Início Política Banco Nacional de Angola liderado por Massano navega no mar da podridão

Banco Nacional de Angola liderado por Massano navega no mar da podridão

por Redação

José de Lima Massano e o BNA voltam a ser associados a esquemas ilícitos de apropriação de capital público, lavagem e branqueamento de capitais. A situação surge em virtude da apreensão de avultadas somas monetárias

Japer Kanambwa

Em relação ao assunto e considerando a reincidência de casos similares, a opinião pública e a sociedade em geral está a questionar onde começa e acaba o envolvimento do banco central angolano em situações como a que está agora a acontecer, envolvendo dirigentes e altas patentes militares da Casa de Segurança da Presidência da República, que estarão a usar o Banco Atlântico para encobrir as suas falcatruas.
Análises feitas em torno do caso recordam que, recentemente, foi bastante badalada a questão dos incumprimentos às normas determinadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) por parte de algumas instituições bancárias, destacando o Banco Económico (BE) que, apesar de consecutivas faltas, foi sempre salvaguardado pela própria entidade reguladora, ou seja, o BNA.
Recorde-se que o Banco Económico surge da falência do Banco Espírito Santo Angola (BESA) que, segundo investigações, foi alvo de uma ‘operação’ de apropriação e pilhagem levada a cabo pelo ‘triunvirato presidencial’ da época, o vice-Presidente da República e antigo PCA da Sonangol, Manuel Vicente, e os generais ligados à Presidência da República, Kopelipa e Dino, sintomaticamente conhecidos como ‘Irmãos Metralha’.
Essa operação assentou em duas vertentes: Na primeira, em Novembro de 2009, o BESA concedeu três créditos, no total de 375 milhões de dólares, a três ‘empresas-fantasma’, propriedades dos ‘Irmãos Metralha’. Estas empresas, Althis Siderurgia, Delta Inertes e Betão e Nazaki Hidrocarbonetos, simularam o levantamento dos 375 milhões de dólares para logo os depositarem na conta da Portmill, que assim comprou 24 por cento das acções do próprio BESA. Esta fraude é clara.
Na altura, o actual governador do BNA, José de Lima Massano, apareceu como o responsável, na qualidade de presidente da Comissão Executiva do BAI (Banco Angolano de Investimentos), pela concessão do segundo crédito, também de 375 milhões de dólares, na mesma altura, para a compra das mesmas acções do BESA. Tanto Massano como os ‘Irmãos Metralha’ sabem do desaparecimento deste crédito, que serviu para o enriquecimento ilícito do referido triunvirato.
Considerado como o ‘rapaz’ de Manuel Vicente na banca, pelos bons serviços prestados a interesses obscuros, José de Lima Massano foi promovido, poucos meses depois, a governador do BNA.
Na segunda vertente, a assembleia-geral realizada a 29 de Outubro de 2014, reúne todos os requisitos para ser declarada ilícita. Massano é o governador do BNA quando se dá a assembleia-geral da pilhagem em Outubro de 2014. A sua mão aparece em todo o lado.
Repare-se que a carreira de Lima Massano acompanha a de Manuel Vicente. Em 1999, Vicente foi nomeado presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol. Manteve-se nesse cargo até 2012. A Sonangol é (foi) o maior accionista do BAI. Portanto, é Vicente quem indica Lima Massano como presidente da Comissão Executiva do BAI em 2006. E possivelmente é o mesmo Vicente quem o aconselha para governador do BNA em 2010, na sua primeira passagem pelo banco central. Nesta data, Vicente estava quase a sair da Sonangol e em ascensão política acentuada, controlando a área económica, tendo vindo a tomar posse como vice-Presidente da República em Setembro de 2012.
Actualmente, a recondução de Lima Massano por João Lourenço como governador do Banco Nacional de Angola também é atribuída ao conselho de Manuel Vicente.
Voltando aos factos, Lima Massano teve um papel fundamental na operação de controlo do BESA pelos ‘Irmãos Metralha’, ou seja, Vicente, Dino e Kopelipa. Lima Massano foi presidente do BAI, do qual a Sonangol era a maior accionista. Essa presidência do BAI coincidiu com o controlo de Vicente na Sonangol. Os mandatos de Massano como governador do BNA também coincidem com períodos de influência de Vicente. Estes são factos coincidentes.
Obviamente, competirá ao Ministério Público investigar em plenitude o que se passou no BESA e tirar conclusões relativamente às causas e efeitos destas ‘coincidências’. O que neste momento é certo é que Lima Massano deu cobertura às actividades de tomada de controlo do BESA pelo então triunvirato presidencial, assim como foi o principal responsável pela concessão de um falso crédito de 375 milhões de dólares, cujo destino deve ser esclarecido por todas as partes envolvidas, uma vez que também se trata de dinheiro público.
Mas, sobre Massano, muito há para dizer. As riquezas de Angola há muito que são saqueadas, tanto por nacionais como por estrangeiros, que as levam para outras latitudes, enriquece muita gente pelo mundo fora, em detrimento dos angolanos, porque Angola tem no comando uns poucos indivíduos sem escrúpulos, corruptos e ladrões.
O que mais espanta actualmente, é saber que os nomes de Manuel Vicente, dos generais Kopelipa e Dino e, também, com maior visibilidade, o de José de Lima Massano, continuam a ser visados nessas histórias.
O actual governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, tem sido o principal pivô de algumas das mais obscuras operações bancárias no país. Entre 2010 e 2015, já tinha sido governador do Banco Nacional de Angola, e desde 2006 até 2010, fora presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI), cargo a que voltou em 2015.
Sublinhe-se que o governador do BNA, José Massano, tem sido acusado de ‘proteger’ o Banco Económico e de ser cúmplice na ocultação do desvio de mais de 2,5 mil milhões de dólares, ocorrido no referido banco, entre Junho e Dezembro de 2017.
No actual caso referente à “Operação Caranguejo”, dadas as evidências, deve a PGR actuar com clarividência, espírito de justiça, de missão, isenção, respeito à lei e patriotismo.

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