Início Política Artimanhas de Manuel Vicente e comparsas no desvio de fundos públicos

Artimanhas de Manuel Vicente e comparsas no desvio de fundos públicos

por Redação

O Serviço de Recuperação de Activos da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, que recentemente abriu o processo (n.º 9/2020-SENRA) destinado a identificar o patrimônio perdido da Sonangol e detido por privados, conta agora com a colaboração de antigos quadros da SONIP – Sonangol Imobiliária e Propriedades, como consta em um memorando tornado público.

Mwanza Mukondolo

O nome do antigo Presidente do Concelho de Administração (PCA) da petrolífera angolana, Manuel Vicente e os dos seus comparsas, Francisco Lemos, então administrador para as Finanças e Orlando Veloso, antigo diretor da Direção de Engenharia (DENG), continuam a ser citados em cada vez mais revelações que vão surgindo sobre os roubos de que aquela empresa foi alvo, assim como o erário público nacional.
As “engenharias mafiosas” do trio de “gangster’s” eram tão bem urdidas a pontos de enganar o próprio Chefe de Estado e a sociedade em geral em negócios com diversas “empresas”, geralmente “fantasmas”, mas que eram suas propriedades, apenas com “testas de ferro” que assumiam as responsabilidades.
Fontes geralmente bem informadas dão conta que foi realizada, em Junho de 2007, por ordens do citado trio, a venda de um terreno de 68.253 metros quadrados, situado na Avenida Pedro Van-Dunem “Loy”, em Talatona, à empresa Riverstone Oaks Corporation (ROC), pelo preço de 500 mil dólares, ou seja, 7,33 dólares o metro quadrado.
Conforme revelado, nesse terreno, foi construído o condomínio Vila Espa e o Restaurante Kymbu. Mas, não se ficou por aí, porque, na mesma ocasião, a Sonangol “vendeu” também à mesma empresa, ROC, outro terreno de 100.000 metros quadrados, igualmente no interior de Talatona, na Avenida Principal de Talatona – ZR9, pelo valor de 1.050.000 dólares, tendo custado o metro quadrado a 10,50 dólares.
Tais negócios, segundo as fontes, foram considerados “grandes promoções), atendendo o baixo preço de venda por metro quadrado, mas que o PCA Manuel Vicente, alterou oficialmente para 600 dólares o mesmo metro quadrado, como sendo o valor de mercado.
Ainda em 2008, a 6 de Junho, a Sonangol comprou um terreno contíguo ao Condomínio Cajú, Talatona, por 450 dólares o metro quadrado, o que foi considerado um “negócio muito bom”, tendo em conta que, alegava-se, os terrenos naquela área estavam a ser vendidos por 600 dólares o metro quadrado.
Para as fontes, as artimanhas eram montadas de tal forma que, os ativos imobiliários da própria Sonangol se confundiam com os da ROC, porque eram as mesmas pessoas que as geriam.
Na mesma esteira há a estranha ocorrência alusiva à construção do Condomínio Colinas do Sol, propriedade da Riverstone Oaks Corporation – ROC, que é gerido pela empresa Sun Life Hotelaria, curiosamente também pertença da empresa ROC e, todas elas, propriedades do trio de “gangster’s”, Manuel Vicente, Francisco Lemos e Orlando Veloso.
Sublinhe-se que, entre 2006 e 2007, o trio iniciou a construção do Condomínio Colinas do Sol, sito na Via S7A – Talatona, num terreno de 29.400 metros quadrados, comprado ao Governo Provincial de Luanda. O Condomínio conta com mais de 100 apartamentos, de vários tipos, ginásio, bar e 2 restaurantes.
A construtora responsável pela construção deste empreendimento, foi a portuguesa Soares da Costa. Trata-se da mesma construtora responsável pela construção do edifício Sede Sonangol, no mesmo período.
Contudo, segundo informações, os custos de construção do empreendimento, não constam das contas da Riverstone Oaks Corporation-ROC, por terem sido adjudicados aos custos da construção do edifício Sede Sonangol.
No memorando a que se fez referência dos antigos quadros, garante-se que os custos da obra foram pagos pela Sonangol. “A ROC foi quem encomendou a obra à Soares da Costa, tendo a fiscalização da mesma ficado por conta da SIGMA Group. Mas, com o conhecimento e anuência da Soares da Costa, os custos da construção do Colinas do Sol foram impingidos nos custos da obra da construção da Sonangol Sede”..
Sobre este assunto, muita água ainda vai correr por baixo da ponte, considerando que os antigos funcionários estão dispostos a ir até às últimas consequências. Cabe agora à PGR investigar, com base nas denúncias e não só, dos citados funcionários que garantem ter enviado provas contundentes sobre todo esquema, e levar os “larápios” às barras do tribunal.

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