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Entrevistas Entrevista com Apresentadora Adriana Bombom

por Redação

Por: Joacles Costa, correspondente do jornal 24 horas no Brasil

Bombom | “Num passado remoto eu já senti determinadas discriminações, principalmente quando eu não era uma artista conhecida, mas isso nunca foi fator que me levou a me vitimizar e nem a desistir de meus objetivos.’’

Adriana Bombom é apresentadora e repórter. É referência de beleza, personalidade como mulher negra, saúde e alto astral, trabalhou por mais de 10 anos na Rede Globo como dançarina ao lado do You Can Dance e das paquitas na época do Planeta Xuxa. Artista popular carismática com público de todas as classes sociais e faixas etárias. Divertida e articulada com capacidade de improvisação e interação. Possui público amplo no Brasil e em outros países como Portugal, Argentina, Angola e Moçambique. Primeira musa fitness brasileira e continua sendo referência neste mercado. Rainha de Bateria da Portela, Vila Isabel, Tradição, Tom Maior, Nenê de Vila Matilde e musa do Salgueiro e Grande Rio.
Em 2006 teve um programa de atrações musicais “Bom Demais” na TV Record Rio. Em 2009 Participou da 2ª edição do reality show A Fazenda. Logo em seguida, de 2009 à 2019, foi repórter na RedeTV, realizando pautas com celebridades no programa TV Fama “Bombando com Adriana Bombom” e em 2017 vou a integrar o elenco de participantes do reality show A Fazenda: ‘’Nova Chance’’, sendo eliminada na segunda semana de confinamento.

Joacles Costa: Como foi o início da sua carreira como profissional de dança no programa de Tv da Xuxa, na Rede Globo?
Adriana Bombom: Eu comecei a trabalhar como figurante nos programas de Rede Globo (Faustão, Os Trapalhões, Novelas, Comerciais e etc…) Numa certa vez, eu fui fazer figuração num programa da Xuxa e durante o intervalo das gravações ficou uma música tocando e eu comecei a dançar junto com galera. Foi nesse momento que a Marlene Matos, que era Diretora do programa, me viu dançando e me chamou perguntando se eu gostava muito de dançar…. Dalí então é que veio o convite para integrar o grupo de dançarinas do programa…. E ali eu continuei então até a Xuxa deixar a Globo. Fui a única das dançarinas que nunca foi substituída, e fui a única dançarina negra dos programas da Xuxa.

Joacles Costa: Qual ou quais são os melhores momentos que você já viveu na vida?
Adriana Bombom: Tenho tantos momentos bons que não consigo contar aqui. Mas sobre os meus melhores momentos profissionais, penso que foram os momentos vividos durante as nossas turnês internacionais e quando aconteciam os megashows que lotavam estádios como o Maracanã. Aquilo tudo era muita emoção para uma garota que viveu uma infância pobre, anônima e restrita aos muros de um orfanato. Era demais estar me apresentando ao lado de um ícone como a Xuxa, fazendo parte de seu elenco, e enfrentando uma plateia de milhares de pessoas vibrando com a gente.

Joacles Costa: E qual o momento mais difícil já vivido?
Adriana Bombom: Foi no início da minha adolescência, pois em razão da falta de recursos de minha mãe eu tive que ir morar num orfanato, e embora fossemos muito bem tratadas lá dentro, vivíamos uma vida confinadas e sem contato com a família. As visitas da minha mãe eram muito restritas. Eu era sozinha e tinha apenas minha irmã comigo no mesmo orfanato. Eu me limitava a ir para a escola e a assistir os programas de TV e as novelas, e sonhava que um dia poderia viver uma vida como a vida daqueles personagens e artistas.

Joacles Costa: Quais seus hábitos para manter a boa forma física e mental?
Adriana Bombom: Eu procuro ter uma alimentação saudável, gosto de comer comida caseira e não sou muito ligada em produtos industrializados nem gosto muito de fast food. Faço exercícios físicos com frequência, durmo bem e tomo suplementos vitamínicos. Sobre a saúde mental, sou uma pessoa leve e bem-humorada, que não fica remoendo magoas e nem me preocupando muito com o futuro.

