Início Política Audições a Dino e Kopelipa envoltas em clima de mistério

Audições a Dino e Kopelipa envoltas em clima de mistério

por Redação

A Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria-Geral da República (PGR), ouviu ontem (13), durante 7 horas, o general Leopoldino do Nascimento “Dino”, ao passo que o general Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” foi ouvido nesta quarta-feira (14), igualmente por 7 horas, sem que, no entanto, tenha respigado para a comunicação social os meandros das respectivas audiçõestem a audição.

Licínio Adriano

Na manhã de terça-feira (13) e também na de quarta-feira (14), a sede da DNIAP estava como que envolta num clima de mistério e até ao fim da manhã do dia da primeira audiência nada se sabia acerca da mesma, chegando-se a especular que, mais uma vez, as mesmas tinham sido adiadas.
Entretanto, tudo se desenrolava no maior sigilo, tendo Leopoldino do Nascimento chegado à DNIAP por volta das 9 horas, acompanhado dos seus advogados e começou a ser ouvido logo depois, prolongando-se a audiência até cerca das 16 horas.
Pouco se sabe da audiência aos generais “Kopelipa” e “Dino” na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), órgão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola. Apenas que o general Helder Vieira Dias “Kopelipa”, chefe da Casa Militar da Presidência angolana na era do anterior chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, e o general Leopoldino “Dino” Fragoso do Nascimento, chefe das comunicações no anterior regime, foram ouvidos pela primeira vez desde que foram constituídos arguidos, em Setembro, e que a sessão terá durado sete horas.
O processo, diz a defesa, está em segredo de justiça. E, por isso, nem os generais nem o advogado prestaram declarações à imprensa no final da sessão.
Ambos os generais, que estão a ser defendidos pelo escritório de advogados «Sérgio Raimundo e Associados», «escaparam» dos holofotes da imprensa, mas fonte da DNIAP confirmou a presença dos generais desde cedo.
À saída da audição, o advogado Sérgio Raimundo não prestou qualquer declaração à imprensa, «’temendo’ uma eventual punição da Ordem dos Advogados de Angola (OAA)».
«Não dá (para falar), a OAA agora está muito rígida», disse o advogado, já no interior da sua viatura. Para não serem vistos pelos órgãos de informação presentes no local, a viatura do advogado transportou ambos os generais desde a cave do edifício e à saída, já no portão, a viatura evitou os olhares dos jornalistas e dirigiu-se em sentido contrário.
Uma fonte ligada ao processo garantiu que os dois antigos auxiliares do ex-Presidente da República terão devolvido alguns activos ao Estado. Ambos foram constituídos arguidos há duas semanas e notificados para interrogatório, inicialmente previsto para terça-feira passada, mas adiado a pedido da defesa.
Os oficiais generais gozam de imunidades e não podem ser presos preventivamente antes do despacho de pronúncia, excepto em flagrante delito, por crime doloso punível com pena de prisão superior a dois anos. Em Fevereiro, a PGR anunciou a apreensão dos edifícios CIF Luanda One e CIF Luanda Two, localizados na baixa da cidade capital, em posse da empresa chinesa de direito angolano China International Fund Limitada (CIF).
Os edifícios foram apreendidos no âmbito da Lei sobre o Repatriamento Coercivo e Perda Alargada de Bens e da Lei Reguladora das Revistas, Buscas e Apreensões. O Ministério da Construção e Ordenamento do Território foi constituído como fiel depositário.
Foram, igualmente, apreendidos mais de mil imóveis, no condomínio Vida Pacífica e no Kilamba, construídos com fundos públicos, mas que estavam em posse de entidades particulares.
Como é do conhecimento público, o antigo chefe das Comunicações do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, Leopoldino do Nascimento “Dino”, assim como o ex-ministro de Estado e chefe da Casa Militar, Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, entre outros crimes, são acusados de peculato, branqueamento de capitais e burla, num processo relacionado com uma linha de crédito de 2,5 mil milhões de dólares concedida pelo Banco Industrial e Comercial da China a Angola. Dino e Kopelipa são suspeitos de se apropriarem destes fundos por intermédio da empresa China International Fund (CIF), além de terem igualmente beneficiado de outros negócios no âmbito do extinto Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN).

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