Início Política Advogado de Manuel Rabelais tenta a todo custo transformar o ‘diabo’ em ‘santo’

Advogado de Manuel Rabelais tenta a todo custo transformar o ‘diabo’ em ‘santo’

por Redação

Segundo a sabedoria popular, «o pior cego é aquele que não quer ver» e «quem defende o diabo, diabo é». Vem isto a propósito da defesa do ex-director do extinto GRECIMA, Manuel Rabelais, condenado a 14 anos e seis meses de prisão, ter-se manifestado ‘surpreso’ com a decisão da Câmara Criminal do Tribunal Supremo.

Japer Kanambwa

Ao longo do julgamento do ‘caso GRECIMA’ ficou bastante claro o empenho do advogado João Gourgel em apresentar o réu Manuel Rabelais como «um verdadeiro anjo», «a melhor pessoa do mundo, um benfeitor do Estado angolano», logo, não havia razões para ser julgado e muito menos condenado.

Após a leitura da sentença, a defesa interpôs recurso da decisão com efeito suspensivo da pena, refutou a argumentação do juiz da causa, chegando ao ponto de dizer que Manuel Rabelais «não causou qualquer lesão patrimonial ao Estado», e argumentou que o crime de peculato é de carácter patrimonial, «ao longo de todo o julgamento, não foi dito, em concreto, qual a lesão patrimonial causada pelo seu constituinte».

Em sua opinião, as declarações do ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Walter Filipe, assim como as de Filomeno Ceitas, ex-PCA do Banco de Comércio e Indústria (BCI), deixaram suficientemente claro que não houve lesão patrimonial ao Estado nas transacções bancárias efectuadas entre o BNA e o Grecima.

Hoje em dia, na nossa sociedade, à semelhança do que acontece em muitas outras pelo mundo, cada vez mais, e pelo que se tem verificado em processos no âmbito do combate à corrupção, vai aparecendo a figura do que se chama «advogado do diabo», que são geralmente indivíduos com formação que, mesmo diante das evidências, optam em «defender o indefensável», até ‘transformam’ «demónios em santos» e vice-versa.

O que tem sido questionado, e deixa muitas dúvidas, é o facto de indivíduos que juraram defender a lei e primar pela Justiça, por causa da ambição, do dinheiro mal adquirido, porque roubado, usam tudo quanto aprenderam para proteger o bem, a favor do mal e da criminalidade.

Tais ‘advogados do diabo’, pelo seu posicionamento, por primarem por pontos de vista em que não acreditam, mas fazem-no simplesmente para apresentar argumentos, defendem causas

indefensáveis, fazendo de tudo para transformar em legal o ilegal e mesmo transformar o ‘diabo’ em ‘santo’.

Para o Ministério Público, ficou provado no julgamento que Rabelais e Santos desviaram dinheiro do Estado e «agiram ardilosamente em seu benefício».

Manuel Rabelais, diga o que dizer a sua defesa, é criminoso e os crimes que cometeu ao longo de todo o tempo desde que chegou, tanto à direcção da Rádio Nacional de Angola, como ao Ministério da Comunicação Social, ultrapassam de longe os crimes de que foi acusado, julgado e condenado no domínio do GRECIMA.

Ao defender que os réus «não tinham que mostrar qualquer arrependimento, uma vez que actuaram em defesa da ‘integridade’ do Estado angolano», o advogado de defesa terá deixado entender que delapidar o erário público «é defender a integridade do país»

Quanto ao património entregue por Manuel Rabelais, João Gourgel esclareceu que os imóveis foram adquiridos antes do período em causa (2016 a 2017). «Mas com dinheiro proveniente de outras ‘engenharias’ enquanto governante», faltou-lhe acrescentar.

A par de Manuel Rabelais, foi igualmente condenado pela Câmara Criminal do Tribunal Supremo o seu assistente, Hilário dos Santos, sob acusação de peculato e branqueamento de capitais, sendo que para este último a pena foi de 10 anos e seis meses.

Contudo, a notícia de que os ‘malabaristas’, mesmo depois de condenados, vão permanecer em suas casas, está a gerar desconforto nos cidadãos, que são de opinião que deveriam esperar pelo recurso na cadeia. Não vá o ‘diabo’ tecer outras teias!

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