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Turquia vira baterias para África e assedia Guiné Equatorial

por Redação

O embaixador turco na Guiné Equatorial, até 2019 era não residente, e cobria o país a partir dos Camarões. A Turquia tinha então apenas um cônsul honorário em Bata. A primeira embaixadora, Sebnem Cenk chegou ao país no ano passado, ficando em instalações provisórias até ao momento atual.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, depois de um périplo pelo Mali e Togo, participou, em Julho, na inauguração da nova embaixada da Turquia em Malabo, evidenciando a crescente importância de África na respectiva agenda externa.
O edifício foi construído num terreno de 10 mil m2, cedido pelo governo do Presidente Teodoro Obiang, e a data da inauguração coincidiu com o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas bilaterais. Trata-se da 42 ª embaixada da Turquia em África.
A longa permanência no cargo de ambos os Presidentes, Teodoro Obiang e Recep Erdogan da Turquia, tem vindo a facilitar os contactos pessoais à margem das cimeiras Turquia – África em 2008 e 2014, a última das quais teve lugar em Malabo. Teodoro Obiang visitou a Turquia três vezes nos últimos dois anos. O vice-presidente turco Fuat Oktay esteve igualmente na cerimónia do 50º aniversário da independência da Guiné Equatorial em 2018.
Apesar do contexto de dificuldades financeiras, espera-se que a Guiné Equatorial venha a abrir embaixada em Ancara proximamente, cumprindo a reciprocidade diplomática. Atualmente é a embaixada em Bruxelas que cobre a Turquia.
As relações comerciais bilaterais, que rondam os 50 milhões de dólares/ ano, são ainda pouco diversificadas, com a Guiné a exportar gás natural para a Turquia, pretendendo-se com a aproximação alargar o relacionamento, nomeadamente com a assinatura de um acordo de comércio e de proteção e promoção mútua de investimentos.
A importação de gás pela Turquia está a cargo da BOTAS Petroleum Pipeline Corporation, subsidiária da Türkiye Petrolleri Anonim Ortaklığı (TPAO), detidas pelo Estado em 100%.
A Turkish Airlines, no âmbito do alargamento das rotas aéreas em África, tem vindo a voar visto de negócios de 30 dias. Os voos estão actualmente suspensos, devido à pandemia.
A comunidade expatriada turca em Malabo, cerca de 150 pessoas, está na sua maioria ligada à construção civil, setor aeroportuário e mobiliário. O Centro Internacional de Congressos de Sipopo e a sede do Governo em Oyala foram construídos por empresas turcas.
A empresa turca Adnan Bostan Furniture, com sucursal na Guiné Equatorial, tem sido a principal fornecedor de mobiliário de luxo de hotéis e residências do regime. O próprio dono da empresa e CEO, Adnan Bostan, representa a parte turca no Conselho de Negócios Turquia-Guiné Equatorial, criado em 2014.
Adnan Bostan, da área política de Recep Erdogan, tem sido o principal veículo dos interesses turcos em Malabo, passando lá algumas semanas por ano. O projeto de construção de um colégio turco esteve no planos de Adnan, mas foi entretanto adiado. Gregorio Boho Camo, presidente da Câmara de Comércio da Guiné Equatorial, representa o país no projeto.
Para além dos mecanismos oficiais e de negócios, os partidos políticos que sustentam os dois regimes têm vindo a criar mecanismos de intercâmbio e contatos ao abrigo de um acordo de cooperação entre o turco AKP e o PDGE, cuja direcção se deslocou a Ancara em 2019.
A estratégia turca em África foi iniciada com o Plano de Ação Africano no final dos anos 1990, antes da chegada ao poder de Recep Erdogan. Em 2008, a União Africana oficializou a Turquia como parceiro estratégico, abrindo espaço à mais rápida penetração dos interesses de Ancara.
A criação de escolas e mesquitas e o reforço da atuação de ONG’s como o Crescente Vermelho têm sido um instrumento de “soft power” que abre caminho a uma maior influência empresarial e política, onde o setor da Defesa e Segurança assume prioridade crescente.

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