Início Política BD acusa: Negligência e desorganização no Minsa na base do elevado número de mortes nas unidades hospitalares

BD acusa: Negligência e desorganização no Minsa na base do elevado número de mortes nas unidades hospitalares

por Redação

O partido Bloco Democrático (BD) com assento parlamentar no seio da coligação CASA-CE, realizou recentemente visitas a algumas unidades sanitárias municipais da cidade de Luanda, tendo constatado situações confrangedoras e indignas de hospitais que tratam seres humanos

Victor Kavinda

Antes, foi enviada uma carta ao Governo da Província de Luanda (GPL) para prévio conhecimento e autorização, mas esta entidade não respondeu em tempo real, ou seja, até ao presente momento, à solicitação, feita com mais de dez dias de antecedência, o que deixou perplexa a direcção do BD, que tínha igualmente algumas ideias para partilhar com as direcções das unidades que pretendiam visitar, com vista a mitigar as dificuldades sobejamente conhecidas.
Américo Vaz, candidato à presidência do BD, realça que tudo indica que o Governo da Província de Luanda, na pessoa da Sra. governadora, Joana Lima, queria impedir a todo custo a presença, nos hospitais, de agentes políticos, “já que estamos a viver momentos, que podem configurar uma ‘calamidade sanitária’, resultado dos altos níveis de infecção por malária e doenças diarreicas agudas. O Governo Provincial tem o prazo de oito dias, máximos, para responder às solicitações de visitas, mas como dissemos a instantes, até ao momento ainda não recebemos um despacho da governadora, através do seu Gabinete Social, uma clara demonstração de obstrução ao conhecimento da realidade sanitária da capital”.
“Se os hospitais municipais estão em boas condições, tal como tem sido difundido pelo Executivo, pelos média nacionais e não só, então, o que leva a que haja o receio de permitir, que cidadãos de bem, que querem ajudar, possam aceder aos mesmos, até para ajudar a credibilizar as informações?”, questiona o político.
Aquele dirigente partidário acrescentou que tem em mão a cópia protocolada da carta, que endereçou ao GPL, para justificar informações que foram prestadas em conferência de imprensa.
No entanto, aquela agremiação política usou outros meios ao seu alcance para obter dados da actual situação crítica dos hospitais e centros médicos públicos, em que se constatou que existem relevantes preocupações, “que nos deixou sem palavras para descrever”, o que se constatou no decorrer das visitas efectuadas aos hospitais municipais de Cacuaco, Capalanga, Cajueiros e Maternidade da Samba.
“Primordialmente, devemos afirmar que, alguns hospitais de Luanda, não estão em condições de receber seres humanos. É lamentável que se diga isso, mas é a realidade que vivemos”.
Américo Vaz disse ainda que estas unidades sanitárias deviam atender outro tipo de seres, mas humanos não!
O politico referiu que existe um nível de receio muito alto da população em ir a um hospital público, porque os mesmos não oferecem segurança ao utente de lá sair com o seu problema resolvido, sendo que, uma noite numa cama de um hospital, pode significar o fim da jornada da vida. “O número de mortes nos hospitais ultrapassou o normal, e se formos a comparar com um negócio, temos um excedente maior que o necessário”.
O candidato a presidente do BD afirmou que os hospitais não têm materiais necessários para atender os pacientes, ou seja, materiais de ponta, meios tecnológicos, não existem. “São apenas luvas, seringas e até balões de soro. Esses são problemas antigos, que já é do domínio público, todavia ainda assim não existe quais quer intervenção estatal”.
Em 2012, numa edição do jornal de Angola, noticiava-se, “…o princípio do fim da malária em Angola”, mas estamos em 2021, onze anos depois, e esta doença continua a ser a principal causa de mortalidade no nosso país.
Américo Vaz revelou que os meses de Abril, Maio e o no corrente, os hospitais chegaram a receber 52 casos diários de doenças diarréicas agudas (como cólera) cada. “Contabilizando estamos a falar de 1.612 casos por semana e 6.448 por mês. Nos quatro hospitais visitados destacaram-se informações, sem nos referir aos hospitais da Boavista, do Zango e Icolo Bengo, dos quais, se incluir os números, claramente que serão bem maiores. Quanto à malária, nestes três últimos meses, os mesmos hospitais chegaram a receber, em média, 70 casos por dia cada, perfazendo 2.170 casos por semana e 10.840 casos por mês, e uma grande parte destes casos terminaram em morte”.
“A nossa estimativa é que nesta altura já tenham padecido de malária e doenças diarreicas agudas, mais de 100 mil pessoas, só nas zonas periféricas de Luanda”, sublinhou.
Américo Vaz considera um acto de negligência cometida pelo Estado angolano, através do Instituto Nacional de Saúde Pública. “Esta instituição não verificou as diversas amostras que foram enviadas pelas unidades hospitalares, alegando simplesmente se tratar-se de uma situação passageira. Outro aspecto é que os hospitais municipais dependem do envio de balões de sangue desta instituição, que apercebendo-se da falta deste líquido nas unidades não o fez”, acusou.
Estes dois actos, demonstrativos de pura incompetência, agravados pela falta gritante de materiais de trabalho, medicamentos e medicamentosa, tem permitidoe a morte de muitas angolanas e muitos angolanos, sobretudo crianças.
“Algumas dessas unidades hospitares não dispõem, até esta altura, de uma ambulância condigna para evacuar os pacientes que lá acorrem. Mulheres gestantes estão a repartir uma cama e recém-nascidos dividem beliches com mais dois, três e quatro outras crianças. Há maternidades que ordenam às pacientes para abandonarem as camas poucas horas depois do parto, tudo porque não há espaço, nem condições para os manter ali”, explicou o político.
Outrossim, segundo o político, a humanidade e o patriotismo dos médicos e enfermeiros os obriga a aceitarem trabalhar nessas condições, infelizmente, tal é o comprometimento com a causa da profissão, que é salvar vidas.
Refera-se que na maior parte dos casos, a morte não é causada pela malária propriamente dita, mas sim pela anemia causada pela doença ou a cólera. Esta anemia acelera a falta de sangue e a desnutrição aguda que põe fim à vida de muitas crianças e muitos adultos.
“O Plano Nacional de Desenvolvimento da Saúde, prévé gastos de 194 dólares para a Saúde, mas sabemos que o estado tem gasto apenas 49 dólares (por paciente). Não há ao nível do Ministério da Saúde, um plano para diminuir o acentuado défice dos cuidados primários de Saúde, que passa pela potencialização dos Hospitais Municipais. Este dilema faz com que muitas pessoas procurem pelas grandes unidades hospitalares, causando enchentes nestas unidades”, rematou.

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