Início Economia FMI prevê melhoria na economia angolana apenas entre 2023 e 2024

FMI prevê melhoria na economia angolana apenas entre 2023 e 2024

por Redação

FMI contraria previsões económicas favoráveis que prevêm que a economia angolana pode crescer entre 2 a 3% ainda este ano

O FMI prevê o prolongamento da recessão económica em Angola iniciada em 2016, antecipando nas suas mais recentes projecções uma quebra de 0,7% da actividade económica em 2021.
O crescimento previsto para 2022, 2,4%, é inferior à quebra registada em 2020 (4%), pelo que apenas em 2023 ou 2024 o país deverá regressar a níveis económicos pré-pandemia.
As previsões do FMI vão ao encontro de outras recentes (Economist Intelligence Unit e Standard & Poor´s) e contrariam as do Governo, que apontam para um crescimento ligeiro em 2021.
Apesar da subida do preço do petróleo, indústria que continua a constituir a base da economia angolana, a produção petrolífera tem vindo a recuar continuamente, para cerca de 1 milhão de barris/dia, reduzindo o impacto na actividade económica. Dado que grande parte da produção petrolífera está consignada ao pagamento de créditos (sobretudo à RP China), o impacto da subida do preço do petróleo é registado sobretudo ao nível das finanças públicas, nomeadamente dos défices.
Entretanto, especialistas referem que a redução da actividade económica, apontada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), resulta de um efeito contabilístico.
“A nossa expectativa para 2021 é de um crescimento sustentado na actividade económica não petrolífera, começando-se a verificar de modo gradual alguns efeitos de diversificação económica”, escrevem os analistas, numa nota sobre os últimos números do INE, em que dão conta de uma queda de 3,4% no primeiro trimestre face ao período homólogo de 2020, e de uma subida de 0,2% face ao trimestre anterior.
“Face às previsões do Governo e do FMI, estamos cautelosamente mais optimistas”, apontam os analistas, estimando um crescimento do PIB entre 2 e 3% já este ano.
Numa nota, os analistas explicam que a queda do PIB é originada pela “variação do volume produzido de crude, que, por efeito contabilístico, leva a uma quebra na actividade económica medida, apesar do muito significativo aumento de receitas que deverá ocorrer este ano, por via de preços mais elevados”.
Este método, explicam, “implica que, apesar de um claro aumento das receitas petrolíferas este ano devido ao enorme crescimento do preço (para as empresas, em termos fiscais, e na disponibilidade de divisas), a contabilização para efeitos de PIB será sempre negativa porque o volume, em barris, do crude exportado, está em queda”.
Ainda assim, alertam, a melhoria no crescimento da economia só chegará à população se o efeito for prolongado no tempo. (Com agências)

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