Início Economia BPC, Banco Sol e o Económico já não vão conceder créditos por incapacidade financeira

BPC, Banco Sol e o Económico já não vão conceder créditos por incapacidade financeira

por Redação

Os Bancos de Poupança e Crédito (BPC),  Sol e o Económico já não vão libertar mais nenhum kwanza para o programa de crédito, quando inicialmente estavam obrigados a ceder até um mínimo de 2,5% dos seus activos para financiar a produção nacional

Em causa está o facto de as referidas instituições estarem a passar por um processo de reestruturação interna, informou fonte do Banco Nacional de Angola (BNA), citada pela Forbes.

Assim sendo, o programa que prevê fechar 2021 com uma cifra acima dos mil milhões de dólares em financiamentos, já só está a contar com 20 dos 25 operadores do sistema bancário angolano, uma vez que outros dois bancos, nomeadamente o Standard Chartered Angola (SCBA) e o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), também estão de fora da iniciativa.

No caso do (SCBA), a saída do programa é justificada com a “baixa penetração que este operador tem na banca de retalho”. Já o BDA está dispensado do programa por já estar envolvido em várias acções similares. “Os bancos com situações conhecidas de reestruturação financeira ou de baixa penetração no retalho, como o caso do Standard Chartered Bank, estão de fora do programa”, atestou a fonte do board do BNA.

Ao que apurou a Forbes, três dos cinco bancos comerciais dispensados pelo órgão regulador do “Aviso 10” enfrentam problemas de capitalização, que os obriga à reestruturação, nomeadamente o BPC, Banco Económico e o Sol, este último que sofreu uma investigação aos seus modelos de operação e de controlo interno, na sequência da denúncia pelo anterior CEO, Mário Nascimento, de conflitos de interesse na gestão da instituição.

Dos dispensados, e de forma separada, o BPC é o banco com o maior problema ao nível do seu balanço, já que, há vários anos, este operador não fecha contas de balanço com resultados líquidos positivos. Aliás, por culpa deste banco, o agregado de todo o sector bancário angolano registou queda no resultado líquido, uma redução para um valor negativo acumulado de 165.927 milhões de kwanzas, o que representa uma queda de cerca de 237% face a 2019.

Já no caso do Banco Económico, entidade bancária reincidente da não  divulgação de contas ao longo de vários exercícios, a Forbes também sabe que está em curso um processo de reestruturação, que tenciona capitalizar o banco, com a entrada de novos accionistas na equação.

Sabe-se ainda que este processo está a ser viabilizado pelo banco central angolano que, entre as várias soluções em cima da mesa, está a transformar os maiores depositantes daquela instituição em novos accionistas do negócio.

Por sua vez, o Banco Sol, que, por largos anos teve o banqueiro Coutinho Nobre Miguel na gestão, também vive um quadro de ajustes na sua gestão e no capital, na sequência de várias advertências dos auditores independentes sobre a relação de negócio com partes relacionadas, distribuição do crédito e afins.

O próprio “Aviso 10” estabelece que as instituições financeiras bancárias devem assegurar a contratualização de um mínimo de 50 novos créditos, no caso dos bancos cujo activo total líquido registado no seu balanço seja igual ou superior a 1.500 milhões de kwanzas a 31 de Dezembro de 2019, e 20 novos créditos, no caso dos bancos que o total do activo líquido registado for inferior a 1.500 milhões de kwanzas, em igual período. (Com agências)

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