários políticos, o político está a ser apontado, em análises, como um elemento que quer estar sempre por cima, ou seja, só lhe serve ser presidente.

Mwanza Mukondolo

Em análises que se fazem do cenário político angolano, em que se destaca a problemática da legalização, pelo Tribunal Constitucional, de mais um projecto político de Abel Chivukuvuku, face aos sucessivos chumbos ao mesmo e às reacções do seu mentor, pode-se aferir que Chivukuvuku está com muita apetência pelo poder, sobretudo, para chegar à Presidência da República.
Para os analistas, a trajectória de Chivukuvuku demonstra que o seu único objectivo é alcançar o poder e ser Presidente da República. Nunca foi a mudança do sistema, ou fazer diferente em prol do desenvolvimento geral do país e bem-estar dos angolanos.
Na UNITA, enquanto Savimbi era o líder, por ser o seu “delfim”, como era considerado, esperava ser o seu substituto e liderar o partido. Não tendo conseguido, saiu e criou outra formação partidária, a CASA-CE, que liderou até que os seus pares o afastaram. Logo de seguida, aparece com outro projecto, “PRA-JA Servir Angola”, com o objectivo de participar nas eleições gerais de 2022, como candidato presidencial.
«Contas feitas, a insistência consecutiva para tentar legalizar o seu projecto que, pela rapidez com que tem sido feito, pressupõe incorrência nos mesmos erros, apenas demonstra demasiada ânsia em estar na ribalta, ostentando o título de “presidente”, ainda que seja de um simples partido», aludem.
Ainda de acordo com as mesmas análises, «ao convocar manifestações populares, por causa das suas frustrações, aproveitando-se de um momento tão delicado que a sociedade angolana está a viver, em meio da pandemia de Covid-19 e principalmente da crise económica e social, está a demonstrar um egoísmo exacerbado, pois pode-se criar situações drásticas e desabonatórias para a harmonia nacional, a tranquilidade, a paz e a segurança dos cidadãos».
«Em Angola há muitos políticos que falam muito em defesa da democracia, do povo, mas tudo não passa artimanhas, porque de democratas nada têm. O que lhes interessa na verdade é a vaidade, a ostentação e a sensação, mesmo que falsa, de poder», sublinha-se.
Recorde-se que, neste último recurso, a Comissão Instaladora do “PRA-JA Servir Angola” buscava anular a decisão, datada de 25 de Agosto de 2020, que negou o recurso extraordinário de inconstitucionalidade, interposto após o tribunal ter negado, em primeira instância, dar provimento ao pedido de legalização do “PRA-JA Servir Angola”.
«O Tribunal Constitucional é do entendimento de que, face à realidade dos autos, estão devidamente fundamentadas as razões do indeferimento do requerimento, não sendo atendível a alegada violação do princípio constitucional do dever de fundamentação das decisões judiciárias, portanto foi garantida e assegurada a observância da Constituição e da Lei do Processo Constitucional (LPC)”, concluiu o Plenário do Tribunal Constitucional».
«Segundo o acórdão nº 654/2020 a comissão instaladora deveria esgrimir, em sede de alegações, as razões de facto e de direitos que justificassem a anulação do despacho de rejeição, datado de 27 de Agosto deste ano, o que não aconteceu».
Entretanto, Chivukuvuku afirmou, em conferência de imprensa, realizada quarta-feira (09.12), que estão a trabalhar num exercício alternativo, tendo em vista a sua participação nas eleições gerais de 2022 como candidato presidencial e prometeu manifestações em todo o país e, em Luanda, está marcada para o próximo dia 19.
Abel Chivukuvuku, ex-líder da CASA-CE e antigo dirigente da UNITA, acusou esta quarta-feira (09.12) de ser o MPLA, partido no poder há 45 anos, que está a inviabilizar o processo.
«Não aceitamos e não acatamos a notificação do tribunal», disse Abel Chivukuvuku, para quem o Tribunal Constitucional agiu a mando da direção do MPLA ao travar a legalização do “PRA-JA Servir Angola”.
A decisão do Constitucional é definitiva. No entanto, Chivukuvuku e os seus advogados preparam-se para remeter novo recurso àquele órgão de justiça. «Os advogados vão continuar a litigar e, dentro de alguns dias, anunciaremos nova documentação a entrar no tribunal. Vamos também iniciar manifestações de repúdio contra estas atitudes, porque é o MPLA que está a fazer isto e não são os juízes», defendeu.
Entretanto, Abel Chivukuvuku convocou para 19 De dezembro uma manifestação contra aquilo que diz ser uma «perseguição política» aos angolanos que pretendem apresentar um partido alternativo. «Dia 19, cada um com o seu amigo, namorada, seu primo e seu cunhado. Vamos à rua pacificamente e ordeiramente demostrar que somos cidadãos e queremos usufruir dos nossos direitos», anunciou, acrescentando, «eu vou passar para a frente e se quiserem que me toquem».

Poderá também achar interessante