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Entrevista com escritor Francisco Aurélio

por Redação

Por: Joacles Costa, correspondente do jornal 24 horas no Brasil

Joacles Costa: Quantas publicações você tem?
Francisco Aurélio Ribeiro: Muitas. Mais de 50. Já perdi a conta (risos).
Francisco Aurélio: Escrevo quando sinto necessidade. Às vezes, a vontade surge, diante de algum fato ocorrido ou de uma lembrança. Geralmente, escrevo crônicas, pois publico em A Gazeta (Jornal local) há mais de 30 anos. Hoje, na edição online, faço mais artigo de opinião do que crônica. O mundo não está para a leveza e o humor que a crônica exige.

Joacles Costa: Como você acha neste momento que o Espírito Santo lê a sua obra?
Francisco Aurélio: Nem sei se lê mais (risos). Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual sufocou a leitura de livros impressos. É um tempo histórico, de muitas mudanças, este em que vivemos.

Joacles Costa: Você se inspira em imagens cotidianas, em cenários da realidade capixaba, no imaginário da cultura tradicional para escrever?
Francisco Aurélio: Geralmente sim. É o cotidiano e sua realidade que me inspiram. Atualmente, além dos textos para o Jornal A Gazeta, das pesquisas que faço sobre escritores do passado, o que mais tenho escrito são histórias para crianças, falando de minhas experiências com animais e a natureza em meu sítio, em Domingos Martins.
Francisco Aurélio: A morte de quem se ama é, sempre, o tema mais difícil. Como perdi o pai aos dez anos e a mãe aos dezoito, nunca me esquivo de falar desse tema doloroso: nascemos para morrer. Desde o instante em que se nasce, já se começa a morrer, nos lembra Cassiano Ricardo e tantos outros.

Joacles Costa: A essa altura da vida, ainda há muita coisa preciosa guardada que nunca foi dita nem contada em livro?
Francisco Aurélio: Acho que sim. A vida e a escrita são frutos da imaginação. Enquanto o Alzheimer não chegar, sempre haverá imaginação e história pra contar (risos).

Joacles Costa: Quais são, para você, as principais questões problemáticas com as quais o escritor se depara hoje no Espírito Santo? Esses problemas impactam e impedem o surgimento de novos escritores? Se sim, como? Se não, o que continua movimentando a escrita literária a despeito desses constrangimentos?
Francisco Aurélio: O principal entrave para o escritor capixaba é a divulgação de suas obras. Ele até consegue publicar, mas fazer essa obra circular e chegar ao leitor é que é o problema. Não existem políticas públicas de valorização do autor capixaba. Nem para os velhos autores como eu, nem para os novos que estão chegando.

Joacles Costa: Você já escreveu muitos livros, é professor, palestrante, colabora com jornais, revistas, participa de seminários e palestras em diversos locais. Como concilia todas essas atividades?
Francisco Aurélio: Tive de dar um tempo com cursos e palestras por causa da pandemia, mas não parei. Escrevi dois livros nesse período, um didático e outro de pesquisa sobre um grande escritor capixaba, o Professor Amâncio Pereira (1862-1918), hoje esquecido. Organizei a Revista da AEL 2020 e terminei um livro para crianças que deve sair até o final do ano, “Histórias do Cantinho do Céu”. Quando isso passar, boto o bloco e a cara na rua. Estou morrendo de saudades dos lançamentos de livros, dos encontros com os leitores, de visitas a escolas etc. Enquanto isso, vamos trabalhando at home.

Francisco Aurélio é responsável pela orientação de teses de mestrado na área de letras da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES. Participa também de diversas bancas de Defesa de Dissertação. Desenvolveu diversos trabalhos de pesquisa na área de literatura, possuindo mais de 50 livros publicados (gêneros infantil, crônica, conto e pesquisa) e vários artigos de sua autoria. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e à Academia Espírito-santense de Letras, da qual foi presidente em três mandatos.

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