Início Mundo Xi Jinping diz que a China “não vacilará” perante pressão dos EUA

Xi Jinping diz que a China “não vacilará” perante pressão dos EUA

por Redação

O Presidente da China declarou sexta-feira (22) que «chantagens, bloqueios e pressão máxima não levam a lugar nenhum» e que o país jamais «cederá, nem será subjugado», num aviso velado aos Estados Unidos.

«A China nunca permitirá que nenhuma força viole ou separe o território sagrado», afirmou Xi Jinping, num discurso proferido no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para marcar o 70º aniversário da chegada à Coreia do Norte dos voluntários chineses que lutaram na Guerra da Coreia (1950-53), para «resistir à agressão norte-americana».
Sem mencionar o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Xi denunciou o «unilateralismo, protecionismo e egoísmo extremos», bem como «actos arrogantes, hegemónicos e hostis, que não levam a lugar nenhum».
«É preciso falar com os invasores na língua que eles conhecem», afirmou, numa referência à guerra travada há 70 anos.
«Uma guerra deve ser travada para deter a invasão e a violência. Deve ser enfrentada com violência. É necessário vencer para conquistar paz e respeito», salientou.
Num forte tom nacionalista, Xi Jinping apelou para um «avanço mais rápido» na modernização das forças armadas da China, e à «união na formidável força que une todos os chineses» para que «lidem com os problemas com a cabeça erguida».
«A China nunca vacilará perante ameaças ou será subjugada. Nós, os chineses, somos firmes e confiantes e olhamos para o futuro com a expectativa do rejuvenescimento desta nação», garantiu.
As declarações surgem um dia depois do anúncio de uma possível venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, ilha que funciona como uma entidade política soberana, mas que Pequim considera uma província rebelde e sobre a qual afirmou já que não renunciará ao uso da força para conseguir «a reunificação» de Taiwan com o resto da República Popular da China.
O Departamento de Estado norte-americano anunciou a intenção de vender três lotes de armas à ilha, incluindo mísseis SLAM-ER e unidades HIMARS, um sistema de lançamento múltiplo de mísseis.
A China e Taiwan dividiram-se em 1949, quando os nacionalistas se refugiaram na ilha, após perderem a guerra civil para os comunistas, que governam a República Popular da China desde então.
O Presidente chinês lembrou que há 70 anos as tropas chinesas e os norte-coreanos derrotaram os rivais e «destruíram o mito da invencibilidade do Exército dos Estados Unidos».
«Nós destruímos o plano dos agressores. Após a vitória, os chineses finalmente puderam remover o rótulo de serem ‘os doentes do Leste Asiático’», apontou.
«Mostrámos ao mundo a coragem das nossas forças armadas para lutar e vencer», acrescentou, indicando ainda que cerca de 197 mil chineses morreram no campo de batalha.
O líder chinês assegurou que a participação da China na Guerra da Coreia mostrou o compromisso com a salvaguarda da paz mundial e apelou aos chineses para «promoverem o espírito dessa guerra».
Ao mesmo tempo, defendeu que Pequim «não procura a expansão» e «está preparada para trabalhar com o mundo».
«O desenvolvimento pacífico e a cooperação mutuamente benéfica continuam a ser o caminho certo», reiterou.
A relação entre a China e os Estados Unidos deteriorou-se rapidamente nos últimos dois anos, com várias disputas simultâneas entre as duas maiores economias do mundo. Em Pequim e em Washington, referências a uma nova Guerra Fria são agora comuns.
À guerra comercial e tecnológica ou à luta diplomática e ideológica juntaram-se renovadas tensões em torno de Taiwan ou da soberania do mar do Sul da China. (In NM)

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