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Soberania marroquina sobre Sahara Ocidental continua a receber apoios internacionais

por Redação

A abertura de consulados diplomáticos no território do Sahara Ocidental constitui um reconhecimento expresso da «marroquinidade» do território e negação da ideia do Sahara Ocidental como Estado independente.

Mwanza Mukondolo*

De acordo com notícias, o Reino de Marrocos continua a ganhar terreno político em África na questão do Sahara Ocidental, território ainda não reconhecido internacionalmente como parte da soberania marroquina, mas administrado de facto por Rabat.
Nesse sentido, 15 consulados foram já inaugurados nas duas principais vilas do território do Sahara Ocidental, dos quais 8 em Laayoune e 7 em Dakhla, esperando-se novas decisões nesse sentido por parte de outros países africanos nas próximas semanas.
As últimas aberturas datam de 23 de Outubro do corrente ano, por parte da Guiné Bissau, Guiné Equatorial e Burkina Faso, e de 27 do mesmo mês, pela Zâmbia e Suazilândia.
Contam-se ainda, entre os países que decidiram abrir consulados, reconhecendo assim a posse do Sahara Ocidental por Marrocos, São Tomé e Príncipe, que abriu um Consulado-Geral em Laayoune a 23 de Janeiro, a custas de Marrocos.
A ex-ministra dos Negócios Estrangeiros são-tomense, Elsa Pinto havia anunciado em 2019 a intenção de promover uma política de reaproximação à Argélia, visando a obtenção de novas ajudas.
Na cerimónia de abertura de consulados em Dakhla, a 23 de Outubro, promovida pelo governo marroquino, a Guiné Equatorial esteve representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Simeon Esono Angue e a Guiné-Bissau, pela ministra dos Negócios Estrangeiros Suzi Barbosa.
A Guiné Equatorial tem relações historicamente próximas com Marrocos, desde a amizade pessoal entre o falecido monarca Hassan II e o Presidente Teodoro Obiang Nguema, assim como relações económicas fortes, sobretudo através da «Somagec». A cooperação militar e de segurança entre os dois países é igualmente próxima.
Realce-se que, Marrocos, que inaugurou em Outubro a sua nova embaixada em Bissau, tem aumentado a sua influência na Guiné-Bissau, sobretudo após a visita do Rei Mohamed VI em 2015. Rabat financia vários programas locais e atribui uma quantidade significativa de bolsas de estudo para estudantes guineenses, que deverão mesmo ser aumentadas para 2021.
Suzi Barbosa deslocou-se a Rabat a 26 de Outubro em visita oficial, tendo assinado 5 acordos nas áreas da Saúde, Energia, Agricultura e Águas, tendo sido decidida a criação de uma Comissão Mista para a implementação dos acordos e relançamento da cooperação. Marrocos também irá participar na dragagem do porto de Bissau, provavelmente a cargo da construtora «Somagec».
O Reino de Marrocos apostou, durante décadas, para que não se reconhecesse oficialmente a República Árabe Saharaui Democrática (RASD), expressão institucional da Frente Polisário (FP), movimento independentista saharaui.
Nesse período, negociou contrapartidas pela retirada do reconhecimento por parte de alguns países, sobretudo africanos e latino-americanos. Esta estratégia entrou em concorrência directa com a Argélia que, através da sua influência sobre partidos históricos das independências africanas, conseguiu que grande número de Estados reconhecesse a RASD e concedesse estatuto diplomático aos representantes da Frente Polisário.
A relevância destas estratégias concorrentes prendia-se não só com o prestígio internacional de ambos, mas igualmente com o peso dos respectivos apoiantes na Assembleia Geral da ONU, para votação de resoluções sobre o território.
Na base da nova estratégia africana de Marrocos, apoiada pela França, está a resolução da questão pendente do Sahara Ocidental e a sua integração definitiva na soberania do país.
*(Com Agências)

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