Início Política Banco Atlântico é o trampolim do esquema que envolve o major Lussaty e cujos “cabecilhas” começam a ser conhecidos

Banco Atlântico é o trampolim do esquema que envolve o major Lussaty e cujos “cabecilhas” começam a ser conhecidos

por Redação

Algumas verdades começam a vir ao de cima no caso “Operação Caranguejo” e nomes como os de Carlos Feijó, Pedro Sebastião, Edetrudes Costa, entre vários generais, com a conivência do governador do BNA, José de Lima Massano, estão a ser apontados como os “cabecilhas” da mega operação de roubo, cujo rosto é o do major Pedro Lussaty. A casa em que foram apreendidas as astronómicas somas monetárias é propriedade de Carlos Feijó

Depois de, na segunda-feira (24), a justiça angolana ter anunciado a apreensão de vários milhões de dólares, euros e kwanzas, entre outros bens móveis e imóveis, no âmbito de um processo de investigação a oficiais das Forças Armadas ligados à Presidência da República, suspeitos dos crimes de peculato, retenção de moeda, associação criminosa e outros, levantou-se de imediato um clamor de furor e repúdio no seio da sociedade angolana.
De imediato, e trama continua, todas as culpas foram imputadas ao major Pedro Lussaty, chefe das Finanças da Banda Musical da Presidência da República, que foi detido na semana passada quando transportava duas malas carregadas com 10 milhões de dólares e 4 milhões de euros.
O caso, conhecido como “Operação Caranguejo”, fez soar o alarme na opinião pública e nas instituições financeiras, já que foram apreendidos volumes de notas com selos do BNA, entidade responsável pela emissão de notas e moedas de kwanzas no país e que controla a moeda em circulação.
Ante a estupefacção dos cidadãos em geral, que questionam como terá sido possível um simples major, mesmo pertencendo à Casa de Segurança da Presidência da República, ser detentor de tão fabulosa riqueza, entre biliões de dólares, milhões de euros e milhões de kwanzas, para além de dezenas de apartamentos de luxo em Luanda e no exterior do país, dezenas de viaturas topo de gama e dezenas de relógios de alto luxo em ouro e cravejados com diamantes, concluindo-se logo que o major Lussaty era apenas um “testa – de – ferro” de gente colocada muito acima de si.
Como que para “remediar” o que não tem remédio, antevendo-se a “sombra” das tristemente célebres “ordens superiores”, o Banco Nacional de Angola (BNA), num comunicado divulgado quarta-feira (26) no seu ‘site’, esclarece que «recebe dos bancos comerciais as notas que estes recebem do público consideradas superiores às suas necessidades de caixa e disponibiliza-as aos bancos comerciais quando necessário, para assegurar a existência de notas na rede de balcões e Caixas Automáticos (ATM)».
O comunicado prossegue referindo que o BNA coloca notas em circulação exclusivamente através dos bancos comerciais e todos os volumes de notas, novas ou usadas, que saem da sua casa forte para esses bancos têm os selos do Banco Nacional de Angola o que facilita o registo dos movimentos e confirma a proveniência das notas.
«Os valores em questão, em moeda nacional, foram levantados na nossa casa forte por um banco comercial, obedecendo integralmente às regras e protocolos vigentes para o efeito, não tendo ocorrido qualquer falha de procedimentos a nível do Banco Nacional de Angola», garante a instituição.
Porém, a “porca torce o rabo” pela ausência de explicações concretas sobre a posse de avultadíssimas somas em dólares (na casa dos biliões) e euros (milhões) encontradas em malas e caixas, igualmente com selos do BNA numa residência investigada pelas autoridades. Semelhantes quantias como têm saído do sistema oficial para ir parar nas mãos de particulares? Qual o verdadeiro papel em toda a tramóia?
Enquanto isso, o BNA salienta que abriu um inquérito «para averiguar junto do banco comercial em questão as circunstâncias em que aqueles valores foram disponibilizados a terceiros e quais os procedimentos de ‘compliance’ aplicados para assegurar a sua legitimidade». Contudo, escusou-se a revelar a que banco comercial se referia.
Recentemente, levantou-se a questão dos incumprimentos às normas determinadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) por parte de algumas instituições bancárias, de que se destaca o Banco Económico (BE), ligado aos “marimbondos”, que, apesar de consecutivas faltas, tem sido salvaguardado pela própria entidade reguladora, ou seja, o BNA. Ao que se pode entender o mesmo está a acontecer com o dito “banco comercial” nque não se quis identificar.
Em face da gravidade da situação, num momento em que milhares de angolanos morrem de fome, por falta de medicamentos e pela miséria que se alastra vertiginosamente, apesar do aparente secretismo do BNA, o «segredo que se tentava esconder à sete chaves» de imediato veio a público, por alegadas “fugas de informação” vazada por supostos “indivíduos descontentes” com o cáracter selectivo do combate à corrupção, em que uns pagam e outros tantos são salvaguardados e continuam com o saque ao país, que revelaram que o referido “banco comercial” é nada mais nada menos que o Banco Atlântico.
O esquema tem à cabeça o ex-chefe da Casa Civil do antigo Presidente da República e criador da constituição atípica ainda vigente no país e que tem permitido o afundanço da vida dos angolanos, amigo “de dedo e unha” do governador do BNA, José Massano, contando ainda com o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança da Presidência da República, general Pedro Sebastião, o chefe de Gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa, assim como um leque de generais ainda não identificados mas que se suspeita.
Foi também revelado que a casa onde foram apreendidos os volumosos valores monetários é propriedade de Carlos Feijó desde 2015, bem como o “modus operandis” do esquema fraudulento.
Assim sendo, a saída dos altos valores para o exterior faz-se através de um jacto particular alugado para Dubai, cujos serviços têm sido questionados pelas autoridades locais há já algum tempo.
Entretanto, os já referidos descontentes, sublinham que a Procuradoria-Geral da República de Angola, sob “orientações superiores”, procurar baralhar e criar confusão no seio da opinião pública, imputando a propriedade dos bens ao “testa – de – ferro” major Pedro Lussaty, que está a fazer o papel de “bode expiatório”.
Tudo isso visa não deixar vir a público a identificação de altas fuguras o poder para não manchar a imagem do regime.
Recorde-se que o esquema é pura e simplesmente a continuação, ou a repetição, do que já era feito anteriormente quando o general Kopelipa era o chefe da Casa Militar do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
Esta é uma novela que ainda tem muitos capítulos escabrosos a ser exibidos. Voltaremos!
*(Com agências)

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