Início Economia Crise económica,maka nas Finanças e descontentamento no MPLA

Crise económica,maka nas Finanças e descontentamento no MPLA

por Redação

O Executivo angolano liderado pelo MPLA, que governa o país desde a sua ascensão à independência, acomodou-se na exploração do petróleo para resolver todos os problemas nacionais e ignorou (por ingenuidade ou propositadamente) todos os sectores de desenvolvimento da economia da nação. Actualmente, depois de décadas consecutivas de desbarato, saque desenfreado das riquezas e de uma administração gerida na base de teorias baratas, todas as culpas para a crise, a miséria a que votaram as populações e as dificuldades para corrigir erros, são atiradas para o baixo preço do petróleo

Francisco Manuel

A situação drástica em que se encontra o país, cujos contextos de movimentação orçamental agravam-se consecutivamente por causa da queda vertiginosa do preço do petróleo, a que se vai acentuar ainda com a quebra abrupta das receitas petrolíferas pelo corte de 10% nas exportações obrigatórias pelas decisões da OPEP, aumentaram os constrangimentos do Executivo, que foi obrigado a rever em baixa o Orçamento Geral do Estado (OGE) para o ano corrente.

De acordo com fontes geralmente bem informadas, no seio dos dirigentes do MPLA, partido governante, habituados a considerar as finanças do país como “sua lavra” e cada um “colhe” à vontade, impera um acentuado mal-estar que já dura algum tempo.

Tal situação está a agravar-se cada vez mais nos meios empresariais e no sector bancário, por considerarem que a equipa de coordenação económica do Governo não se tem empenhado o suficiente para encontrar soluções, paulatinas, para a resolução dos problemas da economia angolana.

Não é novo que Manuel Nunes Júnior, ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico, é bastante contestado desde a era Archer Mangueira, enquanto ministro das Finanças e, mesmo agora, com a sua substituição por Vera Daves, considera-se que a situação continua e a nova ministra, pela sua reduzida experiência administrativa governamental e política, não passará de teorias que nada vão resolver.

As notícias dão conta que é grande a “insatisfação nos círculos influentes do MPLA”, porque a rotação de quadros que o Presidente da República tem efectuado para “rejuvenescer” e “reforçar competências técnicas”, não passa de um exercício para solidificar o seu círculo, afastando elementos que estavam a tornar-se “incómodos”.

Apesar de “protegido” de João Lourenço, Manuel Nunes Júnior, segundo as notícias referidas, poderá ser substituído em breve, para que se acalme o descontentamento das elites partidárias e empresariais.

Para as fontes, já citadas, a aprovação da nova orgânica do Ministério das Finanças, discutida recentemente em sessão do Conselho de Ministros, assim como a de outros ministérios, inclui a nomeação do novo secretário de Estado para os Assuntos Fiscais e Tributários, cargo para o qual foi apontado Emílio Londa, director do Gabinete de Estudo e Planeamento do mesmo ministério, considerado amigo pessoal da ministra Vera Daves e seu ex-colega na Universidade Católica de Angola.

Consta que a ministra, com as alterações aprovadas, quer afirmar-se e, para tal, está a afastar os quadros nomeados pelo seu antecessor, Archer Mangueira, nos diversos organismos do Ministério das Finanças.

Resta saber, o que ela vai fazer para melhorar a situação e até quando vai durar, antes de ser substituída!

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