Início Política APAGÃO NA SONANGOL AS COSTAS LARGAS DA CONSCIÊNCIA

APAGÃO NA SONANGOL AS COSTAS LARGAS DA CONSCIÊNCIA

por Redação


“A consciência tranquila é a derradeira garantia dos homens probos”. Na Sonangol tudo continua escuro e a reestruturação em curso confirma tudo isso. Luís Ferreira do Nascimento José Maria, o novo PCA-adjunto da Sonangol, controla todos e tudo (as pequenas e as médias empresas privadas, com muitos empregados, que prestam serviços à Sonangol e com negócios pelo meio), pois, na prática, ele é o verdadeiro PCA, usurpando todos os poderes. Quanto ao Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, o PCA da Sonangol, apresenta-se apenas como uma figura decorativa.  Todos mancomunados! 
Manuel Vicente, ex:PCA da Sonangol, através dos seus pivôs, continua a ditar as regras e a dar as cartas.Teremos em breve uma nova fogueira na Sonangol.
Não há mentira mais irresponsável do que “Estamos no Caminho certo”, apenas porque alguns dados desgarrados da economia, que nem sequer chegam para “fazer moça” melhoraram. O que acontece, é que em cada mês que passa de crise, já lá vão muitos meses, os principais autores ficam mais impunes.Sabemos a história. O governo arredou-se de muitas iniciativas por achar que não sabia, não precisava ouvir ninguém e que podia ou queria fazer mais e melhor. Quando abriu esse universo alegadamente impróprio ou de luta contra a corrupção, deparou-se com muitos casos de branqueamento de capitais e fraudes fiscais.
Lamentavelmente, vamos conhecendo melhor o passado recente do caso. Com mais informação, crescem as perguntas e as razões de perplexidade. Como e porque é que a Procuradoria Geral da República continua a fazer olho grosso ao caso de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais que envolvem os administradores da Sonair, nomeadamente João Alves Andrade, tirado para o escanteio, e Luís Ferreira do Nascimento José Maria, quando tem o retrato da situação financeira do grupo denunciado, há pelo menos 3 anos, pela Isabel dos Santos e plasmado no jornal O Público.       No despacho de encerramento de inquérito, o procurador Carlos Casimiro identificou os nomes dos gestores da Sonangol:
Francisco José Lemos Maria, ex-presidente da holding da Sonangol e sucessor de Manuel Vicente, que detém a sociedade offshore Corelli que terá recebido cerca de 3 milhões de euros;Luís Ferreira do Nascimento José Maria, ex-administrador da Sonair e novo PCA – adjunto da Sonangol,  o dono da sociedade offshore Fixed Capital que terá recebido 2,5 mihões de euros;Mirco de Jesus Martins, enteado de Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola e ex-PCA da Sonangol, o último beneficiário da Halifax Global, SA, localizada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas que terá recebido cerca de 900 mil euros;
Zandre Eudénio de Campos Finda, apontado em diversas situações como testa-de-ferro do general Leopoldino Nascimento “Dino”, que detém a sociedade offshore Kennex Global, SA, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas que terá recebido cerca de 400 mil euros;Fernando Bernardo Mateus, ex-administrador da Sonangol, o dono da Cetus Finantial, SA, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas;
Mateus Sebastião Francisco Neto, ex-administrador da Sonangol, o último beneficiário da Kalumba Limited, das Ilhas Virgens Britânicas;
Raul Coimbra, ex-diretor de Infraestruturas da Sonangol, o dono da Wildsea Holdings Limited com registo nas Ilhas Seychelles e terá recebido cerca de 15 milhões de euros;
Na prática, esta construção jurídica destinava-se, em todos os casos, a engendrar a justificação destes pagamentos indevidos que são impostos a clientes do grupo Sonangol, ou à própria Sonangol, mas como forma de sacar fundos a esta entidade para os atribuir, de forma encoberta e sem manifesto fiscal, a pessoas com cargos de responsabilidade dentro do mesmo grupo Sonangol, lê-se no despacho de encerramento de inquérito do caso Sonair.
Depois de tudo isso é ainda inexplicável a nomeação de Luís Ferreira do Nascimento José Maria pelo João Lourenço, Presidente da República de Angola, e assim lhe permite proteger melhor. Com tantas interrogações resta-nos a explicação possível. Luís Ferreira do Nascimento José Maria, actual administrador da Sonangol, pode ter seguido a máxima popular (adaptada) “se roubares mil o problema é teu; se roubares um milhão o problema é da empresa; no caso, a Sonair, se roubares vários milhões o problema passa a ser do país”. 
Sim, sem o repatriamento de Capitais, sem a intervenção da justiça, sem as novas regras apertadas, o problema é mesmo do país. Se houve um plano de responsabilização do conselho da Administração da Sonair, alguém se esqueceu de que o poder, para alguns casos, não tem a mesma força. 
Observação oportuna: não há comparação possível entre a Sonangol e o BPC. Enquanto que na Sonangol o bolo maior foi dividido entre eles (quadros superiores), no BPC o bolo maior foi dividido entre os recomendados por ordem superior, à semelhança do CAP – Caixa Agro-Pecuária e Pesca . 

 Francisco Rasgado / Chico Babalada Jornal ChelaPress

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