Joacles Costa: Quem é esta mulher Empoderada chamada Adriana Bombom?
Adriana Bombom: Sou uma pessoa que gosta de viver bem a vida em todos os seus momentos. Sou sociável e gosto de estar perto de gente de bom humor. Adoro viajar, adoro festas, mas quando fico cansada, também gosto de ficar curtindo minha casa. Sou romântica e muitas vezes fico com meu marido tomando drinks em casa, ouvindo música e namorando. Lido muito bem com meus fãs e seguidores e sempre faço o possível para atendê-los quando me solicitam em eventos e até mesmo quando me abordam na rua. Gosto de estar junto da natureza e da simplicidade da vida no campo, mas também me sinto muito à vontade em qualquer ambiente sofisticado. Faço amizades em qualquer lugar que eu esteja, inclusive quando viajo para fora. Enfim, sou uma mulher super de bem com a vida e penso que a simples oportunidade de estar viva é o que me leva a pensar que o mundo é a minha casa e que a felicidade é agora.

Joacles Costa: Vivemos num país em que há uma mescla de tons de pele. Entretanto, a maior parte da população brasileira afirma não ser racista nem preconceituosa. Mesmo assim, você sendo uma profissional conhecida e respeitada no meio artístico, já sofreu ou ainda sofre por questões raciais e discriminatórias? Se sim, quais são esses tipos de situações?
Adriana Bombom: Eu posso dizer que num passado remoto eu já senti determinadas discriminações, principalmente quando eu não era uma artista conhecida, mas isso nunca foi fator que me levou a me vitimizar e nem a desistir de meus objetivos. Muito pelo contrário, eu era uma simples filha de empregada doméstica, vivi a infância e parte da minha adolescência num orfanato e depois vim morar em Ipanema. Aí eu olhava aquelas meninas ipanemenses burguesinhas e lindas e pensava comigo: “Eu quero uma vida igual a delas… quero ir para os mesmos lugares que elas vão, quero me vestir como elas”… E aí eu fui atrás de meu espaço e consegui vencer na vida. Mesmo antes de ser artista, eu arrumei bons trabalhos em boutiques da moda na Zona Sul e fiz boas amizades, com pessoas que tinham condição social melhor que a minha… E apesar de ser negra e de origem humilde, muita gente me acolheu bem. Eu acho que o problema do preconceito não se deve somente à cor da pele, mas principalmente ao comportamento das pessoas. Muitas pessoas querem reivindicar um tratamento igual, mas tem comportamentos inadequados. Eu acho que o preconceito sempre irá existir em qualquer lugar do mundo. E o preconceito não é só contra negros. O preconceito existe contra uma enormidade de outros casos: contra gays, contra nordestinos, judeus, orientais, gordos, deficientes, etc… E até mesmo contra loiras bonitas!!! Basta você ser diferente de um determinado grupo que o preconceito vai aparecer. Para vencer o preconceito é preciso ter acima de tudo atitude, mas muita gente acha que ter atitude é ter atitude combativa… Eu nunca tive atitude combativa, mas derrubei muito preconceito com meu bom humor e educação, fazendo de conta que aquilo não era comigo.

Joacles Costa: Ao mensurar a construção da sua carreira artística e ter alcançado o objetivo de chegar onde chegou, você estaria disposta e preparada para deixar tudo, aqui no Brasil neste momento; e receber um convite para viver uma carreira internacional?
Adriana Bombom: Sim, claro, pois como já lhe disse acima, eu considero o mundo, o meu lugar, independentemente de região geográfica. Me adapto bem e seria uma grande realização para mim.

Joacles Costa: Quais os exemplos de vida que você quer deixar registrados para as próximas gerações lembrarem, estudarem e aprenderem sobre você?
Adriana Bombom: Viver uma vida com alegria, buscando a realização dos sonhos com trabalho e honestidade, sabendo ter resignação nos momentos ruins e sabendo desfrutar e compartilhar dos momentos bons. Não remoer magoas e olhar para frente buscando sempre os melhores modelos de vida e de pessoas.

Joacles Costa: Quais são os projetos que você ainda tem a realizar?
Adriana Bombom: Gostaria de ter um bem sucedido programa de TV, na linha de um programa de auditório, ou programa de entrevistas com celebridades, ou um programa musical, ou ainda algum programa focado em culinária. Também tenho como projeto futuro, a organização de uma entidade filantrópica, focada em crianças. Penso nisso até mesmo em retribuição ao que recebi de ajuda na minha infância, no orfanato, onde apesar do isolamento da família eu fui muito bem tratada.

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