Início Economia Financiamentos do FMI não têm tido impacto positivo visível na vida dos angolanos

Financiamentos do FMI não têm tido impacto positivo visível na vida dos angolanos

por Redação

Especialistas entendem que Angola está no seu direito, como membro, de recorrer ao financiamento do FMI, mas alertam que o Governo peca na utilização destes recursos por não terem qualquer impacto positivo na vida das pessoas

O assunto tem sido dos mais badalados nas últimas horas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um novo desembolso imediato de 772 milhões de dólares do programa de ajuda financeira a Angola, perfazendo já um total de 3.900 milhões de dólares entregues ao Governo.
Para o consultor económico Galvão Branco, é uma boa aposta, mas o Governo deve tirar o melhor proveito desses investimentos.
«É preciso que as políticas económicas e financeiras recorrentes destas ajudas do FMI sejam acompanhadas de um verdadeiro impacto no crescimento económico, mas também nas questões sociais graves que temos, é necessário uma componente interna que faça com que haja um impacto dramático ao nível das desigualdades sociais e do rendimento dos cidadãos e isto não depende do FMI, mas da parte angolana que tem que sentir esta situação», sustenta o especialista.
O economista Américo Vaz também diz apoiar o recurso ao FMI, mas lamenta que «os investimentos públicos não tenham nenhum tipo de qualidade».
«Todas as engenharias feitas no âmbito destas linhas de crédito, e refiro-me às bilaterais como as multilaterais, os valores são absorvidos sem qualquer impacto positivo para a economia, as obras como estradas, centralidades, etc., são desprovidas de qualidade, deixam de facto muito a desejar, é necessário que se fiscalize estas empreitadas daqui para a frente», defende Vaz.
Quando o programa foi aprovado, em 2018, foi orçado em 3.700 milhões de dólares, mas recebeu um acréscimo de 765 milhões de dólares para, segundo o FMI, apoiar as autoridades angolanas a mitigarem o impacto económico da Covid-19.
A decisão de desembolsar mais 772 milhões de dólares segue-se à quinta revisão do programa económico de Angola feito pelo FMI que disse numa declaração emitida na quarta-feira (09) que os efeitos da pandemia continuam a ser sentidos, mas que as autoridades «apoiaram a recuperação através de políticas sólidas que têm como objectivo estabilizar a economia, criar oportunidades para o crescimento inclusivo e proteger os mais vulneráveis da sociedade angolana».
Entretanto, os cidadãos angolanos querem saber em quê está a ser realmente empregue o dinheiro proveniente do FMI e de outras instituições e dos muitos empréstimos que têm sido feitos pelo Governo. Os cidadãos têm o direito de saber, porquanto são eles quem pagam as facturas desses valores de que não beneficiam um centavo sequer.
Desde que João Lourenço tomou posse como Presidente da República, muito dinheiro tem entrado para o país, sem falar do dinheiro do petróleo e dos diamantes, entre outras riquezas naturais que são «sugadas» desregradamente, mas não se sente o impacto do que se alardeia que tem sido feito e que possa justificar avultados gastos. A menos que os valores estejam a ser divididos entre as elites do regime, como já aconteceu anteriormente e continua no mesmo rumo. *(Com Agências)

Poderá também achar interessante