Início Política Candidata ao cadeirão da UNTA-CS: ‘’Não podemos aceitar um salário que não permite viver durante uma semana’’

Candidata ao cadeirão da UNTA-CS: ‘’Não podemos aceitar um salário que não permite viver durante uma semana’’

por Redação

Actual secretária-geral adjunta da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos –Confederação Sindical (UNTA-CS), Maria Fernanda Carvalho Francisco, apresentou na última terça-feira (3), as linhas de força para o cago de secretária-geral daquela organização, assegurando que no primeiro trimestre do próximo ano o Executivo vai aprovar uma nova Lei Geral do Trabalho

Domingos Kinguari

Maria Fernanda que concorre ao cargo para substituir Manuel Viage, garante que  “temos de interpelar o Executivo para a revisão da Lei Geral do Trabalho que toda a sociedade em geral  considerou inconstitucional. Através da Organização Internacional do Trabalho (OIT), conseguimos não apenas um parecer sobre o incumprimento das normas internacionais”, acrescentando que “conseguimos apoio financeiro que permitiu que as três centrais sindicais, ou seja, a UNTA-CS, CGSILA e a FSA-CS escrevêssemos uma petição ao Presidente da República e que foi tida em consideração. Neste momento, as três centrais sindicais já estão a negociar a nova Lei Geral do Trabalho. Do acordo que chegamos com o Executivo e os empregadores é que no primeiro trimestre do próximo ano a lei seja aprovado na Assembleia Nacional’’, enfatiza.      

Entretanto, considera que o objectivo da sua candidatura para o cargo máximo de secretária-geral da UNTA-CS visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida e as condições laborais dos trabalhadores angolanos, “bem como o desenvolvimento social econômico sustentável através do engajamento dos sindicatos nas políticas sociais”, refere.

A candidata salienta que o líder eleito da UNTA-CS terá a obrigação de continuar o legado deixado por Pascoal Luvualu. “Por isso o meu programa denomina-se de acção, unidade, solidariedade e equidade. É um plano político ou sindical para um período de cinco anos que prevê encontrar respostas imediatas para os problemas identificados no presente mandato e nos mandatos anteriores, baseado nos documentos da organização, fundamentalmente nas questões candentes. Vamos reforçar mais nas reivindicações pertinentes e uma luta constante por uma negociação colectiva, efectiva e um diálogo social inclusivo’’, disse.

A sua liderança vai fortalecer a UNTA-CS, “há-de ser uma organização independente, reivindicativa, unida, solidária, representativa e democrática, capaz de defender os interesses dos trabalhadores e promover o resgate da sua cidadania através da melhoria das condições sociais. Temos de ser uma organização unida, forte e coesa, e não importa o número de filiados, temos de trabalhar para crescer, mas não deve ser o princípio fundamental para nos consideramos superiores em relação aos outros”, alerta.

Na sua opinião, “os sindicatos têm quatro funções que são a representativa, normativa, associativa e a participativa, porque não somos associações empresariais, somos apenas uma organização voluntária, independente, democrática e permanente, criada pelos trabalhadores para defender os seus próprios interesses. Os sindicatos devem ser a vontade dos trabalhadores e não a vontade do patronato”, destaca.

“Temos que criar mecanismos que permitem a liberdade sindical”

Maria Fernanda Carvalho Francisco considera que a UNTA-CS deve melhorar as suas acções para exigir o respeito pelos direitos humanos, “incluindo o direito à liberdade sindical, o direito à negociação colectiva e o direito à greve. O direito à liberdade sindical tem de ser uma das chaves do nosso trabalho. Os sindicalistas não podem temer para realizarem uma actividade. Nós temos que criar mecanismos que permitem que a liberdade sindical seja respeitada, através de um diálogo e o exercício de uma advocacia de facto”, referiu.

A sindicalista promete que, caso for eleita, criar uma legislação sobre o tele – trabalho.  “O ramo que mais foi apanhado de surpresa é o sector bancário, estes estão a ser substituídos por simples telemóveis, que pensávamos que vieram apenas para nos comunicar, mas estão a substituir-nos  nos postos de trabalho, em prejuízo da remuneração de muitos chefes de família. Uns foram para o tele – trabalhos e outros foram para o desemprego. Precisamos de nos preparar para as vias de comunicação que é uma realidade. Não só afectou o sector bancário, já afectou a indústria alimentar e de bebidas. Todos estamos a ser substituídos pelas máquinas e temos de prestar atenção. Precisamos urgentemente de um regulamento que ponha fim ao que está a acontecer nos nossos locais de trabalho”, alerta. 

Continuando a sua explanação, esclarece que “os angolanos precisam de reivindicar salários mínimos que fazem a cobertura da cesta alimentar e a satisfação básica dos agregados dos trabalhadores; e não podemos aceitar um salário que não permite viver durante uma semana”, reclama.

A candidata dos trabalhadores

Maria Fernanda Carvalho Francisco, de 61 anos de idade, é analista química, candidata da lista B e sindicalista profissional desde 1982. Foi secretária para divulgação e propaganda do Sindicato Provincial da Saúde, Administração Pública e Serviços.

Em 1984 foi membro do Conselho Central da UNTA e secretária provincial para Divulgação e Propaganda. Em 1985 foi chefe de secção de Imprensa e Imagem do departamento de Propaganda. Em 1995 foi chefe de gabinete do secretário-geral. Em 1996 foi secretária para Acção Social do secretariado executivo. Em 1998 foi presidente do Comité Nacional da Mulher Sindicalizada. Em 1999 foi presidente do Comité de Mulheres do Conselho de Coordenação dos sindicatos da África Austral.

Em 2005 foi secretária-geral adjunta e de Relações Internacionais. Em 2006 foi vice-presidente da Confederação Sindical Internacional e é membro adjunto do conselho de administração da Organização Internacional do Trabalho.

Actualmente é secretária-geral adjunta e de Relações Internacionais e Solidariedade da UNTA-CS. Vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança Social é a presidente do Comité de Mulheres da Organização de Unidade Sindical Africana.          

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