Início Política Angola: O paraíso dos corruptos e corruptores*

Angola: O paraíso dos corruptos e corruptores*

por Redação

Angola é um país imensamente rico em recursos naturais, mas que está cotado como um dos mais pobres do mundo por causa da corrupção, fenómeno que impede e perturba o crescimento económico nacional e que bloqueia o correcto funcionamento das instituições e, em vez de progresso, cria a miséria, situação em que vive a maioria dos cidadãos.

O país encontra-se na lista dos países mais corruptos do mundo e com o menor índice de desenvolvimento humano, num país deveria ter um dos maiores crescimentos económicos do mundo.
Por exemplo, um dos maiores esquemas de corrupção acontecidos em Angola tem a ver com a empresa brasileira “Odebrecht”, ao tempo da presidência de José Eduardo dos Santos. A revista Veja, também brasileira, revelou dados contidos num documentos de uma investigação conduzida por autoridades da Suíça, que expunham a extensão do esquema de corrupção da Odebrecht em Angola.
Segundo a Veja, em Maio de 2014, o ex-Presidente Lula da Silva foi recebido em Angola como “convidado especial” do então Presidente José Eduardo dos Santos, com direito a honras de chefe de Estado, tratamento vip e um jato à disposição.
De avião, Lula foi até uma fábrica de açúcar e etanol, na província de Malanje, construída e controlada por meio de uma parceria da Odebrecht com o governo angolano. O ex-Presidente foi o palestrante mais vistoso de um seminário de combate à fome organizado pela Fundação Eduardo dos Santos (Fesa), cujo patrono era o próprio presidente angolano.
Pelos minutos em que falou sobre os programas sociais do seu governo, Lula recebeu quase meio milhão de reais de cachê, pago pela empreiteira brasileira, que um ano depois cairia na rede da “Lava-Jato”. Para conseguir obras e gordos contratos em Angola, a Odebrecht pagou 166 milhões de reais em propinas.
As tramoias da empresa foram reveladas pelo seu ex-director em África, Ernesto Baiardi. Em depoimento, o executivo detalhou como e a quem a companhia pagava subornos para garantir bons negócios no país.
Um dos beneficiários, não por acaso, era exactamente o presidente da Fundação Eduardo dos Santos, Ismael Diogo da Silva. De acordo com Baiardi, Ismael, homem de confiança do ex-Presidente de Angola, recebeu 8,2 milhões de dólares (25 milhões de reais) entre 2008 e 2013. O dinheiro, claro, que devia ter sido aplicado no combate à pobreza tomou outros rumos. No índice global da fome, Angola figura na 95ª posição no ranking de 119 países avaliados.
A Odebrecht também financiou o MPLA, o partido do governo, que comanda o país desde que foi proclamada a independência de Portugal, e implantou uma ditadura comunista — atípica, daquelas em que o povo é pobre e os dirigentes do partido são milionários.
Nas eleições legislativas de 2008, a empreiteira destinou 5 milhões de dólares (15 milhões de reais) ao MPLA. Os subornos da Odebrecht envolveram o alto escalão do governo. Entre 2008 e 2010, a empresa desembolsou 4,8 milhões de dólares (15 milhões de reais) em “vantagem indevida” ao ex-ministro das Finanças de Angola José Pedro de Morais — em contrapartida, ele garantia o pagamento prioritário das facturas da companhia. Na lista de beneficiados da Odebrecht, estavam ainda o então ministro dos Petróleos, o ex-governador do Banco Nacional de Angola e o ex-vice-ministro do Comércio.
O ex-director da Odebrecht em África também confirmou que Taiguara Rodrigues, sobrinho de Lula, foi favorecido com pagamentos de propinas referentes à obra da hidro-elétrica de Cambembe. Ex-vidraceiro, o jovem tornou-se um empresário bem-sucedido, ao assinar contratos milionários com a Odebrecht, sem precisar bater um prego — uma mãozinha financeira que a empreiteira deu ao rapaz atendendo um pedido do tio famoso.
O ex-presidente e seu sobrinho foram réus no processo que apurava fraudes em contratos do BNDES, banco público que emprestou dinheiro para financiar os projectos de infraestrutura da Odebrecht em Angola. Em última instância, era de lá que saía a propina para Lula, José Eduardo dos Santos, Taiguara e outros.

Fome e dinheiro

As negociatas entre Lula e a Odebrecht em Angola também foram reveladas pelo ex-ministro Antonio Palocci. Em um dos capítulos de sua colaboração premiada, Palocci relata pagamentos da Odebrecht ao PT (Partido do Trabalho) no valor de 64 milhões de reais. Esses recursos foram repassados pela empreiteira ao partido em razão dos contratos de financiamento obtidos junto ao BNDES para obras de infraestrutura no país africano.
O caso foi investigado e resultou numa acção penal em que Lula, Palocci e o ex-ministro Paulo Bernardo viraram réus, acusados de arrecadar propinas da Odebrecht para o PT. José Eduardo dos Santos deixou o governo em 2017. A filha dele, a empresária Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, dona de uma fortuna estimada em 2,3 bilhões de dólares.
De acordo com o diplomata e antigo ministro das Finanças, Ismael Martins, as tendências de corrupção vêm desde o início da Independência de Angola.
Para Ismael Martins, na década de 70, este mal só não teve sucesso porque o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, sempre se mostrou contra as práticas que muito mal fizeram ao país depois. *(Adaptado)

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