Início Economia Não bastam palavras e intenções, o Estado angolano tem de gastar dinheiro para criar empregos

Não bastam palavras e intenções, o Estado angolano tem de gastar dinheiro para criar empregos

por Redação

A CEDESA, entidade que estuda assuntos de Angola, apelou ao Estado angolano para que gaste mais dinheiro na criação de emprego, porque o país deverá atingir este ano um excedente orçamental entre 2,3% e 2,75% e sair da recessão

“Entendemos que o desemprego é um caso especial, que deveria ter um tratamento diferenciado, quer estatisticamente, quer ao nível das políticas públicas”, defende a Cedesa, num relatório divulgado recentementeeste.

Aquela instituição apelou às autoridades angolanas para que “desenvolvam um programa de tipo keynesiano de promoção de emprego, eventualmente com recurso a capitais disponíveis do combate à corrupção”, como já tem sido defendido em outros relatórios.

Para a Cedesa, “o Estado tem de gastar dinheiro na criação de emprego” porque “é evidente que não vai ser o mercado ou a economia privada a resolverem, no curto-prazo, o problema da falta de emprego, sobretudo jovem” em Angola.

Em termos de estatísticas, considera que o país deve apurar “melhor quem está ocupado com actividades informais produtivas remuneradas e quem não consegue efectivamente obter qualquer trabalho remunerado, mesmo querendo”.

Porque “há que evitar enviesamentos estatísticos que perturbam a adequada compreensão da realidade”, afirma.

Ao contrário de outras previsões internacionais, que apontam para o agravamento da situação económica de Angola na reta final do corrente ano, a Cedesa prevê que este ano o país saia da recessão económica e tenha um excedente orçamental “entre 2,3% e 2,75%, dependendo da evolução do preço do petróleo”.

“O nosso modelo prevê que no ano de 2021 a economia angolana saia da recessão, e o crescimento do PIB atinja entre 1,4% e 1,75%”, afirma em documento a entidade.

Além disso, a Cedesa “aponta para um excedente orçamental entre os 2,3% a 2,75%, dependendo da evolução do preço do petróleo até ao final do ano” e realça que, “considerando a evolução da cotação do câmbio do Kwanza (moeda angolana)” a sua previsão é de que, em 2022, “o rácio dívida pública/Produto Interno Bruto (PIB) se situe abaixo dos 100%, obtendo uma maior consolidação”.

Consequentemente, “prevê-se que o período inicial de forte ajustamento e contração da economia angolana chegue ao fim este ano”, se não houver “mais choques e controlando-se mundialmente a pandemia Covid-19”.

O grupo de académicos explica ainda que as suas perspectivas entram em conta com vários factores, destacando os principais, como o cálculo do preço do petróleo, “sempre um elemento determinante na economia angolana”.

Assim, admitem que “o preço do brent manterá uma ligeira tendência de apreciação situando-se a um nível entre os 65 a 75 dólares (USD) por barril”.

“Faz parte também do nosso modelo uma relativa estabilização ou eventual apreciação do Kwanza face ao dólar e euro, o que permite inverter algumas quebras do passado que foram meramente nominais devido à flexibilização da taxa de câmbio”, refere.

O grupo tomou ainda em linha de conta uma “recuperação mundial pós Covid-19” que “trará ânimo às exportações da economia angolana, como aliás já está a acontecer com a China”.

Por último, antecipa que “paulatinamente o ambiente para o investimento externo irá melhorando, fruto das reformas legislativas e do empenho do poder político”.

“Temos como exemplo recente os vários anúncios provenientes da Turquia. No final de julho de 2021, Angola e Turquia celebraram 10 acordos de cooperação, nos domínios da economia, comércio, recursos minerais e dos transportes, tendo já sido anunciado um aumento da balança comercial com Angola num valor a rondar os 500 milhões de dólares (424 milhões de euros)”, assinalam.

Do ponto de vista dos obstáculos à recuperação, realça “a falta imensa de capital”, um elemento “essencial para qualquer retoma sustentada”, e também “a inexistência de diversificação da economia”, bem como “a persistência da burocracia administrativa”.

                                                                                                                                         (Com agências)

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