Início Política Angolanos temem pelo futuro diante da maior decadência do país

Angolanos temem pelo futuro diante da maior decadência do país

por Redação

O cenário de penúria é cada vez maior em Angola e as populações mais desfavorecidas cada vez mais vão-seafundando na miséria, atroz e impiedosa. Odesemprego continua a aumentar em diversas áreas, porque o Governo mostra-se incapaz de estimular e apoiar o sector privado, situação que está a preocupar toda a sociedade angolana em geral.

Santos Pereira*

Enquanto o povo sofre, os dirigentes angolanos minimizam a situação evidenciando sentimentos de confiança, dando a entender que está tudo bem, que existeum clima salutar de estabilidade política e social no país, alegando, como sempre, que «a situação está sob controlo», uma tirada para disfarçar a realidade e abafar possíveis ameaças de revoltas, derivadas da crise económico-financeira e da crescente repulsa do povo pela actual governação.

O Executivo refugia-se em discursos, teorias e, tal qual no passado recente, em muita «propaganda enganosa». Em vez de procurar soluções práticas para aliviar o sofrimento e a preocupação crescente dos cidadãos, os governantes perdem tempo a elaborar uma série de temas publictários, usando os órgãos de Comunicação Social públicos, para passar a ideia que a diversificação da economia é um facto e que o país está a produzir de tudo, a pontos de as unidades produtivas, nas áreas da indústria, da agro-pecuária, das pescas, do comércio, etc, etc, terem toneladas e toneladas de excedentes em armazém.

Analistas do cenário político angolano, consideram que as teorias do governo «não passam de mentiras, publicidade enganosa, intoxicação, que demonstra bem a mesquinhez do regime», cujos dirigentes, como tem sido referido, «não têm qualquer capacidade para governar de facto». 

«Se o país tivesse tanta produção como alardeiam, a pontos de haver excedentes em grandes quantidades, não deveria haver tanta carência, tanto desemprego e miséria», destacam os analistas.

O elenco governativo actual, tal como os anteriores, referem ainda, «é ilusionista, gasta enormes somas monetárias com o que não é necessário, ou em proveito próprio, para satisfazer as suas próprias vaidades e justifica-se junto do eleitorado com mentiras esfarrapadas, engana o seu próprio povo e a opinião pública nacional e internacional».

Porém, a realidade é muito diferente. O país continua mergulhado num atraso constrangedor, em vez de progredir, retrocede a cada dia, deixou inclusive de fazer coisas que já eram feitas pelos nossos antepassados, como produzir óleo de palma, que hoje é um dos produtos que mais se importa;  a vida está caríssima e os preços aumentam todos dias para desespero das populações. 

Enquanto isso, o Executivo, em vez de acção, de prática, apenas «produz discursos e teorias»,como se batasse falar para tudo de materializar num «toque de mágica». Contudo as coisas não acontecem assim e o país não sai do buraco em que está atolado, endividado «até ao tutano», como soe dizer-se, e não explica ao povo angolano a verdadeira situação no presente e as perspectivas para o futuro. 

Que país terão as novas e futuras gerações? Eis a questão para a qual o Executivo não tem resposta, porque não sabe a quantas anda no presente. A vaidade e arrogância de cada membro do Governo sobrepõe-se a tudo e todos. Mesmo os deputados, incluindo os da oposição, são todos «farinha do mesmo saco». Os direitos dos angolanos, o cumprimento do dever, a honra pelo juramento prestado, opatriotismo, são válidos para «embelezar» os discursos de circunstância. Mas, na realidade, o que conta para todos eles é a sua barriga e a dos seus familiares; o seu próprio bem-estar, a sua vaidade pessoal, o resto não tem pressa.

De acordo com análises abalizadas, um ponto de vista que é comum aos dirigentes que perfilham a ideia de que «a situação está sob controlo», é o de que nunca se esboçou sequer nenhuma tentativa mínima de sublevação militar (apenas rumores nunca confirmados), nem foi até agora registada em todo o país qualquer demonstração violenta da população contra o Governo e as autoridades do Estado.

O Ministério das Finanças, tem justificado as carências e a falta de pagamentos com a falta crescente de liquidez, situação que, para os analistas, é um contra senso, considerando que, tem-se gasto muito dinheiro em veleidades, em detrimento do que deveria ser prioritário. 

As dívidas internas do Governo são enormes e não têm sido justificadas, como por exemplo, os pagamentos àempreesas que prestaram serviços diversos ao país. 

A este propósito, Vera Daves, actual ministra das Finanças, ao tempo em que era apenas uma alta funcionária de Finanças, afirmou publicamente que 70% da dívida «provinha de entendimentos dolosos entre entidades da administração do Estado e empresas privadas contratadas para, ficticiamente, prestar serviços ou fornecer bens».

Na mesma esteira, o BPC é constantemente objecto de notícias acerca de graves irregularidades cometidas por antigos gestores da instituição ou incumprimentos de altos dirigentes.

Assim sendo, «a estratégia trapaceadora dos governantesangolanos já não enganam as empresas estrangeiras que desconfiam e não acreditam mais nas promessas angolanas, até porque os governantes angolanos aproveitam-se deles para injectar todo o capital nas suas próprias empresas, geralmente de fachada, ficando em dívida o trabalho efectuado pelos outros, como aconteceu até aqui, sublinham os analistas.

Por este andar, o que é que o futuro reserva aos angolanos, num momento em que um grande número de jovens estãoa fugir do país à procura de melhores condições de vida em outras paragens. Nos últimos dias há relatos de que dezenas de jovens têm atravessado a pé a fronteira entre Angola e a Namíbia no intuito de chegar à África do Sul. *(Com agências)

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